NÃO EXISTE ENSINO AGRÍCOLA SEM AULA PRÁTICA, por Antônio Carlos Ferreira de Melo

Praça do CAVN, vendo-se ao fundo o pavilhão central de aulas (Fotografia fornecida pelo autor)

Devo tudo de minha vida a Deus e a essa magnífica casa de ensino – Colégio Agrícola Vidal de Negreiros (CAVN), de Bananeiras – que no próximo Sete de Setembro completa 100 anos e tem sido desde sempre considerado um dos melhores educandários de ensino técnico-agrícola do nosso país.

Por suas salas de aula, campos, experimentos e oficinas já passou muita gente que teve a felicidade de ter excelentes professores, a exemplo dos queridos Vicente de Paula Nóbrega, Joaquim Édson de Araújo, Mariano Moreira, José Pires Dantas e Inácio Batista Dantas, entre outros. Particularmente, tive a graça de ter sido nascido e criado nesse paraíso chamado CAVN, além de receber e guardar os ensinamentos de tão admiráveis mestres.

Com suas aulas teóricas e práticas, eles nos ensinaram como desempenhar com maestria a função de técnicos em agropecuária, porque com as práticas associadas à teoria aprendemos a “fazer fazendo” e por essa razão nos sentimos privilegiados. Digo privilegiados porque hoje, infelizmente, essas aulas não são frequentes, prejudicando e muito o nível de aprendizagem e comprometendo de certa forma a boa formação exigida nos cursos técnicos.

As aulas práticas são de fundamental importância, tendo em vista que ao exercermos nossa profissão ou iremos executar referidas práticas ou vamos determinar a alguém executar e temos a consciência de que não se pode executar ou mandar alguém fazer algo que a pessoa nunca praticou. É a mesma coisa que confiar uma cirurgia a um médico que nunca pegou em um bisturi enquanto cursava medicina.

Com base nesse princípio, de que as aulas práticas são determinantes na aprendizagem técnica, lembro que em 1973 quando iniciei no magistério lecionei as cadeiras de avicultura e cunicultura, tendo muita dificuldade no começo porque não existia no CAVN nenhuma galinha e nenhum coelho.

Tive então a ideia de solicitar ao Dr. José Lenilton de Carvalho, à época diretor da Escola, para aproveitarmos velhas construções existentes que foram remodeladas e adaptadas para a criação de aves e coelhos, de modo a viabilizar nossas aulas práticas, que complementavam as aulas teóricas. E assim iniciamos uma pequena criação com apenas 100 pintos de um dia, para viabilizar as aulas práticas.

Esse projeto foi crescendo ao longo dos anos, chegando ao total de 22 mil aves distribuídas em vários galpões modernos e adequados à produção. O mesmo ocorreu com a criação de coelhos, que iniciamos com um terno de coelhos e quando me aposentei entregamos um plantel com mais de 30O animais.

Vale ressaltar que todas as práticas de manejo com esses animais (aves e coelhos) eram executadas pelos alunos, inclusive aos sábados e domingos, que absorveram a ideia de que ensinando a fazer e fazendo para aprender alcançamos o melhor da nossa formação teórica e prática.

Para finalizar, reafirmo o meu sentimento de gratidão e amor por nosso CAVN e conclamo a todos os que por lá passaram a juntos solicitarmos aos atuais dirigentes da nossa instituição que exerçam a nobreza de restabelecer com urgência as aulas práticas, que sempre tiveram papel determinante em nossa formação profissional.

Se os dirigentes atenderam ao nosso pedido, com certeza estaremos presenteando nossa querida casa de ensino nos seus 100 anos e também a todos os alunos de hoje e de amanhã.

