A NOIVA DA OLIGARQUIA, por Babyne Gouvêa

homem prendendo uma mulher na cama em simulação de estupro

Crédito: IStock/@adl21

Dias atrás, a escritora Ana Adelaide Peixoto, grande amiga, foi merecidamente laureada com o Troféu Maria da Penha – prêmio em homenagem a quem se destaca por ações que beneficiam, valorizam e protegem as mulheres. Esse fato me provocou um imediato reflexo, levando-me à infância. Vejamos adiante.

Entre o final da década de 50 e início de 60, residia em uma das principais avenidas da cidade uma jovem esbelta e bonita que chamava atenção por onde passava. Costumava caminhar de sua casa até uma praça bem frequentada, onde moradores do bairro se divertiam e descansavam em seus jardins floridos. O trajeto ganhava a beleza do andar de movimentos naturalmente sensuais daquela moça. Além de tudo, deixava no ar um cheiro marcante de almíscar por onde passava.

Ela tinha o hábito de subir ao coreto do largo e tentar inocentemente brincar com os músicos da Banda Municipal, que ali tocavam. Em seguida, descia e era seguida por galanteios masculinos e pilhérias da criançada, mas não perdia o rumo da caminhada. O motivo da chacota: a moça levava sobre a cabeça uma cesta carregada de pedras em substituição a peixes que dizia vender.

Ninguém sabia que peixe não havia, a não ser uma criança muito astuta e desconfiada que resolveu bisbilhotar conversas adultas sobre a moça. Descobriu, então, que aquela que provocava anseios nos rapazes tinha sido violentada sexualmente pelo próprio noivo e amigos dele. À vítima de tamanha brutalidade de seres tão bárbaros e cruéis restaram o trauma e sequelas mentais evidentes por toda a vida.

A criança que fez tal descoberta não tinha, em razão da idade, compreensão suficiente do vocabulário usado pelos familiares mais velhos no relato daquele triste caso, mas a esperteza contribuiu para discernir que se tratava de algo grave. Merecia atenção e indagações, portanto, da curiosidade infantil e suas preocupações.

A moça da avenida foi ultrajada exatamente por quem lhe havia prometido casamento, um herdeiro da elite local. O crime foi abafado na sociedade, como sempre ocorre quando a violência contra a mulher é praticada por membros dos meios social e econômico mais abastados.

Ressalte-se que o fato ocorreu há cerca de sessenta anos, atestando que a mulher é subjugada desde épocas remotas, muitas vezes por seu companheiro. É importante, pois, sempre denunciar a violência sofrida pelas mulheres, mesmo quando muitas preferem silenciar por temer retaliação.

A pobre moça dessa história, de tão abalada, não teve como conduzir a sua vida normalmente, privando-se, inclusive, de desenvolver qualquer atividade profissional. Além disso, suas amizades sumiram com desculpas preconceituosas e as respectivas famílias julgaram e condenaram sumariamente pessoa tão carente de amparo. E o noivo estuprador, por sua vez, seguiu impune e fez carreira política. 

Formada a compreensão de tudo o que acontecera, a criança que desvelou a barbárie lamentou muitíssimo não ser adulta para poder defender aquela criatura delicada e vulnerável, vítima da misoginia e de uma oligarquia que tudo fez para proteger o seu monstro.

Mas aquela criança, uma menina, cresceu, amadureceu. Jamais esqueceu as imagens da mulher devastada, delirante e anônima. Imagens que tanto marcaram a sua infância.

APESAR DE TUDO… por Robson Nóbrega

Os últimos quatro anos reinseriram o Brasil no Mapa da Fome. Hoje, 116 milhões vivem sob insegurança alimentar (Foto: RBA)

Fiz o texto a seguir em resposta a um vídeo fake, mais uma montagem grosseira da fábrica de mentiras e ódio instalada no Brasil desde 2018. A ‘obra’ me foi enviada por um professor doutor da UFPB, ainda bolsonarista. Expõe palavras e imagens editadas para mostrar suposto posicionamento de Lula e Dilma contra as igrejas evangélicas. Evangélico que sou, sei bem distinguir entre a verdade dos fatos e o fundamentalismo fascista.

***

Boa noite, meu irmão, meu caro doutor.

