SAUDADE DOS OUTROS, por Ana Lia Almeida

Imagem por mera ilustração (Foto: Agência Municipal de Notícias/Foz)

Saudade de almoçar na casa dos Outros. Ver os Outros passando na rua. Se imprensar com os Outros no meio da multidão…

Clique para ler mais

CHIFRE A DISTÂNCIA, por Ana Lia Almeida

Foto: Danae Diaz/BBC Three/BBC News Brasil

Um tema sensível da quarentena.

Clique para ler mais

OS NORMAIS, por Ana Lia Almeida

(Foto: imagem de mera ilustração/Veja-Stock/Getty Images)

Sabe os Normais da quarentena? Quero distância deles. Estão achando que o certo mesmo é manter os antigos padrões daquela vida sufocante e sem propósito que todo mundo já vivia… Ai, ai. Eu que não quero voltar praquele mundo fútil, cheio de exploração e miséria.

Os Normais pensam que a economia não pode parar, sem reflexão alguma sobre a enorme inutilidade entre tudo aquilo que é produzido. Acham que as crianças não podem parar de “aprender”, mas não pensam seriamente sobre o modelo de sociedade que esse aprendizado sustenta. Mal podem esperar o isolamento terminar para voltar para suas vidas vazias de sentido.

***

Tem um Normalzinho dentro de mim. Ele me cobra meus prazos, e não aceita desculpas como estar acontecendo a maior tragédia da humanidade durante a minha curta existência.

Normalzinho quer que eu faça um projeto de pesquisa para segunda-feira, sem falta. Quer que eu termine aquele artigo do Congresso que foi cancelado, afinal, falta tão pouco, ainda podia rolar uma publicação numa revista Qualis A1 nesses tempos em que estou parada.

Ele me quer youtuber, editando vídeo-aulas mirabolantes. Vive me dizendo que estou feia, passando na cara as muitas gentes por aí que pintam o cabelo e são os atletas da quarentena. Normalzinho quer respostas. Até quando? Como? Por quê não?

Eu o expulso de mim, mas ele volta e muitas vezes me derrota.

CURTINHAS DA QUARENTENA, por Ana Lia Almeida

SEGUNDA

Não são apenas as pessoas que estão perdendo o juízo nessa quarentena: os cachorros também. A maior convivência com seus melhores amigos pode deixá-los confusos e irremediavelmente dependentes.

Pelo menos é o que está acontecendo por aqui com Choquita e seu filhote Choquito, desde que a pequena Anita, melhor amiga deles, foi passar uns dias na casa do pai. Os cães estão seriamente preocupados e a procuram pela casa toda, apreensivos.

Devem pensar que demos sumiço nela como fizemos com os outros três filhotes, levados não sabem para onde, de uma hora pra outra. Nos olham de um jeito acusatório como se dissessem: “O que vocês fizeram com ela? Onde a esconderam?”.

Realmente, não está fácil pra ninguém.

TERCEIRA

Talvez o conceito de “altos e baixos” mereça uma revisão nesses tempos de isolamento: a parte do “alto” pode ser traduzida por “não estar muito pra baixo”, e as escalas dos baixos podem ser ampliadas até o sentido de “queda livre sem a perspectiva de encontrar o chão”.

Como quando o café acabou e você pensa nas máscaras que não estão usando no supermercado. Ou quando o mês acabou e você não se lembra dele ter passado. Ou quando você sabe que não tem do que reclamar, com tantas coisas piores acontecendo com tantas outras pessoas.

  • Ana Lia Almeida é Professora e Escritora
  • Foto: autoria não identificada

CURTINHAS DA QUARENTENA, por Ana Lia Almeida

PRIMEIRA

Tem muita gente por aí sozinha em casa nessa quarentena se recusando a perder o charme! Minha prima, por exemplo, dia desses contou que fez um jantarzinho especial para si própria.

Perfumou-se, passou batom e escovou o cabelo. O cardápio foi escolhido após um pequeno campeonato dentro das páginas do livro de receitas: carne na cerveja.

Saída do forno, estava divina! No dia seguinte, continuava uma delícia. Na terceira requentada, o seu maior desejo era uma companhia qualquer que evitasse guardar mais aquela sobra na geladeira.

No quarto dia, o cachorro foi o ser vivo mais feliz da pandemia.

(Para Sandrinha)

  • Ana Lia Almeida é Professora e Escritora
  • Ilustração: foto copiada de blogs.uai.com.br

DESESPERAR, JAMAIS!

(Foto: Reprodução)

Todos vivemos dias difíceis

Num tempo, página infeliz da nossa história
Clique para ler mais

VELHICE, por Aderson Machado

Imagem meramente ilustrativa, copiada de frasesfamosas.com.br

Quando menino, achava que uma pessoa com 60 anos de idade já era velha. Bastante velha, esperando a morte chegar. Assim pensando, tinha em mente que pessoas nessa faixa etária eram praticamente inúteis e que não lhes restava mais nada senão esperar o momento da partida. Um pensamento até certo ponto sinistro.

Clique para ler mais

BAR, CELEBRAÇÃO DA VIDA, por Gilberto Amendola

Imagem copiada de paraibatotal.com.br

Não tem nada a ver com porres, ressacas ou qualquer comportamento autodestrutivo; bar é a celebração da vida, do amor, da inteligência e do companheirismo. Eu não quero viver em um mundo sem bar.

Clique para ler mais

QUEM OPTOU PELA MORTE NÃO VÁ AO MEU VELÓRIO

Escrevi o texto a seguir em 27 de outubro de 2018, véspera da eleição em segundo turno para Presidente da República. Com medo de processo ou prisão por ‘crime eleitoral’, não publiquei à época o que me parece hoje um apelo ainda válido, embora desesperado, talvez patético. Mandei em privado a familiares e amigos mais próximos, apenas. Em complemento, compartilhei links de matérias e vídeos que respaldavam informações contidas na mensagem. Alguns leram e reagiram, aí incluídos eleitores declarados do candidato ao final vitorioso. A esses dirigi o meu pedido final: em caso de morte, mantenham distância pessoal e social do meu velório.

Clique para ler mais

VAI PASSAR

Imagem copiada de simbolos.com.br

O Brasil entrou em transmissão comunitária do novo coronavírus no dia 20 de março deste ano, segundo portaria do Ministério da Saúde. Significa que até a data de hoje 80 por cento dos brasileiros conseguiram superar pelo menos três ciclos de contaminação – de 12 a 15 dias, cada – sem infecção ou evolução de sintomas a um nível preocupante.

Quem alcançou a graça de permanecer vivo e saudável por esse tempo deve dar graças ao isolamento social e distanciamento pessoal que a maioria se impôs por força da pandemia, do bom senso e recomendações das autoridades sanitárias. Não tem sido fácil. É bem difícil renunciar diariamente à ternura de ‘mãos se encontrando’, ao carinho de um beijo, de um cheiro ou um abraço de quem a gente quer bem.

Mas é justamente por amar a si mesmo como ao próximo – mesmo distante – que cada um e todos devem perseverar no mandamento divino e nos cuidados mais intensos possíveis, especialmente neste maio que se prenuncia tenebroso e expansivo da doença em nosso país. Cuide-se bem, portanto, para cuidar melhor ainda de quem você ama. Essa agonia vai passar e uma imensa alegria há de espalhar por todo o mundo.