  • Antônio Carlos Ferreira de Melo é ex-aluno e ex-professor do CAVN
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HOMOFOBIA ESTRUTURAL NO BRASIL, por Palmari Lucena

Em pleno Dia dos Namorados, celebrado em 12 de junho no Brasil, Leo Nunes, um jovem de 24 anos, nutria a esperança de um novo começo. Habitante de São Paulo, ele havia passado dias trocando mensagens com alguém que conhecera no Hornet, um aplicativo de namoro gay popular entre a comunidade LGBT. O encontro estava marcado para o bairro de Sacomã, um cenário típico da classe média paulistana. No entanto, o que deveria ser o início de algo promissor, transformou-se em uma tragédia.

O desenrolar dos acontecimentos, capturado por uma câmera de segurança, revelou o horror: dois homens em uma motocicleta abordaram Nunes no beco onde ele esperava. Em um piscar de olhos, roubaram seu telefone e silenciaram sua vida com um disparo. A brutalidade do ato deixou marcas profundas, não apenas na família, que compartilhou detalhes da investigação, mas também na comunidade LGBT do país.

A polícia de São Paulo investiga o caso como um roubo seguido de homicídio, mas o silêncio em torno dos detalhes ecoa uma sensação de insegurança e impotência. Leo Nunes não foi uma exceção, mas parte de uma triste sequência de crimes que vêm assolando a comunidade gay no Brasil. Desde março de 2024, pelo menos cinco homens gays foram assassinados após encontros marcados via aplicativos de namoro. Além disso, inúmeros relatos nas redes sociais descrevem roubos à mão armada, todos seguindo um padrão cruel: perfis falsos que atraem vítimas para armadilhas fatais.

Esses crimes não apenas abalam a segurança individual, mas escancaram a vulnerabilidade imposta pela homofobia estrutural à comunidade LGBT. Como destacou Wanderley Montanholi, advogado de Heleno Veggi Dumba, outro jovem gay morto em circunstâncias semelhantes: “Os criminosos sabem que as pessoas LGBT são vulneráveis. Sabem que serão mais facilmente intimidadas.”

O caso de Nunes se soma a uma estatística alarmante: crimes de ódio contra a comunidade LGBT no Brasil, um país onde a resistência em categorizar tais atos como homofobia ainda é flagrante. Embora o Supremo Tribunal Federal tenha codificado a homofobia como crime em 2019, a realidade nas delegacias e tribunais segue outra lógica. A relutância em reconhecer a natureza homofóbica desses crimes impede que muitos busquem justiça, aprisionados no medo de que a denúncia possa trazer mais danos do que soluções.

Ainda mais cruel é a constatação de que, mesmo em uma metrópole como São Paulo, que abriga a maior parada do orgulho LGBT do mundo, a segurança para essa comunidade permanece frágil. Leo Nunes, que havia deixado a pequena Cambuquira em busca de um futuro promissor na capital, viu seus sonhos interrompidos. Ele desejava ser psicoterapeuta, ajudar aqueles que lutam contra a falta de moradia e o vício. Em vez disso, tornou-se mais um nome na lista de vítimas de uma sociedade que ainda precisa evoluir.

A morte de Nunes, assim como a de tantos outros, não deveria ser apenas mais um número. Ela é um clamor por justiça, por reconhecimento e, acima de tudo, por mudança. A resistência em categorizar esses crimes pelo que realmente são – atos de ódio motivados por preconceito – só perpetua o ciclo de violência. O medo de denunciar e a vergonha que impede as vítimas de buscarem ajuda são reflexos de uma sociedade que ainda precisa confrontar seus próprios demônios.

Enquanto a família de Leo Nunes lamenta a perda irreparável, agarrando-se à memória do jovem que desejava ajudar os outros, cabe à sociedade brasileira refletir sobre os caminhos que precisa trilhar para garantir que vidas como a dele não sejam perdidas em vão. O futuro de uma nação inclusiva e segura depende de como escolhemos agir diante dessas tragédias. É preciso mais do que palavras, é preciso mudança.

• Reproduzido de palmarinaestrada.com.br 

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VIAJANTE DE OUTRO TEMPO, por Frutuoso Chaves

O autor sente saudade até de Emulsão de Scott (Imagem do rótulo)

Eu gostaria de ter nascido muito antes do momento em que vim ao mundo. Deveria ter vivido a fase adulta durante os anos de 1940 ou 1950, por aí assim, nem muito além nem muito aquém. É dessa época que mais gosto.