Pensei que depois de tantos desmandos, de tantos cortes de verbas das universidades, de tanta violência contra a soberania das instituições federais de ensino superior (com nomeação de reitores biônicos)…

Depois de tanta destruição da cultura, de tanto ataque aos direitos trabalhistas, à aposentadoria, às reservas ambientais; depois de tantos assassinatos de indígenas, de tanto estímulo às queimadas na Amazônia, da entrega do Pré-Sal e da Base de Alcântara…

Pensei que depois da inflação galopante (com reajustes constantes de combustíveis, alimentos, remédios), das quase 400 mil mortes pela Covid (com discursos explícitos e atitudes criminosas contra o uso de máscara, distanciamento social e também contra vacinas); depois de tanto incentivo ao uso de cloroquina e outros medicamentos comprovadamente ineficazes contra o novo coronavírus…

Pensei que depois da coligação com o que há de mais corrupto na política, aí incluído o famigerado Centrão; depois dos palavrões, da homofobia, da misoginia, do racismo, da própria corrupção em família, do apoio a milícias armadas e tantos outros desmandos…

Jamais imaginei que o nobre mestre – com inteligência acima de muitos mortais – fosse capaz de divulgar vídeo com montagem tão grosseira que tenta jogar os evangélicos contra os governos petistas, pois foi justamente nos governos do PT que inúmeras igrejas evangélicas floresceram e foram implantadas.

Pensei mesmo que você, caro doutor, estivesse arrependido do seu voto em 2018. Vejo que não, infelizmente. Embora pareça ser aquela coisa de não dar o braço a torcer, enquanto o Brasil padece sob tanta desumanidade.

Uma pena, pena mesmo, querido mestre. Mas, apesar de tudo, desejo com absoluta sinceridade a paz do Senhor na sua vida e na vida dos seus.

Com respeito, seu amigo e admirador,

Robson

AVES POÉTICAS, por Babyne Gouvêa

Uma obra inspirada na natureza - Mundo Sustentável | André Trigueiro

Tom Jobim, nosso Maestro Soberano (Foto: Veja)

Num domingo de verão, um onírico encontro de aves ocorreu no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Lá estavam celebridades do Romantismo, do Parnasianismo, e do Modernismo, representando a passarada nos atinentes movimentos literários brasileiros.

Naquela área próspera e encantadora, entre as orquídeas, palmeiras imperiais, vitórias-régias, e outras variantes da flora local, teve início o evento com as apresentações oportunas, e em seguida os contentamentos e as lamentações das aves foram sendo expostos e realçados. O Sabiá do Romantismo, com a maior parte da plumagem parda e o ventre de uma coloração vermelho-amarronzado e bico amarelo-escuro, foi apreciado pelo seu representante – Gonçalves Dias -, deixando o pássaro envaidecido, e assim exigiu que fosse declamada a parte do poema Canção do Exílio, que o cita:

“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.”

O Sabiá ficou agradecido e exultante em ter sido um dos protagonistas citados em tão relevante acontecimento. A ave do Parnasianismo, retratando o sentimento de um pássaro que depois de retirado da natureza não se adaptou à vida sem liberdade e, insatisfeito, se inscreveu fazendo um aparte pedindo ao seu intérprete – Olavo Bilac -, para enfatizar a sua mágoa em ter sido encarcerada. Foi prontamente atendida, e trecho do poema O Pássaro Cativo foi lido, atendendo o seu desejo:

“É que, criança, os pássaros não falam.
Só gorjeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;

Por que me prendes? Solta-me, covarde! Deus me deu por gaiola a imensidade: Não me roubes a minha liberdade…
Quero voar! voar!…”

Desejo atendido da segunda protagonista, deu-se continuidade ao inédito simpósio, com o pronunciamento da andorinha que, com a sua beleza, elegância e agilidade em seu voo e, simbolizando o Modernismo, destacou o seu orgulho por ter sido cotejada pelo seu esclarecedor – Manuel Bandeira. E a exemplo dos demais, solicitou que se tornasse público o que tinha lhe deixado em êxtase, e foi prontamente atendida:

“Andorinha lá fora está dizendo:
-Passei o dia à toa, à toa.

Andorinha, andorinha, minha canção é mais triste:
-Passei a vida à toa, à toa.”

Após a apresentação da terceira protagonista, inesperadamente surgiu a figura excêntrica e intrusa de Galileu Galilei, alegando ser de suma importância a sua ingerência. Pediu licença para participar do colóquio, defendendo as águias e depreciando os pássaros pretos. Audacioso e sem permitir ser interrompido, colocou a sua opinião, em nome dos filósofos:

“Acredito que os filósofos voam como as águias e não como pássaros pretos. É bem verdade que as águias, por serem raras, oferecem pouca chance de serem vistas e muito menos de serem ouvidas, e os pássaros pretos, que voam em bando, param em todos os cantos enchendo o céu de gritos e rumores, tirando o sossego do mundo.”

Esse pronunciamento provocou um início de alvoroço, numa mistura de reverência ao polímata italiano e menosprezo ao que ele avaliou. Mas, esse momento foi passageiro, e de forma providencial adentrou ao evento o arrendatário da área onde estava havendo a reunião – Antônio Carlos Jobim -,que abafou a voz de todos, proclamando:

“A música é o canto do passarinho melhorado, computadorizado, arranjado.”

