ATRASO DE VIDA, por Ana Lia Almeida

(Imagem: Ônibus da Paraíba)

Depois de meia hora de espera, Rita começava a se preocupar na parada de ônibus. Ela não teria tempo de preparar o café da manhã antes de D. Laura se levantar. As frutas cortadas, o café passado, o queijo assado, a manteiga nem derretida nem congelada na manteigueira, o açucareiro cheio e sem formigas, o pão fresco comprado todos os dias por Rita quando saltava em frente à padaria da esquina. Um longo dia de reclamação e hora extra a aguardava, sem a mesa posta de D. Laura. 

Uma pequena multidão se acumulava à espera das poucas linhas que se negavam a passar naquela manhã. Três meninos carregados de mochilas pesadas e espinhas no rosto também esperavam, mas, ao contrário de Rita, não pareciam nem um pouco preocupados. Animados por perder a primeira aula, espalhavam a notícia anunciada nas redes sociais de um acidente na saída da Integração, desorganizando a rotina da cidade.

Vocês terminaram a redação que ele pediu para enviar por e-mail? Quem é que ainda usa e-mail, véi? Esse professor é muito das antigas! Além do mais, fala como se estivesse escrevendo: “Daniel, queira vir à frente da turma apresentar a resenha do livro, por obséquio”… Não dá nem para entender o que ele diz. E naquele dia que chamou a turma toda daquela palavra esquisita, como era mesmo? Catrapoços. Levantou da cadeira, ajeitou os óculos e disse, bem sério: “Seus catrapoços”. A sala inteira caiu na risada, sem entender do que ele tava xingando a gente, até que alguém deu um google, o que era mesmo? Catrapoço: coisa que não presta, que não serve pra nada.  

Rita quase havia se esquecido daquela palavra. Era como a avó se referia ao amontoado de coisas entulhadas no quintal da sua antiga casa. Potes de margarina, xampú e condicionador, embalagens de amaciante e sabão de lavar roupa, eletrodomésticos quebrados, roupas velhas, garrafas de vidro, caixas e mais caixas de papelão vazias ou cheias de troços esperando um dia serem consertados, doados ou virarem jarro de planta. Mas esse dia nunca chegava e o entulho só ia aumentando, virando ninho de rato e criação de barata.

A casa de D. Laura também tinha lá seus catrapoços, mas de um jeito diferente. Vida de gente rica já é entulhada por natureza, cheia de coisas que não têm razão de ser. Aqueles objetos espalhados pela sala, por exemplo: umas bolas de cerâmica ocupando a mesinha de centro para nada, porque nem bonito era; uns potes de vidro cheios de papel picado colorido em cima de um aparador, e por aí vai.

Rita tampouco via motivo para a maioria das atividades e preocupações de D. Laura, um tal de ir em salão toda semana e continuar pálida daquele jeito, sem querer ir à praia pra não estragar a escova; um tal de ficar atrás de Seu Rogério, querendo saber toda hora os caminhos do marido, como se não tivesse mais nada para fazer. E não tinha mesmo. Vai ver por isso D. Laura se entulhava dessas coisas sem serventia e se deixava ficar nesse atraso de vida. E vai ver também por isso inventava de precisar de Rita tão cedinho da manhã.

DIFERENÇA NÃO É DEFEITO, por Babyne Gouvêa

Leia também: Família sem condições de pagar por cadeira de rodas ganha carrinho adaptado por estudantes

(Imagem meramente ilustrativa. Crédito: Razões para Acreditar)

No Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, reverenciado e comemorado anteontem (21), a mulher madura de hoje se sentiu motivada a externar reminiscências em favor da sua formação.

Desde a mais tenra idade ela se deparou com as desigualdades físicas em pessoas da sua vizinhança. A curiosidade nela instalada ora se aguçava, ora se aquietava, mas os poucos anos de vida mexiam com o seu espírito especulativo. Com essa personalidade tipicamente infanto-juvenil, ela, ensimesmada, procurava conhecer as causas provocadoras das diferenças e as alternativas de solução, em um nível mínimo de compreensão.

A vizinha que andava manquejando, qual seria o seu problema? O homem com um olho de vidro, o que teria acontecido com ele? A criança sem audição, o que teria provocado o seu ensurdecimento? A mocinha paraplégica, por que omitiam o motivo da sua paralisia? Essas são algumas situações presenciadas pela jovem preocupada com os seus pares.