Mas longe de mim o propósito de contraditar os desígnios divinos (para os que neles creiam) nem as leis da natureza (para o ateu e o à toa). Aceito meus dias e a eles me adapto, até porque me trouxeram a família que tenho e os amigos que fiz.

Contudo, não deixo de sentir que nasci no ano errado. Daquela temporada na Terra, assim desejada, eu, evidentemente, dispensaria as suas tragédias, a começar pela Segunda Grande Guerra.E aproveitaria, plenamente, os prazeres que por lapso de ocasião a vida me negou.

Como teria sido maravilhoso guiar um Ford 1948, cor preta, com o rádio a me trazer ao coração a melodia e os versos de “Misty”. Mais tarde, eu cantaria ao ouvido daquela menina de pulôver azulado e saia plissada, com a voz de Billy Eckstine: “I get misty just holding your hand”.

Isso, sem o menor desprezo aos ritmos e aos hábitos tropicais. Tudo me aconteceria abaixo da linha do Equador, pois não troco por nada nossos dias ensolarados nem os costumes que por aqui permitem aos recém-conhecidos afagos e apegos de longa data para espanto do resto do mundo. Sobretudo, do mundo onde os invernos esfriam ruas, campos e modos. E onde há censura a um povo que se cumprimenta com abraços e beijos tão logo se conhece.

Gostaria daquele Ford e dos cantores de então com repertórios aos quais não faltassem os daqui. “Marina, você se pintou”, reclamaria Dick Farney, no Cassino da Urca, para onde me levasse um avião da Panair. Ele e Lúcio Alves em busca, ao mesmo tempo, de Tereza da Praia.

Acho que ando no tempo errado porque sinto saudade daquilo que nunca pude adquirir, no momento certo, com dinheiro meu. Vejo pela internet aqueles reclames (era este o nome dado às antigas propagandas) e quase lacrimejo. A frigidaire amarelinha de bordas suaves, arredondadas, menor do que uma dona de casa, sempre me foi um sonho de consumo. Quando tive idade e grana suficientes para comprá-la, dela não mais havia.

Muitas dessas coisas existiram na minha infância e na fase da vida em que as meninas afinam a cintura e os garotos engrossam a voz. Posso dizer, desse modo, que sou do tempo do petisqueiro, do porta-chapéu usado por meu pai e do Cashmere Bouquet na penteadeira da minha mãe. Ali, também, o pó de arroz, o Extrato Royal Briar e a brilhantina Palmolive ou Glostora, estas últimas, também, dos meus usos, a fim de que o penteado me caísse como a James Dean, ou a Elvis, em “Louco por Garotas”.

Tenho estrada, meus companheiros. Vi meu pai com resfriado a aspirar Benzedrina, em cujo anúncio vinha o conselho; “Trate de usar pouco o lenço”.

Tomei meu primeiro porre, aos 10 anos, com Biotônico Fontoura, quando o jingle do rádio proclamava: “Melhoral, Melhoral, é melhor e não faz mal”. E quando outro anúncio radiofônico, igualmente cantado, indicava as Pílulas de Vida do Dr. Ross por fazerem bem ao fígado de todos nós.

Por aí, assim, li sem entender o aviso do fabricante da Aspirina: “Se sua mãe estivesse com dor de cabeça naquele dia, você não existiria”. Um achado publicitário até para os dias de hoje.

Vários desses objetos e produtos atravessaram os anos como muitos de nós os atravessamos. O meu e os seus netos tomam Toddy, bebem Coca-Cola e exigem das mães a compra do Leite Moça para os brigadeiros, aqueles docinhos pegajosos, achocolatados.

Não sei se essas coisas têm para eles os sabores e os encantos que já tiveram para o menino que um dia eu fui. Talvez, sim. Não custa imaginar que todas as crianças, seja no tempo que for, pressintam da mesma forma suas vivências. E que as repassarão aos próprios netos com o sentimento que hoje me aperta o peito.