Continuou o discurso atualizando e distribuindo conhecimentos sobre a importância das aves, a todos que estavam no ambiente, fazendo um alerta para a questão da sustentabilidade ambiental, constantes nos trechos de Borzeguim: 

“deixa o mato crescer em paz…escuta o vento cantando no arvoredo…e gavião grande é bicho sem fronteira…”

O encontro ganhou brilho e entusiasmo de todos, e os debates que sucederiam às colocações, foram secundarizados, e de forma conjunta os presentes cantaram a música Passarim, com o seu desfecho sendo realçado e repetido efusivamente, demarcando o final do colóquio:

“Passarim quis pousar não deu
Voou, voou, voou, voou, voou”

O clamor literário deixou os espíritos gratos, alçando voos à imaginação.

MAS É HONESTO, NÉ? por José Mário Espínola

JB com o Queiroz ‘das rachadinhas e depósitos na conta da primeira-dama’ (Foto: Reprodução)

O meu Querido Amigo, ufanista, enviou-me entusiasmado a noticia de que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, decidiu instaurar para governo federal, com extensão para estados e municípios, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) solicitada pela minoria da Casa para investigar a pandemia de Covid no Brasil. Ou seja: não se deterá a investigar apenas o Governo Federal.

Ótimo, respondi, tem lógica. Pois, como se trata de uma CPI para investigar as ações governamentais para conter a pandemia, nada mais certo de que, no decorrer dos trabalhos, sejam apuradas as responsabilidades de cada um dos atores desse terrível drama. Inclusive de empresários e quem mais tiver responsabilidade sobre a evolução da pandemia no Brasil.

E pergunto ao Querido Amigo:

– Quem tem medo da CPI? E por que?

No que ele responde:

– Governadores e prefeitos que receberam do Governo Federal dinheiro que é nosso. E o Supremo Tribunal Federal proibiu o governo federal de intervir nos estados e municípios. Só permite que o governo Federal mande o nosso dinheiro para eles, sem poder tomar satisfação do uso.

O papo estava começando a ficar bom, pensei eu. Pois, para mim, é muito bom conversar com pessoas inteligentes, honestas e bem intencionadas. Perguntei:

– Será, Querido Amigo? Até agora só vi uma única pessoa protestar contra a CPI, demonstrando incômodo com a sua instalação. E você sabe qual é o alcance daquela decisão do STF: os estados e as prefeituras têm autonomia para TOMAR DECISÕES contra a evolução da pandemia, de acordo com a realidade e cada um. E tem mais: o dinheiro que o Ministério da Saúde libera, o nosso dinheiro, como você falou, é a contrapartida obrigatória do SUS para cada unidade federativa. Que eu saiba, é atributo do TCU e dos TCEs fiscalizar a aplicação dos recursos.

Querido Amigo deve ter pensado, pensado, buscando um bom contra-argumento. Então me respondeu:

– Bolsonaro é doido, mas é honesto. Eu quero na CPI prestação de contas, o que os governadores e prefeitos fizeram com o nosso dinheiro?

Percebi que até este momento eu ainda não havia citado ninguém. Quem nomeou foi o Querido Amigo. Respondi:

– Há controvérsias. Mas, já que você deu um nome aos bois (Êpa!), vamos aqui analisar a argumentação apresentada por Vossência. Bolsonaro é doido, mas é honesto. Palavras suas. Que tal ampliarmos para outros argumentos? E comecei…

  • • Bolsonaro pode estimular a morte nas ruas ao liberar armas, mas é honesto, né?

  • • Bolsonaro pode estimular a morte no trânsito ao premiar os maus motoristas, mas é honesto, né?

  • • Bolsonaro age como um alucinado, mas é honesto, né?

  • • Bolsonaro toma atitudes de canalha, mas é honesto, né?

  • • Bolsonaro mente diuturnamente, e dia-sim, dia-não, mas é honesto, né?

  • • Bolsonaro fez “rachadinhas” quando deputado, segundo investigações do Ministério Público, mas é honesto, né?

  • • Bolsonaro tem dificuldades para se expressar, limitando a sua capacidade para administrar qualquer órgão ou atividade profissional, mas é honesto, né?

  • • Bolsonaro demonstra ao longo de sua vida política e pessoal muita intimidade com pessoas ligadas ao crime, mas é honesto, né?

  • • Bolsonaro é cercado de filhos sobre os quais pesam acusações de desonestidades no trato com os salários dos seus respectivos assessores parlamentares, mas é honesto, né?

  • • Bolsonaro manteve funcionário fantasma no seu gabinete de deputado, também segundo o MP, mas é honesto, né?

  • • Quer mais?

Foi quando Querido Amigo respondeu, candidamente:

– Eu não tenho compromisso com Bolsonaro. Meu compromisso é com o Brasil. Na CPI, vamos apurar eventuais ‘erros’ de Bolsonaro. E ‘eventuais’ roubos do dinheiro enviado por ele aos governadores e prefeitos. Simples assim.

