PELÉ – 80 ANOS, por Aderson Machado

Vida longa ao Rei: os 79 anos de Pelé em imagens históricas | VEJA

Momento maior da carreira de Pelé: o tricampeonato mundial pelo Brasil em 1970, no México (Foto: AP)

Pelé, o Rei do Futebol, completou 80 anos no dia 23 de outubro último. É uma data marcante para o futebol brasileiro bem como para o futebol mundial. Os menos jovens, digamos assim, devem se lembrar que Pelé, com apenas 17 anos, jogou na Copa do Mundo de 1958, quando o Brasil foi campeão mundial pela primeira vez.

Em 1962, aos 21 anos, Pelé participava do bicampeonato mundial, embora não tivesse jogado toda a Copa por motivo de contusão. Em 1966, uma nova contusão o retira da Copa, mas o Brasil não foi bem naquele Mundial, não passando da primeira fase.

Em 1970, enfim, veio a consagração. Pelé, pela quarta vez, volta a defender a nossa Seleção, e o Brasil tornou-se tricampeão do mundo, com uma grande atuação do nosso Rei, embora lá estivessem outras feras, como Tostão, Rivelino, Gérson, Jairzinho e outros mais.

O Mundial de 70 foi o último disputado pelo Rei Pelé. Foi por pura opção, pois ele, com menos de 34 anos, ainda tinha condições técnica e física para disputar mais uma Copa, até porque, também, ainda não tinha pendurado as chuteiras. O fato é que o nosso Rei achava que já tinha dado a sua contribuição a nossa Seleção com os três títulos conquistados. E que contribuição!

Pelé se consagrou não apenas pelos títulos que deu ao Brasil, mas, principalmente, pelas suas jogadas geniais, quer defendendo a nossa seleção, quer jogando pelo Santos Futebol Clube, no qual ele alcançou feitos internacionais inesquecíveis. O Atleta do Século conseguiu o bi sul-americano e mundial com o Santos, arrebentando em jogos contra os grandes Milan, Boca Juniors e Benfica. No final de carreira, rumou para os EUA para defender o New York Cosmos, que foi campeão nacional em 1977.

Questionado sobre as comparações com Maradona, o ex-técnico Zagalo foi curto e grosso: “O Pelé foi tricampeão mundial. O Maradona só ganhou uma Copa. O Pelé marcou quase 1300 gols. O Maradona não chegou nem aos 400. O Pelé era completo. O outro foi apenas um bom jogador. E nada mais.”

Por fim, devo dizer que tive a honra e a satisfação de ver Pelé jogar. Isso aconteceu no longínquo ano de 1969, em João Pessoa, num jogo amistoso que o Santos fez contra o meu Botafogo da Paraíba. Esse jogo foi vencido pelo Santos, e Pelé fez o gol de número 999, e depois foi para o gol. Aliás, existem controvérsias a esse respeito, tendo em vista que muitos especialistas no mundo do futebol acham que aquele foi, na verdade, o milésimo gol do Rei Pelé. Mas essa é uma outra história…

Polêmicas à parte, externo aqui os meus parabéns ao maior jogar de futebol que o mundo já conheceu.

  • Aderson Machado é Engenheiro Civil e Bacharel em Letras

SENSAÇÃO DE VERGONHA, por José Mário Espínola

(Imagem do perfil Vergonha Alheia e Constrangimentos/Facebook)

Nas aulas de fisiologia do curso médico, com a professora Gisele, aprendemos que a sensação térmica, quente ou frio, depende de um ponto referencial: os sensores nervosos distribuídos pelo nosso corpo. Eles comparam a temperatura externa com a temperatura corporal. Assim, a sensação de calor ou de frio depende exclusivamente do padrão individual.

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QUILAPAYÚN

Não sei qual a praça certa, se da Constituição ou da Cidadania. Uma ao norte, outra ao sul de La Moneda, o palácio presidencial chileno, no centro de Santiago.

Não importa. Ambas estão certas, pelo que são, onde estão e representam para a grande maioria do povo daquele país, especialmente quando abrigam atos populares em favor da democracia.