Velhice é fogo. Tenho saudade de tudo. Neste exato momento, sinto falta até da Emulsão de Scott, aquele remedinho dos diabos feito com o óleo de fígado de bacalhau. Por falar nisso, eu soube que ainda existe.

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BNB: aplicações na agricultura familiar da Paraíba cresceram quase 130% este ano

Produtor rural (imagem copiada do portal do BNB – bnb.gov.br/imprensa/imagens-e-documentos)

As aplicações do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) na agricultura familiar na Paraíba cresceram quase 130 por cento no primeiro semestre deste ano, comparando com o mesmo período de 2023. A informação é da Superintendência do BNB no Estado. Consta de nota de enviada nesta quarta-feira (20) pelo órgão com objetivo de esclarecer problemas levantados ontem em artigo de Antônio Carlos Ferreira publicado neste blog.

O autor é professor aposentado da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e já coordenou o Programa Nacional de Agricultura Familiar na Paraíba (Pronaf) na Paraíba entre 2004 e 2009. Segundo o articulista, projetos sem orientação técnica e sem gerenciamento adequado ameaçam a produção e a própria existência de pequenos agricultores paraibanos vinculados ao Pronaf. Eis a nota da Superintendência do BNB, na íntegra:

Caro Rubens Nóbrega,

A respeito do artigo de opinião divulgado no seu site de notícias e assinado pelo senhor Antônio Carlos Ferreira, o Banco do Nordeste esclarece:

O Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) é oriundo da Resolução 2.191/1995, que tem a finalidade de promover o desenvolvimento sustentável no meio rural. As ações do Banco do Nordeste para apoio à Agricultura Familiar ocorrem tanto por meio do Agroamigo (Programa de Microfinança Rural), quanto pelos projetos rurais da rede privada ou pública.

Na Paraíba, as aplicações do Banco do Nordeste com o segmento da Agricultura Familiar registram expressivo crescimento. Apenas no primeiro semestre de 2024, o BNB destinou R$ 429,7 milhões ao público de agricultores familiares, um acréscimo de 128,4% em relação aos R$ 188,1 milhões registrados no mesmo período do ano passado. O montante está dividido entre R$ 393,9 milhões do Agroamigo (147% de aumento) e cerca de R$ 35,8 milhões dos demais grupos do Pronaf (23,9% a mais do que os seis primeiros meses de 2023).

Por meio da rede de agências e de colaboradores, o Banco do Nordeste atua para cumprir com o dever constitucional de garantir a operação do Pronaf de forma qualificada, produtiva e orientada para crescimento do empreendimento rural. O processo de crédito com esse público utiliza critérios, como entrevista prévia realizada com os clientes e visitas gerenciais por parte dos funcionários da instituição e dos agentes de crédito do Agroamigo aos empreendimentos rurais.

O Banco do Nordeste orienta que os clientes que tenham alguma necessidade de esclarecimento sobre as linhas de financiamento devem procurar os canais de acesso na rede de agências, com os colaboradores ou nos serviços disponibilizados: SAC 0800 728 3030 e Ouvidoria 0800 033 3033.

Superintendência do Banco do Nordeste na Paraíba

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AGRICULTURA FAMILIAR AMEAÇADA DE EXTINÇÃO NA PARAÍBA, por Antônio Carlos Ferreira

Liberalino (terceiro da esquerda para a direita) pede nova audiência com o governador João Azevedo (Foto: Zé Marques)

Nessa segunda-feira (19), a convite do presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura da Paraíba (Fetag-PB), Liberalino Ferreira de Lucena, fizemos avaliação criteriosa do sistema de assistência técnica e elaboração de projetos de financiamento destinados aos agricultores familiares da Paraíba vinculados ao Pronaf – Programa Nacional de Agricultura Familiar. Do encontro participou Ivanildo Pereira, assessor técnico da entidade.