Encerrei a nossa conversa, por hoje, com a seguinte resposta:

– O meu compromisso é PRINCIPALMENTE com todo o Brasil, não é somente com um candidatozinho a ditador. Foi você quem começou! Um abraço!

Imagino que diálogos como este estejam acontecendo por tudo o que for de rede social do Brasil, diariamente, nem sempre no nível amistoso que caracteriza uma boa amizade. Todos têm em comum a falta de argumentos de um dos lados.

Mas tenho a certeza de que só ocorrerão até dezembro de 2022. Depois, perderão o sentido.

DESCARREGOS COVIDIANOS, por Babyne Gouvêa

Imagem meramente ilustrativa. Caixões com vítimas da covid para enterro em vala comum no cemitério de Nossa Senhora da Piedade, em Manaus (AM). Foto Michael Dantas/AFP

Hoje, recebi a nefasta notícia de mais um conhecido que se encantou. Volto a emitir desabafos – necessários descarregos – contrariando promessa feita a mim mesma, a de me restringir a falas amenas. Mas não me contive e espero estar falando por muitos.

Já estamos esgotados de ouvir os absurdos cometidos e ditos pelo nosso governante-mor, sendo a última máxima um “não adianta lamentar o leite derramado” diante das 350 mil vítimas que não sobreviveram ao vírus letal, multiplicando por milhões uma imensidão de sofrimento, orfandade e muito dolorida saudade.

Embora o assunto seja repetitivo, é necessário colocá-lo reiteradas vezes para alguns ingênuos que teimam em defender as irresponsabilidades do presidente. Fico imaginando o pesadelo macabro que viveríamos, caso prevalecesse o seu desejo para enfrentar a pandemia “de peito aberto e sem mi-mi-mi”.

Felizmente, parte significativa da sociedade e suas instituições, não somente as científicas, resistem à alienação funesta daquele que foi eleito para defender os interesses da população, mas trata seus governados como se inimigos fossem ou peças descartáveis no xadrez da voracidade pelo poder.

O governante-mor já declarou ene vezes que mortes serão inevitáveis e que as pessoas deveriam aceitar apaticamente esse fatalismo. A repetição de pronunciamentos assim indica que ele é impulsionado pela ideia de morte. Sua obsessão pelas armas e violência são sintomas da perversidade de alguém insensível ao sofrimento humano.

O negacionismo presidencial é facilmente explicado pelo egocentrismo acentuado, com foco em projeto pessoal de se perpetuar no poder e com esse poder proteger sua família. Com argumentos demagógicos em defesa de empregos e economia, ele desdenha do isolamento social e expõe a crueldade de suas “diretrizes” para o combate à Covid. Vejamos algumas delas:

– Para o meu governo, qualquer vacina, antes de ser disponibilizada à população, deverá ser comprovada cientificamente pelo Ministério da Saúde e certificada pela Anvisa. O povo brasileiro não será cobaia de ninguém. Não se justifica um bilionário aporte financeiro num medicamento que sequer ultrapassou sua fase de testagem. Diante do exposto, minha decisão é a de não adquirir a referida vacina.

– Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Dória queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O Presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha.

– Eu não vou tomar vacina e ponto final. Problema meu.

– Já tenho anticorpos. Pra que tomar a vacina de novo?

– Se você virar um jacaré, é problema de você.

– Tá muito suspeita essa pressa em gastar R$ 20 bilhões pra comprar vacina.

No momento, em curso a instalação da CPI da Covid, estão sendo disparados ataques contra a iniciativa. Ataques do presidente e de seus apoiadores. Nós, brasileiros, merecedores de respeito, devemos continuar atentos e manifestando a nossa indignação contra os que têm sede de vírus e morte, patrocinadores de aglomeração.

Estaremos sempre avessos aos espíritos desumanos e exigiremos políticas públicas adequadas para garantir a dignidade e os nossos direitos. Se necessário, usaremos o descarrego para exorcizar esse espírito maléfico que brinca de governar o país.

TEM NOVIDADE DA BOA

Derval Golzio, Flávio Lúcio Vieira, João Costa e Rubens Nóbrega formam o quarteto de apresentadores e comentaristas do programa ‘Meia Dúzia de Três ou Quatro’ que estreia nesta terça-feira (13) na Internet, com transmissão pelo Facebook, Instagram e Youtube.

O programa surge e se oferece como alternativa de abordagem jornalística independente e transparente sobre fatos relevantes de interesse público. Todos sob análise criteriosa e fundamentada de experientes observadores da vida e da cena paraibana, nordestina ou brasileira.

UM POUCO DE CADA 

Professor do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Doutor em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Flávio Lúcio Vieira tem ainda destacada atuação na imprensa paraibana como colunista e analista político. 