Aos poucos, entre uma conversa e outra, passou a conhecer melhor esses portadores de alguma deficiência. Percebeu que todos eram pessoas aparentemente comuns sem nenhuma especificidade que pudesse conduzi-las a uma vala antissocial.

A mulher das pernas assimétricas era de uma benevolência elogiável se relacionando com os vizinhos, distribuindo simpatia; o senhor do olho de vidro era muito bem articulado com os políticos do Estado, manifestando sempre o talento para conluios; a criança surda tinha habilidade em superar os obstáculos deixando todos em estado de perplexidade; a mocinha conduzida sobre uma cadeira de rodas exibia uma convivência afável com os seus familiares e amigos.

Esses parâmetros identificados pela jovem em criaturas de seu convívio muito contribuíram para a formação de sua individualidade. O seu crescimento foi sempre acompanhado de preocupação com as adversidades enfrentadas
por seus semelhantes.

O comportamento da adolescente foi além superando as suas próprias expectativas. Depois de ler o ‘Eu’, de Augusto dos Anjos, procurou identificar na rua com o nome do poeta, paralela à sua, algum sinal dos tormentos presentes no poema. Ela sabia que a busca seria inócua, mas o fato de estar na via pública com o nome do poeta a fazia próxima ao sentimento angustiante colocado naqueles escritos.

Chegou a fase adulta. Embora tivesse aquietado a sua curiosidade sobre as desigualdades, a apreensão e atenção permaneceram. Para o seu ânimo, sentiu o mercado de trabalho despertar para as necessidades das pessoas que possuem limitações em alguns âmbitos, embora num cenário social ainda desfavorável.

As dificuldades relacionadas ao preconceito continuam e a inacessibilidade no cotidiano é afastada muito lentamente. As políticas de acesso pleno à informação, à cultura e às tecnologias ainda estão praticamente ausentes em programas de governo.

Atualmente, as observações da mulher madura prosseguem atentas e voltadas à inclusão social da pessoa em condição de deficiência. Defende o respeito à diversidade. Afinal, diferença não é defeito!

Bananeiras debate Plano Estadual de Recursos Hídricos nesta quinta

Barragem de Jandaia entra em colapso e 6 cidades ficam sem água | ManchetePB

Açude Jandaia, em Bananeiras, abastece Cacimba de Dentro, Araruna, Tacima, Dona Inês, Riachão e Damião. Está com menos de 6% de sua capacidade (10 milhões de metros cúbicos)

Depois de segunda-feira (20) em Sousa e de Campina Grande nesta quarta (22), amanhã será a vez de Bananeiras receber e encerrar o ciclo de reuniões presenciais promovido pela Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa) para debater o Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERH).

Lançado em 2006 e jamais atualizado até hoje, se estivesse com todos os seus dados, mapeamentos e diagnósticos em dia, o PERH seria fundamental para orientar ações de governo que poderiam ajudar a no mínimo prevenir e até evitar o colapso no abastecimento de água encanada e tratada em Bananeiras e Solânea.

Decretada recentemente pela Cagepa, a interrupção deveu-se ao completo esvaziamento da água de Canafístula II, barragem que abastecia as duas cidades. Outros reservatórios do Brejo estão ameaçando secar e deixar outros moradores da região igualmente dependentes de carros-pipa e escavação de poços.

A desatualização do PERH será finalmente resolvida até o final de 2021, conforme previsão da própria Aesa. Na reunião desta quinta, no Centro Cultural Oscar de Castro de Bananeiras, a partir das 14h diretores e técnicos da agência deverão explicar as razões da defasagem e o que estão fazendo para corrigi-la.

A série de reuniões presenciais sobre o PERH tem o objetivo de “validar, acolher comentários e contribuições sobre o assunto”, ressalta a Aesa, acrescentando que os debates prosseguirão entre os dias 27 e 30 deste mês através de encontros via Internet com representantes das bacias hidrográficas de todo o Estado.

ANJOS AMEAÇADORES, por José Mário Espínola

Motoqueiro invade ciclovia em João Pessoa (Foto: Reprodução/T5)

Durante a quarentena do primeiro surto da Covid 19, a população, especialmente idosos e outros pacientes de risco, foram praticamente salvos por aqueles que muito se arriscaram para garantir a nossa sobrevivência.

Entre os nossos salvadores, existe uma classe de trabalhadores que correu literalmente todo tipo de risco para garantir que tivéssemos uma vida sem faltar o básico para sobrevivência e um mínimo de conforto: os pilotos de motocicleta.