De plano, vimos que o volume de operações de microcrédito para nossos pronafianos é bem inferior àquele alocado ao programa executado atualmente através do Agro Amigo do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). Daí, constatamos a difícil situação em que se encontra expressiva parcela daqueles agricultores que já acessaram créditos via Pronaf e não obtiveram êxito. Entre outras causas, o insucesso deve-se a uma incorreta aplicação dos recursos recebidos. 

Motivos para equívocos e desvios são os mais diversos, mas entre os principais destaco o fato de projetos submetidos ao BNB não serem discutidos com os agricultores e suas famílias. Muitos desses projetos, ressalte-se, são elaborados sem uma única visita técnica à propriedade a ser pretensamente beneficiada pela verba solicitada. Sem tal visita ao imóvel rural objeto do contrato entre o pequeno agricultor e o banco é impossível, por exemplo, identificar as características de produção da terra. Resulta daí um desastre anunciado, facilmente previsto.

Sem assistência técnica condizente e nenhum gerenciamento, inevitável a piora da qualidade de vida dessa gente que antes nada tinha ou tinha pouco e agora lhe sobra um débito que não consegue pagar, gerando uma inadimplência cumulativa que trava e reduz o número de novas operações de crédito. Com isso, perdemos oportunidades de melhoria efetiva da renda e da qualidade de vida em nossa agricultura familiar, onde centenas ou milhares de pessoas desassistidas chegam a passar fome.

Diante dessa realidade que vem desvirtuando os objetivos do Pronaf, em defesa e socorro aos pequenos agricultores paraibanos o presidente da Fetag decidiu pedir audiência ao Governador João Azevedo, a quem deve solicitar que o Estado passe a adotar doravante, com eventuais adaptações, o exitoso processo de Assistência Técnica Gerencial, atualmente desenvolvido pelo sistema Senar/Faepa. Se tal sugestão for acolhida e implementada, a agricultura familiar paraibana terá ganhos crescentes de forma sustentada. 

No sistema Senar/Faepa, o técnico faz assistência técnica e também o gerenciamento do projeto, orientando e acompanhando cada etapa para ao final apresentar relatório demonstrativo de resultados. O Senar é o Sistema Nacional de Aprendizagem Rural e a Faepa, Federação da Agricultura e Pecuária na Paraíba.

Vale destacar que nesse sentido já mantivemos contato com dirigentes da Empaer (Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária) e eles se mostraram bastante receptivos à proposta. Nesse encontro, Aristeu Chaves, presidente da Empaer, adiantou que já adquiriu um sistema eletrônico para viabilizar a implantação de um novo modelo de assistência e orientação técnicas aos pequenos agricultores.

Percebi que tudo está sendo feito para que tudo seja feito dentro da nossa realidade, com vistas a melhorar essa mesma realidade para quem realmente precisa melhorar. Conhecemos na Empaer um pouco do sistema que está sendo construído e achamos muito interessante, tendo em vista que o processo de financiamento vai ser iniciado com a visita do técnico à propriedade, onde se discutirá com o agricultor e sua família a melhor forma de investir na terra.

Detalhe: com a Empaer, a visita do técnico será registrada no sistema eletrônico de acompanhamento, onde ficarão resistrados horários da chegada e da saída e, também, tudo o que for debatido e decidido com os beneficiários diretos de tal iniciativa. E assim será em todas as etapas do acompanhamento/gerenciamento, anotando as ações, custos de produção, o quantitativo do que foi destinado ao consumo da família e o que foi comercializado.

Outro exemplo concreto da importância dos projetos terem um bom gerenciamento é o sucesso dos financiamentos do Agro Amigo, que tem um rígido controle de suas operações e resultados bastante satisfatórios. Examinando dados do próprio BNB, vê-se que no ano de 2023 foram feitas 54.541 operações nesse programa, enquanto somando todas as linhas de crédito do Pronaf foram realizadas apenas 1.129 operações de crédito.