Ator e diretor de teatro, João Costa consagrou-se como das mais positivas referências do rádio paraibano, onde atua há mais de 40 anos comentando com profundidade, estilo próprio e diferenciado (também no seu blog), os problemas que afetam a maioria da população.

Jornalista, professor de Mídias Digitais da UFPB, Derval Golzio é Doutor pela Universidade de Salamanca (Espanha), Mestre pela Unicamp (São Paulo), “noviço na participação em programas em plataforma streaming” e – faz questão de dizer – torcedor do Flamengo.

Jornalista há 45 anos e escritor publicado há oito, Rubens Nóbrega conta com experiência em rádio graças à sua participação em programas como Rádio Verdade (Arapuan FM), Balanço Geral (Correio FM) e Cotidiano (CBN João Pessoa). É ainda editor deste blog.

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A LENDA DO HOLANDÊS VOADOR, por José Mário Espínola

O Holandês Voador (gráfico de ponto cruz). Imagem: Elo 7

O Estreito de Magalhães é uma passagem de mar, de aproximadamente 600 quilômetros, logo abaixo da América do Sul, e acima da Terra do Fogo. Tem o seu nome em homenagem ao navegador português Fernão de Magalhães. Pois este navegador realizou a primeira circum-navegação do globo, no ano de 1519, tornando-se o primeiro europeu a atravessar o estreito. Toda a viagem foi muito bem descrita num livro pelo geógrafo e escritor veneziano Antonio Pigafetta: “A Primeira Viagem em Redor do Mundo”.

Assim como o Cabo das Tormentas tem fama ruim desde quando Bartolomeu Dias fez a sua travessia em 1488, o Estreito de Magalhães também é considerado um lugar de navegação muito perigosa. Isso porque a travessia sempre foi muito temida devido ao clima instável, com tempestades súbitas e gigantescas, com ventos insuportáveis para as embarcações da época, além da presença de geleiras e do risco de encontrar icebergs, devido à proximidade com o Polo Sul: o estreito localiza-se no paralelo 55 graus de latitude sul, próximo ao Círculo Polar Antártico.

Já o Cabo das Tormentas, nos anos seguintes à sua descoberta foi rebatizado para Cabo da Boa Esperança, na esperança de que pudesse melhorar, o que nunca veio a acontecer.

***

Até o século XX, quando existia o hábito salutar de ler livros, uma das leituras mais fascinantes era a Lenda do Holandês Voador (The Flying Dutchman Legend). Muitas histórias foram criadas em torno dessa lenda, na literatura universal. Livros, filmes e até uma espetacular história em quadrinhos de Tio Patinhas foi produzida pelos Estúdios Disney com esse tema.

A lenda tem muitas versões, desde o Século XVII, quando surgiu pela primeira vez. A mais aceita é que o capitão de um navio holandês, que navegava em velocidade excepcional para a época (daí o ‘voador’ do título), insistiu em atravessar o Estreito de Magalhães, apesar do protesto veemente da tripulação. Esta temia que o navio afundasse, como era frequente acontecer naquela passagem.

Desafiando a tripulação e as intempéries, o capitão louco conseguiu conduzir o navio pelo estreito. Diz a lenda que ele conseguiu realizar esse feito por que fez um pacto o Diabo, ganhando a aposta com dados viciados. Por haver trapaceado, o Diabo, indignado, amaldiçoou o capitão e seu navio, condenando-os a navegar eternamente pelos oceanos, sem nunca poder parar num porto, sempre contra o vento, causando o naufrágio de outras embarcações que porventura o avistassem.

Essa é a versão holandesa. Existem outras versões, inclusive uma que parece ter origem latina. Ela diz que Nossa Senhora atendeu às súplicas dos marinheiros e apareceu no navio. Mas o capitão, louco, atacou a imagem, sendo condenado a percorrer eternamente os sete mares, causando o desastre dos navios que o encontrassem ou vissem.

***

Qualquer que seja a versão correta da lenda, todas têm um senso comum: a história de um líder insano, que leva o barco sob a sua responsabilidade rumo ao desastre, apesar dos apelos e advertências de seus liderados. E por causa da sua imprudência, o seu barco não conseguirá mais ser recebido nos portos do mundo.

Respeitando as devidas proporções, essa lenda, essa situação, pode ser aplicada a um país. O Brasil, por exemplo. Tal como o navio da lenda, também tem um líder insano (por coincidência um capitão) no comando, que parece estar levando o país para o desastre. E, igual ao que aconteceu ao navio do Holandês Voador, os portos e aeroportos do mundo a cada dia que passa estão nos fechando as suas portas.

Todos os outros países têm medo de encontrar-nos, ou seja, relacionar-se com o Brasil. E apontam como causa as condutas desastrosas tomadas pelo capitão-presidente. Ou aquelas que tenha deixado de tomar.