Foram eles que nos trouxeram a água que nós bebíamos, a comida que nós almoçávamos e jantávamos, a nossa roupa limpa, os remédios que tomamos ao longo da longa quarentena inicial.

A eles, e a profissionais como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, dentistas e todos os outros da linha de frente da Saúde contra a Covid, além das domésticas, cuidadoras e faxineiras, todos de alguma forma arriscando a própria vida, nós devemos a nossa gratidão e rendemos a nossa homenagem.

Recentemente, um motoboy foi assassinado por um motorista que furou um sinal vermelho dirigindo um carro em altíssima velocidade. Há indícios de que o motorista assassino estava embriagado.

Não é infrequente motoqueiros ou motociclistas sofrerem violência por parte de motoristas indignados por comportamentos temerários de quem usa motocicleta. Mas uma violência não justifica a outra. Jamais!

***

Mas gratidão tem limites! Os benefícios que os motoboys nos trouxeram, recentemente, e que reconhecemos e agradecemos, não nos obrigam a suportar os males que muitos deles têm causado aos transeuntes em especial e à população como um todo, esteja a pé ou de carro.

Eu me refiro ao desempenho, ao comportamento de parte dos entregadores que guia moto nas ruas e calçadas da cidade de João Pessoa. Reprovável, insuportável, inadmissível, além de perigoso.

Dirigem em altíssima velocidade, cortam pela esquerda ou pela direita sem o menor aviso. Quem dirige carro, e quer realizar uma manobra, subitamente vê uma motocicleta se materializar ao lado, tirando fino onde nada existia segundos atrás, o piloto arriscando-se ser atingido por qualquer motorista.

Eles percorrem as calçadas, às vezes em alta velocidade, reagindo de forma estúpida quando nós reclamamos. Passam sobre faixas de pedestres ameaçando atropelar quem atravessa e não raro invadem ciclovias. Não param por aí.

Dobram à esquerda em locais proibidos. Percorrem ruas na contramão. Ultrapassam sinais vermelhos. Quando chamados à responsabilidade respondem de forma grosseira, desrespeitosa, muitas vezes agressiva.

Ai de quem atropelar um desses infratores da lei: mesmo que o motorista tenha razão, o que muitas vezes acontece devido à própria imprudência desses motoqueiros, quando são atropelados ou sofrem alguma coisa logo dezenas deles se juntam e passam a agredir quem teve o azar de ser envolvido em tal acidente.

E vocês sabem por que agem assim? Porque têm a certeza da impunidade. Pois não existe em nossa cidade órgão que controle eficientemente o trânsito. A omissão das autoridades responsáveis (?) é notória.

Isso mesmo: não existem agentes de trânsito controlando o trânsito e aplicando multas em quem transgride. E olha que são muuuitos, tanto sobre duas quanto sobre quatro rodas.

Pois bem, já que o bolso é o ponto fraco, o lugar mais sensível do corpo, o coração dos infratores contumazes, deve o prefeito espalhar amarelinhos pela cidade munidos de talões de multa para aplicá-las em quem perturbar o trânsito de forma tão deletéria. Em poucos meses, o erário encherá os cofres.

E a principal consequência esperada será a melhor disciplina do trânsito da nossa capital, que recuperará a merecida paz.

Com a palavra, Sua Excelência.

BOTA SOMBRA, GOVERNADOR! por José Mário Espínola

O Parque Parahyba 1 é um excelente lugar para passear com a família e com  os cães. Todo final de tarde tem brinquedos para crianças e bicicletas para  alugar e passear. É

Parque Parahyba I (Foto: Tripadvisor)

Anos atrás, o então governador Ricardo Coutinho – dizem as más línguas que com a intenção de desfeita contra o então prefeito Luciano Cartaxo – construiu o Parque Parahyba I.

Esse parque é uma grande extensão verde no coração do antigo bairro do Bessa, agora Aeroclube, ao longo de um dos atributos do afluente norte do Rio Jaguaribe, e que estava canalizado. O parque tem uma pequena área plantada com árvores, que já existiam no lugar anteriormente à sua criação. Nenhuma árvore extra foi plantada no Parahyba I, portanto.

Ao longo de sua periferia, é possível observar algumas poucas árvores novas, a maioria mudas, ainda. Mas trata-se de iniciativa isolada de alguns moradores que se sentem gratificados pelo privilégio de morar à beira do Parque.