O apoio financeiro ao Pronaf vem em queda nos últimos cinco anos. Suponho, com elevado grau de certeza, ser consequência da quantidade de agricultores inadimplentes que ficam impedidos de novos financiamentos. Se assim continuar, vamos terminar por inviabilizar essas valiosas operações, que tem juros subsidiados, variando de 0,5 a 6 por cento ao ano, com rebate de 25 a 40 por cento para quem paga em dia. É coisa que não existe em qualquer outro lugar do planeta.

Tenho a melhor expectativa de que no encontro com o governador da Paraíba ele se sensibilize e determine a junção ou integração de todas as políticas públicas de combate à pobreza rural no Estado, para que uma ação possa potencializar a outra, a exemplo do Projeto Cooperar, Procasi e Garantia Safra. Ações como essas podem mudar para melhor, de verdade, a vida e as condições de vida de milhares de pequenos agricultores.

Deve mudar, especialmente, a história da aplicação de créditos do Pronaf na Paraíba, algo perfeitamente exequível se melhorarmos a qualidade dos projetos, com investimento correto e retorno garantido para a nossa Agricultura Familiar.

  • Antônio Carlos Ferreira é ex-coordenador do Pronaf na Paraíba

 

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O CHOQUE DO BEM, por José Mário Espínola

Imagem meramente ilustrativa copiada de Fisio Care Pet

Há choques que vêm para o bem. Cresci para a leitura e para o cinema desenvolvendo gosto para alguns gêneros. Alguns dos que mais me fascinam são o suspense e o terror.

Nesses gêneros foram muitos os filmes e as histórias narrando sobre personagens submetidos a choques elétricos, geralmente expostos como forma de tortura.

Só quando me tornei adulto, e mais ainda como médico, é que vim tomar conhecimento do lado terapêutico do eletrochoque.

Na medicina, ele é resultado como último recurso para tirar pacientes que estão em depressão profunda, e que por isso correm o risco de suicidar-se. Geralmente com bons resultados.

Mas eu ainda não tinha visto a utilização de choques elétricos na fisioterapia. E foi o que acabei de testemunhar!

Há alguns meses, a nossa neta de 4 patas Minie, que tem 12 anos e é por isso considerada idosa, sofreu uma extrusão da 3ª vértebra lombar. Isso causou imediata paralisia dos membros inferiores.

Além disso, causou também o que é denominado na medicina como “bexiga neurogênica”. Isso é caracterizado como paralisia da válvula que controla o esvaziamento da bexiga através da uretra.

Com isso, Minie perdeu a capacidade de urinar, precisando usar sonda vesical, e a bexiga tem que ser esvaziada manualmente a cada 4 a 6 horas.

Diagnosticadas as lesões neurológicas por Dr. Edson Mauro e pela Dra. Pollyanna Moura, ambos prescreveram o tratamento fisioterápico para Minie. Por recomendação, procuramos o serviço de fisioterapia da Dra. Kalinne, o Acufisio.

Lá, ela vem fazendo tratamento ininterrupto, 2 sessões semanais. Nas últimas sessões, a Dra. Kalinne iniciou o tratamento com micro-choques elétricos.

Para a nossa alegria, hoje assistimos Minie erguer-se sobre as patas traseiras, até ontem à  tarde semiparalisadas, e dar duas curtas carreiras para escapar de Luna, a nossa gata brincalhona que queria pegar a cauda dela!

Foi uma alegria geral, todos exultantes com o progresso e a conquista de Minie. Por isso somos sinceramente agradecidos aos dois “pediatras” das nossas crias, nossas netas de 3 e 4 patas, Dr. Edson Mauro e Dra. Pollyana, pelas suas dedicação e competência.

Um agradecimento todo especial à Dra. Kalinne, pela sua competência, aumentando a esperança de que um dia Minie volte a ser normal.

Essa cena enterrou definitivamente o aspecto aterrorizante do choque elétrico para mim, difundido pela literatura e pelo cinema.

VIVA O CHOQUE DO BEM!