Ainda não se sabe se o capitão-presidente fez ou não um pacto com o Demônio. Ao fazer a opção de ser o pária das nações deu um forte sinal desse acordo. Quando fica indiferente a milhares de mortes diárias ou debocha de alguém que adoece de covid, também aponta para um entendimento com Satanás.

O fato é que o Brasil está a caminho do desastre. A única diferença é que no navio do Holandês Voador todos os marinheiros foram contra as atitudes insanas do doido-capitão e no caso do Brasil o capitão-presidente tem o apoio de parcela significativa da marujada que promete acompanhá-lo até o inferno, em detrimento da maioria, que deseja salvar o barco Brasil.

O Brasil vai mesmo se tornar outro Holandês Voador? Ou perecerá num desastre? Os nossos marinheiros irão permitir ou vão corrigir a lenda? Esta é a questão crucial!

CULTO, por Ana Lia Almeida

Imagem meramente ilustrativa
(Foto: Evilázio Bezerra/O Povo)

Vamos comigo esse domingo, Bença. Eu passo na sua casa. O Pastor, você vai ver, ele é agraciado. Estou te falando, a gente sai do culto iluminado pela fonte do Senhor, é uma livração. Além do mais, o que você tem para fazer no domingo, mulher de Deus? Preste atenção no que o Pastor explicou semana passada: o descanso dominical é um repouso ativo, voltado à oração e ao louvor, não um convite para o ócio que só leva aos pecados da preguiça, da gula e da luxúria. Mente vazia, oficina do diabo, você bem sabe.

Os quarenta minutos de espera na parada de ônibus já eram castigo suficiente quando a vizinha de Rita chegou com essa conversa. Era do tipo que falava pegando nos outros, exigindo atenção exclusiva. Não tinha escapatória. Encarava as pessoas sem a mínima chance para o desvio dos olhos e quando sentia que o olhar estava parado, pensando em outra coisa, ela apertava as duas mãos nos ombros, segurava firme no braço ou pressionava levemente o queixo da pessoa com o polegar e o indicador. Por sorte ela não pegava o mesmo ônibus de Rita, mas por azar ônibus nenhum passava nessa manhã abençoada.

Irmã, agradeço demais o convite, mas eu já tenho a minha Igreja e por enquanto estamos orando pela internet. Foi até proibido fazer culto presencial, não foi? Com esse povo todo morrendo, Deus me livre ficar aglomerada, já basta esses ônibus lotados que a gente é obrigada a pegar. Eu prefiro o culto on line, mesmo, porque enquanto assisto já vou adiantando o almoço e fico logo livre pra dar o meu cochilo. Até porque esse domingo tem Paredão do BBB, eu acabo dormindo tarde e no outro dia estou aqui de novo esperando esse ônibus que não passa. É hoje que Dona Laura acaba comigo, atrasada desse jeito.

Seguiram-se dez minutos de sermão: como ela podia se somar às vozes contra a liberdade religiosa nesse mundo perdido onde os bares e os shoppings estão todos abertos e lotados; como ela podia alimentar sua alma da graça divina por meio de um computador; como era que uma mulher direita como ela podia assistir aquele programa do demônio cheio de depravações.

É que eu adoro a menina Juliette. Ela é daqui da Paraíba, sabia? E como sabia, se você não assiste? Ela não é rapariga nada, é uma menina muito inteligente e estudiosa. Minha filha Maria Clara está estudando para entrar na faculdade onde ela se formou, com aqueles professores maravilhosos que ela falou lá na televisão. Eu sei que no BBB estão se aglomerando também, mas pelo menos não tem risco pra mim, que tô assistindo, não é verdade? E é bom acompanhar um pouquinho da vida dos outros, já que não pode sair de casa. Graças a Deus chegou o meu ônibus. Até logo, Irmã, se cuide. Fique em casa e ore por mim, porque a patroa hoje vai estar furiosa.

A CRIANÇA E A BAILARINA, por Babyne Gouvêa

A bailarina Doreen Pechey, de 71 anos.

Doreen Pechey, 71 anos, da Academia Real de Dança do Reino Unido (Foto meramente ilustrativa/RAD)

Ela morava em uma das ruas principais da cidade, arborizada com a beleza e elegância dos jambeiros fixados como canteiros centrais. Por ela trafegavam poucos carros de passeio e marinetes que conduziam os seus usuários em trajetos urbanos.

Os jambeiros eram os responsáveis pela ornamentação da via pública, destilando ao solo os estames de suas flores cor de rosa após a polinização, formando um tapete natural que, de tão belo, provocava a admiração de quem por ali passava, comparando os adornos aos aplicados durante a celebração de Corpus Christi.

A sombra dessas fruteiras servia de abrigo aos trabalhadores de serviços gerais, como o engraxate e o amolador de tesouras, assim como aqueles que consertavam as panelas das donas-de-casa. Já os jogadores de tabuleiro assumiam esse abrigo no período vespertino, deixando o intervalo noturno para os encontros dos apaixonados.