Pouco antes de deixar o governo, Ricardo Coutinho “construiu” o Parque Parahyba II. Desta vez em torno e ao longo de outro canal do Rio Jaguaribe. As aspas devem-se ao fato de que muito pouco se gastou com esse parque, pois as poucas construções mais densas que existem, muito bonitas, foram realizadas por um colégio privado à margem do parque.

Mas esse “parque” praticamente não tem árvore nenhuma, senão uma dúzia de exemplares. O que torna o “parque” praticamente numa campina ensolarada. Já estas aspas se devem ao fato de que não se concebe um parque sem árvores, só grama…

Pois não é que agora o governador João Azevedo está prestes a cometer o mesmo erro, construindo o Parque Parahyba III sem NENHUMA árvore! Não sei o que essas majestades têm contra uma sombra acolhedora à margem de um rio. Ou um canal…

O que custa, o quanto custa plantar e implantar árvores nas imensidões dessas campinas? Tornariam o exercício mais suportável e o uso mais prazeroso para os adultos e as crianças de duas e de quatro patas que a eles se dirijam e neles busquem desfrutar juntos com os seus. Em todas as estações de Vivaldi, ops!: de João Pessoa. Principalmente no verão.

Tenho observado as tentativas de retorno dos canários, várias décadas longes da cidade. Se o governador mandar plantar e implantar mais árvores, especialmente fruteiras, os passarinhos, as cobras, os pequeninos animais e os insetos agradecem. E nós humanos ainda mais. Especialmente o multinstrumentista Gustavo Urquiza, maior usuário do Parque Parahyba I!

Portanto, Senhor Governador João Azevedo, aceite o conselho de alguém que atingiu a idade da sabedoria e é apaixonado pela nossa cidade: ponha mais sombras nos nossos parques! Sem flora não tem fauna e sem fauna o parque é morto, governador.

A sua equipe é muito capacitada, poderá chegar à solução deste problema num piscar de olhos. Senão, chame o Dr. Zé William que ele resolve!

ATÉ TU, QUEIROGA! por Babyne Gouvêa

Queiroga e Bolsonaro em live (Foto: Reprodução)

Quando assumiu o Ministério da Saúde, confesso que fiquei dividida: por um lado, não gostei de ver um paraibano servindo a esse governo; por outro, ponderei que por seu currículo médico seria bom para o país.

Qual o quê! Assistindo a uma live do presidente, pude vê-lo enredando a Sua Excelência como uma criança faz junto ao seu professor sobre um colega.

Vi também o ministro ouvir passivamente do presidente a defesa do uso de remédios sem eficácia comprovada contra a Covid-19, como a ivermectina. Fiquei desolada, com uma vergonha do tamanho da Paraíba.

Digamos que o ministro estivesse do lado de cá, fora do governo. Como reagiria àquela cena, àquelas palavras e às manchetes reproduzidas a seguir?

– Mudanças de orientação expõem falta de coordenação no Ministério da Saúde;

– Ministro suspende vacinação de adolescentes;

– Anvisa se mantém favorável à vacinação de adolescentes com a Pfizer;

– Governo muda orientação para esconder a falta de vacinas;

– Municípios surpreendidos por mudança de orientação;

– Nova orientação é tentativa de camuflar a falta de vacinas;

– Órgão do próprio Ministério da Saúde recomenda manter vacinação;

– Precisa Medicamentos é alvo de busca e apreensão com aval do STF;

– 54% de reprovação do desempenho do presidente na pandemia.

Como esclarecer esse nebuloso panorama? Prometo que me esforçarei para não cotejar o Doutor Queiroga com o seu antecessor.

Estado não atualiza Plano de Recursos Hídricos há 15 anos

Barragem Canafístula II, no Brejo da Paraíba — Foto: Divulgação/Cagepa

Desde fevereiro de 2020 barragens como a Canafístula II avisam que estão secando (Foto: Cagepa)

O desabastecimento de água tratada no Brejo poderia ser prevenido ou resolvido se a Paraíba atualizasse regularmente o seu Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERH). O que existe foi elaborado em 2006, mas apenas em 2016 o governo do Estado iniciou uma atualização que deveria terminar em 2018 e foi prorrogada por mais dois anos.