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IMERSÕES, por Frutuoso Chaves

Imagem meramente ilustrativa publicada no Facebook por História de Indaiatuba, sem crédito à autoria

Não lembro que prefeito tratou de chumbar umas argolas de ferro no leito da Avenida José Lins do Rego, até a vizinhança da Praça João Pessoa, no Pilar da minha infância.

Mas lembro das queixas da Dona Guajarina, nossa vizinha, em decorrência de buracos feitos, antes disso, no calçamento da rua principal onde se enfiavam pinos metálicos. Essa coisa servia à amarração dos balanços e carrosséis daqueles antigos parques de diversão. Terminadas as festas de fim de ano, os donos dos brinquedos não cuidavam de tapar a buraqueira, o que insatisfazia a moça.

Naqueles idos, a moça carrancuda valia-se do parentesco com o poderoso chefe político local (de quem ganhara cargo vitalício na Prefeitura) para mandar e desmandar, o tempo inteiro, em todos e em tudo. E pode-se incluir na relação de seus subordinados uma sucessão de prefeitos.

As tais argolas foram ideia sua e, depois delas, parque nenhum fez mais buracos na rua. Perdão, na Avenida, com “a” maiúsculo, por mais que isso possa divertir os acostumados aos vastos espaços das grandes cidades do País, ou do mundo. Acontece que Pilar tem grandezas conferidas pelo coração. Perto desse aglomerado humano – que atravessou eras com medo das cheias do Rio Paraíba – Nova York é pinto. Quinta Avenida… Pois, sim.

Voltemos, porém, aos velhos parques. Egresso do Recife e das férias escolares, eu gostava de acordar nas madrugadas com o barulho da instalação de rodas gigantes, balanços e carrocéis. O raiar do sol trazia, não raramente, a surpresa de ruas embandeiradas. A noite, por sua vez, traria o vai e vem das pessoas advindas, no mais das vezes, dos sítios e pés de serra.

Ainda menino, eu ficava a contemplar o passeio das moças surgidas da zona rural. Andavam quilômetros descalças por trilhas e estradas de barro, mas punham os sapatos tão logo entravam na cidade. A operação seguinte consistia em ajeitar o penteado, passar batom e rouge vermelhos e esfregar na nuca, ou decote, com a ponta de um dedo, o conteúdo de um frasquinho minúsculo. Eu poderia jurar que o cheiro recendia da Praça do Leite ao Compra Fiado. “Extrato”, é como chamavam isso. Depois, punham-se em duplas, de braços dados, a caminhar entre o povaréu. Ao fim de cada percurso, davam meia volta, entrelaçavam os braços (agora trocados) e retomavam a caminhada. Impossível não percebê-las.

Mas era do Serviço de Som aquilo de que eu mais gostava. A coisa se resumia a uma casinha de tábuas com as cores do parque e área um pouco além de um metro quadrado (o suficiente para acomodar a aparelhagem, os discos e o discotecário), afora dois ou mais alto-falantes atados no alto de um mastro para irradiar músicas e dedicatórias. Algo do tipo: “Atenção, Marina. Assim como as flores abrem as pétalas para receber o orvalho da madrugada, abra seu coração para esta canção que Antonio agora lhe oferece”. E tome Nelson Gonçalves, tome Anísio Silva, tome Ângela Maria.

Ah, sim. Antes que a Hidrelétrica de Paulo Afonso trouxesse a eletricidade para as pequenas cidades do interior, os parques de diversão tinham seus giros garantidos por gente para tanto contratada. “Movidos a feijão”, dizia-se. O motor da luz, ligado e desligado por Seu Oscar, servia à iluminação das ruas, residências e casas de comércio. Também, é claro, em momentos festivos, às difusoras de músicas, algumas, pomposamente, com títulos e prefixos.

Mas, por que fui lembrar disso tudo? O que vou fazer com o restante do dia? Morrer de saudade? A passagem dos anos é uma bosta. Neste exato momento, sinto falta, até, da Dona Guajarina.