O jambo, como a fruta exótica dessa árvore, era alvo da meninada do bairro, e precocemente era apedrejado caindo nas mãos sedentas das crianças ávidas em desfrutá-lo. Muitas vezes os pais tinham que intervir nas disputas dos frutos, apartando embates corporais.

As casas da região tinham estilo suntuoso e abrigavam famílias bem conceituadas da capital, como magistrados, comerciantes, dentistas, dentre outros. O convívio entre os moradores era harmonioso e cordial, e a solidariedade era seguida por toda a vizinhança.

Era nesse cenário bucólico e colorido que residia uma bailarina, anônima para todos, exceto para uma criança que a olhava furtivamente, camuflada com a ajuda de um tronco de jambeiro. Aos olhos da menina a dançarina fazia o espetáculo exclusivamente para ela. Com as portas da casa abertas e a radiola posta em ponto estratégico do terraço, emitindo o som de músicas eruditas, o corpo daquela que executava o ballet se contorcia em movimentos mágicos e inebriantes.


A árvore expressando a sua imponência, protegia aquela criatura pequena, que ficava em posição frontal à arrebatadora apresentação. Dava-lhe a cobertura necessária para continuar estimulando a sua curiosidade sem ser percebida, e permitindo-lhe um aprendizado na arte da dança. Às escondidas e num ato de peraltice infantil, premeditava alguma compra na mercearia mais próxima, porque o trajeto implicava uma passagem obrigatória pela casa-sede dos seus fascínios.

Em uma dessas ocasiões, mais uma vez por trás da árvore protetora, resolveu observar minuciosamente a indumentária e o rosto da bailarina. E como se a música fosse um ímã que a atraísse para se aproximar do som, deixou o temor de lado e se aconchegou. Parou junto ao muro e olhou prestando atenção ao collant, meia-calça, sapatilhas… O vestuário completo de sua deusa, deixando-a mais embevecida.

A menina percorreu com os seus olhinhos brilhantes todo o corpo e face daquela que ocupava um lugar no palco que podia ser seu. Percebeu uma pessoa mais velha chegando à sala e falando algo para a sua musa. Demonstrando uma aparente obediência, a bailarina se dirigiu ao terraço para desligar a radiola.

Nesse súbito instante a bailarina se desvendou e a balzaquiana escondida pela penumbra da sala se revelou; os cabelos grisalhos tingidos por purpurina e o desalinhamento corporal destacando o volume dos quadris foi totalmente exposto, provocando pavor no semblante infantil.

A criança ficou atônita e, emitindo um grito involuntário, viu desmoronar toda a magia e encanto que tinha construído em torno da bailarina. Só entendeu o impacto sofrido, anos mais tarde, quando teve discernimento para perceber o quanto tinha sido ingênua e injusta com a dançarina, por motivo tão tolo.

Com a maturidade estabelecida adotou a aversão ao prejulgamento como lema de vida, acrescentando: “Tudo é permitido fazer, desde que não haja vulgaridade. Usar sempre talento, beleza e paixão, como elementos básicos numa construção, é a chave de uma vida bem sucedida”.

PIOR DO QUE PESCADOR! por José Mário Espínola

A MENTIRA E A VERDADE – A mundialmente famosa pintura A Verdade saindo do poço (foto), de Jean-Léon Gérôme, 1896. De acordo com uma lenda do século 19, a Verdade e a Mentira se encontram um dia. A Mentira diz à Verdade: “Hoje é um dia maravilhoso”! A Verdade olha para o céu e suspira, pois o dia estava realmente lindo. Elas passam muito tempo juntos, e chegam ao poço para se banhar. A Mentira diz à Verdade: “A água está muito boa, vamos tomar um banho juntos!” A Verdade, mais uma vez desconfiada, testa a água e descobre que de fato está muito boa. Elas tiram as roupas e tomam o banho. De repente, a Mentira sai da água, veste as roupas da Verdade e foge. A Verdade furiosa sai do poço e corre por todos os lugares para encontrar a Mentira e pegar suas roupas de volta. O mundo, vendo a Verdade nua, desvia o olhar, com desprezo e raiva. Desde então, a Mentira viaja pelo mundo, vestida como a Verdade, satisfazendo as necessidades da sociedade, porque o Mundo, em todo caso, não tem nenhum desejo de conhecer a Verdade nua”. (Autor desconhecido)

A Mentira é uma nuance da personalidade que surge na infância e pode desenvolver-se na juventude. É encarada como natural no jovem, uma forma de comunicar-se, pois muitas vezes leva uma mensagem oposta ao que ele está realmente querendo dizer.

Embora seja aceita como parte da evolução da personalidade da criança e do adolescente, deve ser trabalhada para que não se torne um adulto mentiroso contumaz. Quando não devidamente tratada, a mentira pode se tornar um hábito, um desvio da personalidade. E assumir um distúrbio patológico.