Além de obrigação imposta por lei de 1996, o PERH é fundamental para o gerenciamento, monitoramento e planejamento dos recursos hídricos do Estado. O Plano deve ser atualizado anualmente, pelo menos, inclusive para subsidiar medidas que evitem, por exemplo, o colapso no abastecimento de cidades como Bananeiras e Solânea, anunciado oficialmente semana passada.

Conforme ressalta o documento de sua criação, o PERH contém “importantes documentos sobre estudos básicos e regionalização, cenarização de alternativas e propostas de programas” que atendam a uma política de recursos hídricos digna do nome e acabem com o improviso das ações emergenciais de curto prazo e resultados incertos.

Nos termos da Lei nº 6.308, de 2 de julho de 1996, que instituiu a Política Estadual de Recursos Hídricos, o PERH deve ser avaliado anualmente pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos a partir de relatório sobre a situação das bacias hidrográficas da Paraíba. O documento serve, inclusive, para atualizar o próprio orçamento de investimentos na área.

Por sua vez, o relatório a que se refere a lei deve conter informações seguras e precisas sobre qualidade, disponibilidade e demanda de água em todo o Estado, definindo diretrizes que orientem os planos diretores municipais sobre crescimento urbano, proteção de mananciais, exploração mineral, irrigação, saneamento, pesca e piscicultura.

A execução do PERH cabe à Aesa, a agência estadual das águas, que em 2018 contratou a cearense Ibi Engenharia para atualizar o Plano. Serviços realizados até agora, como reuniões virtuais e presenciais, renderam pouco mais de R$ 229 mil para a empresa em 2020. Este ano, a Ibi deve receber mais R$ 350 mil, conforme empenho informado pelo governo ao Tribunal de Contas da Paraíba (TCE).

Este blog pede e tenta desde segunda-feira (13) receber informações e explicações da Aesa sobre as razões da defasagem e atrasos no processo de atualização do PERH, além dos valores envolvidos no contrato. Ontem (15), enviou pedido semelhante a Ibi Engenharia. Até 16h de hoje (16), nenhum retorno do agente público ou privado demandado por email e telefone para prestar os esclarecimentos solicitados e devidos.

AMIGO É PRA ESSAS DORES, por Babyne Gouvêa

Telefonia no Brasil em pleno crescimento.

(Imagem meramente ilustrativa. Crédito: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas/Agência Senado)

– Alô, amiga!
– Poxa, que surpresa!
– Está tudo bem com você?
– Eu é que pergunto, pelo tempo do sumiço…
– Bom, muita coisa aconteceu, surgiu, melhor dizendo…
– Mas a saúde está boa?
– Bem, boa mesmo não está, mas estou lutando…
– Humm, está me deixando preocupada…
– Vamos colocar o papo em dia…
– Está tergiversando?
– Não, você sabe que eu não gosto de falar sobre mim…
– Ué, mas em se tratando de saúde…
– Vamos papear sobre o que a gente gosta, você está sabendo do ABBA? Vai lançar um álbum depois de 40 anos, minha amiga…
– Uau!
– Sim, soube que vocês foram assistir ao show do Paul… Sei que já faz um tempinho.
– Sim, foi delirante, algo indescritível.
– Me fale, estou imaginando você cantando Hey Jude. Sempre gostou de cantar.
– Tá, mas e você?
– Eu? Eu cumpri a minha missão…
– Como é que é?
– Sim, it’s life. Meus filhos, netos e esposa estão muito bem…
– O que você quis dizer com isso?
– Estava resgatando as lembranças que são muitas. Lamentei muito a ida do Charlie Watts.
– Poxa, não só lamentei, mas lembrei logo de você que o preferia ao Ringo.
– Sem dúvida era melhor. De bateria eu entendo. Olha a modéstia…
– Sim, sei disso, nem discuto. Okay, agora fale de você.
– Lembra que você me disse “nunca é tarde para começar a ler Dostoiévski?” Dei início…
– Lembro sim, mas o que tem a me dizer sobre a sua saúde ou a falta dela?
– Tá bem, a você eu falo…

***

A ligação continuou entre palavras sofridas e risadas fingidas durante uma hora. A conversa seguiu entrecortada com hesitações pungentes e frequentes pausas.

Uma mistura de sentimentos se instalou. O bloqueio natural de raciocínio comprometeu a espontaneidade do contato por muito tempo aguardado. Com revelações lamentosas ambos manifestaram o emocional desestabilizado, mas firmes na convicção de que amigo é pra essas dores.