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BREJO CADA VEZ MAIS SECO E PELADO, por Rubens Nóbrega

No Engenho Laranjeiras, reserva vegetal preservada deveria servir de exemplo

Em favor do Brejo da Paraíba, vale renovar apelo de 20 anos ou mais repetido pela última vez em setembro de 2021, quando usei este espaço para clamar por reposição vegetal dos mais lindos jardins, serras e campos com os quais convivi na Bananeiras da minha infância.

Prestes a completar sete decênios de minha “aventura humana na Terra”, julgo oportuno repetir também um alerta: sem replantar árvore nem reabrir olho d’água, em breve o Brejo deixará de ser brejo para afugentar de vez até mesmo o friozinho que afortuna o turismo da Grande Bananeiras.

Sugeri ene vezes a autoridades locais e estaduais um consórcio de reflorestamento do Brejo como alternativa à tragédia anunciada. Em vão. Agora, peço que no mínimo mirem-se no exemplo de cidadãs e cidadãos verdadeiramente preocupados com a devastação em curso.

Cidadãs como Ana Maria Gondim, secretária de Cultura e Turismo de Bananeiras nas gestões Marta Ramalho (2004-2012) na Prefeitura local. Ela adverte para os avanços e perigos da gentrificação por que passa a cidade, agravada por uma expansão imobiliária estupidamente ancorada no progressivo desmatamento das reservas de verde do município.

Ana Maria Gondim

A gentrificação, explica Ana, faz da cidade alvo de investimentos imobiliários de luxo que não apenas degradam o ambiente como encarecem terrivelmente o custo de vida para os nativos menos afortunados, forçando-os a venderem suas casas, seus pequenos comércios e outras formas de viver e sobreviver no lugar onde nasceram ou escolheram para morar.

Antônio Carlos

Melhor do que bom, seria ótimo prestar atenção também ao que diz Antônio Carlos Ferreira, zootecnista e professor aposentado da Universidade Federal. Bananeirense da gema, denuncia que a última porção de mata urbana de Bananeiras está ameaçada de desaparecimento para dar lugar a mais um condomínio de casas de padrões e preços inacessíveis aos viventes e sobreviventes do Brejo.

Governantes também podem se mirar em cidadãos como Francisco Barreto Filho, Professor Doutor em Economia da Universidade Federal e dono do Engenho Laranjeiras, em Serraria, onde há mais de 30 anos resiste às coivaras e ameaças de contumazes depredadores. Resiste e preserva 100 hectares de pura natureza concentrada em sua propriedade.

Francisco Barreto

Enquanto frui a beleza de despertar ao som de juritis e sabiás no Laranjeiras, Barreto diz acordar todo dia sob o temor das consequências do que chama de “urbanização rural” do seu entorno e de toda a região. “O que está acontecendo em quase todo o Brejo é um desastre, tendo Bananeiras como epicentro da ganância imobiliária”, lamenta.

Barreto teme, sobretudo, pela progressão sem limites da “ilusória urbanidade” do Brejo, ao sabor das oportunidades de negócio e enriquecimento rápido de alguns em prejuízo da maioria da população, a parcela que mais sofre com a falta de infraestrutura e de planejamento na ocupação e uso solo via urbanização rural.

“Em cada um dos 100 hectares de vegetação nativa que conservo são produzidas cerca de 40 toneladas de oxigênio por ano e não preciso de governos nem de COPs (conferências mundiais contra desmatamentos e aumento da temperatura global) para minusculamente ajudar o Planeta Terra”, garante Barreto.

Ele acredita mesmo que longe da “sedução especulativa” consegue “em alguma escala proteger a fauna, a flora e a não poluição dos solos e das águas”, ou seja, elementos de sobrevivência humana que ameaçam faltar aos brejeiros, paraibanos e brasileiros em geral caso não se detenha a escalada de empreendimentos imobiliários sem o menor respeito e preservação do nosso patrimônio natural.

Bananeiras já tem serras peladas (Imagem: Farol Corporativo)

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