Psicólogos dizem que há a verdade dos fatos e a verdade do sujeito. Psiquiatras se preocupam quando a Mentira se revela uma manifestação mais profunda da personalidade. Existem exemplos e exemplos de Mentira, na História. Existem mentirosos e mentirosos.

Temos desde o inocente Pinóquio até genocidas como Adolf Hitler, que tinha Josef Goebels como ministro da Propaganda, para quem uma mentira dita mil vezes se torna verdade. E, a partir desses exemplos podemos concluir que a Mentira, quando dita, pode não ter nenhuma repercussão ou ter consequências desastrosas. 

O folclore tem exemplos diversos de mentirosos. Um dos mais conhecidos e simpáticos é o Pescador. São conhecidas e divertidas as histórias caracterizadas pelo exagero, classificadas como histórias de pescador. Chico Anísio, por exemplo, criou Pantaleão, típico mentiroso encontrável em todo o Brasil que se amparava na esposa Terta, submissa ou esquecida. Mas ele mente por puro folclore.

Na minha juventude havia um amigo nosso que era mentiroso apenas para se mostrar e socializar-se, para impressionar os seus ouvintes. Certa vez ele contou, lá no Clube Cabo Branco, que nos Estados Unidos inventaram um cigarro à prova d’água. E um amigo endossou, dizendo que mergulhou numa praia de Miami e queimou-se na piola de um desses cigarros.

Esses são exemplos simpáticos de mentirosos contumazes.

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Mas existe o mentiroso patológico, que mente naturalmente (rimou!), sem sentir que está mentindo, pois é uma coisa natural para ele. Ele diz uma mentira num dia, no dia seguinte desmente com outra. No terceiro dia desmente as duas com uma terceira mentira.

O patológico mente por doença. Por ser portador de algum distúrbio de comportamento. Ele deve ter começado a mentir na infância e não foi bem orientado. Emendou mentindo na adolescência, já apresentando sinais de desvio da personalidade. Pode mentir até mesmo por haver entrado mentindo na vida adulta e não ter sido tratado.

Mentir, para alguém assim, é algo natural, pois já faz parte da sua natureza. Assim como a sua indiferença (ou até mesmo por sentir prazer) pelo sofrimento ao sofrimento alheio. Pelo seu descaso com a situação de inferioridade em que alguém se encontre.

Indivíduo com tais características mente por não possuir valores éticos ou morais. Por nunca se achar errado, despido de remorso ou arrependimento. Geralmente é pessoa fria, sem sentimento. Ele mente, também, pelo fato de não ser minimamente honesto.

Mente ainda quando a mentira faz parte de alguma estratégia para tirar vantagens, para si ou para os seus. Como é o caso do uso e abuso das notícias falsas, por exemplo, que ajudam a formar uma falsa boa opinião sobre o mentiroso. Ou deformar caluniosamente algum seu adversário.

Podendo passar a vida toda despercebido, o mentiroso patológico geralmente se manifesta de forma deletéria, nociva, prejudicial a alguém. Ou a toda uma população. No caso de Adolf Hitler, quase destruiu o Mundo. Já o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um típico de mentiroso compulsivo, totalmente irresponsável, indiferente às consequências que a sua fala mentirosa possa vir a causar.

Trump deixou muitos admiradores mundo afora, pessoas que padecem da mesma psicopatia. É como diria o meu amigo Pêdim: “Pense num cabra mentiroso!”.

Esse tipo de comportamento já é muito bem estudado pela psiquiatria desde o século passado. Os psiquiatras o classificam com PP: Personalidade Psicopática. Segundo eles, a psiquiatria prende-se à frequência e à intensidade da mentira, o que pode fechar diagnóstico de uma PP.

Estudando as possíveis causas e consequências da personalidade psicopática, a psiquiatria muitas vezes a associa à oligofrenia. Pode ser congênita, devido ao fato de ter tido algum problema com o seu cérebro, durante a gravidez de sua mãe, por baixa oxigenação, talvez. Ou por desnutrição da mãe.

A personalidade psicopática também pode ser associada à hereditariedade, sendo relatados outros casos na família. A psiquiatria se preocupa também porque o portador de personalidade psicopática pode muitas vezes evoluir para o crime, como os assassinos em série.

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Não sabemos se esse é o caso do Grande Mentiroso. De repente me vem à mente as palavras do meu avô de Misericórdia, Josué Pedrosa: “Meu filho, quem mente rouba!”. Não sabemos ainda se o nosso mentiroso contumaz também rouba. Nem mesmo se é honesto. Só o tempo e o Ministério Público dirão.

Quando surgirem figuras como essa, e estiver ao nosso alcance, cabe à sociedade a tarefa de excluir esses tipos de doente e apelar para que a justiça os isolem para tratamento psiquiátrico.