Atos como o show de reencontro ou retorno do Quilapayún que assisti em abril de 2015, quando o mais famoso grupo musical do Chile reapresentou-se na frente do Palácio de La Moneda.

Reapresentação onde não poderia faltar, como não faltou, comovente homenagem a um Salvador Allende que se ‘rematerializou’ e discursou – a um público em delírio – num púlpito ao lado do palco.

Não sei até hoje se Allende estava ali representado por um ator ou se aquela presença era uma projeção holográfica de imagem, sons, gestos e palavras do presidente trucidado no 11 de setembro de 73.

Não importa. Sei que estava lá, arrepiado de emoção e feliz por estar ao lado de minha Branca, como chamo a Professora Madriana, minha amada mais amada, ‘pelo amor predestinada’ a ser minha eterna namorada.

Foi uma perfeição, encantamento que se quebrou por um momento nos acordes de uma música cuja execução passou a marcar o erguimento de um enorme boneco em forma do assassino de Allende.

O Pinocheco, se podemos chamar assim, inchou feito bola de sopro, suponho que com o auxílio luxuoso de uma bomba de gás hélio. Ficou de pé, por inteiro, à mostra, sob vaia intensa da multidão.

Mas, ato contínuo, a vaia foi diminuindo. Diminuindo enquanto Quilapayún aumentava o som e o tom de outra canção, mais vibrante e empolgante que a anterior, a do enchimento. Essa fez o boneco murchar.

Não tinha como o Pinocheco não murchar. O fascismo ou qualquer de seus símbolos treme de medo e perde o gás quando vê e ouve o povo unido cantando ‘El pueblo unido jamás será vencido’.

O povo, unido, jamais será vencido. O Chile voltou a provar e a ensinar essa verdade mais uma vez, ontem.

QUE TEMPOS, QUE COSTUMES! por Francisco Barreto

Imagem para artigo de Cássio Vilela Prado - O fascínio e a paralisia da corrupção

Imagem copiada de brasil247.com/blog/o-fascinio-e-a-paralisia-da-corrupcao (Foto: Cássio Vilela Prado)

“De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem- se os poderes
nas mãos dos maus, o homem chega
a desanimar da virtude, a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto”
Ruy Barbosa – Senado Federal, Dez 1914

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PROFESSOR DE MATEMÁTICA, por Aderson Machado

Imagem meramente ilustrativa copiada de agendaa.com.br

Quando estudante universitário, fui professor. Comecei a ensinar no Colégio Regina Coeli, pertencente à rede particular de ensino. Esse educandário era situado na Rua General Osório, em João Pessoa, e pertencia ao sr. Odésio Medeiros. Fazia o 2º ano do curso de Engenharia Civil quando comecei a ensinar pela primeira vez.

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DIA DOS PROFESSORES, por Ana Lia Almeida

Matemática em Casa - M.M.C. Mínimo Múltiplo Comum. Aula #001 - YouTube

(Imagem: YouTube)

Se pelo menos hoje fosse feriado de verdade, eu poderia ficar 24 horas menos exausta. Ou teria mais tempo de preparar esse plano de aula de MMC e MDC, acho que as crianças não estão entendendo nada. 

Como é que se explica matemática a distância, me diga? Sem pegar na mão dos meninos e mostrar onde é que vai um e depois corta? Já tô vendo os números todos voando pelas linhas do caderno, eu tendo que baixar foto por foto e circular de vermelho, pra depois tudinho vir dizer que a mãe não lembrava do assunto. 

Só faltava mandarem fazer reforço com as mães desses meninos. Valei-me, Nossa Senhora! Livrai-me desse mal que sem isso eu já não durmo direito. Esse povo querendo que a gente faça milagre, dando pitaco em tudo, entrando na minha aula pra perguntar porque menino saiu chorando. 

Ai meu coração a ponto de infartar… Por que hoje não é feriado como antigamente? A gente ganhando maçã na véspera, a turma recitando poeminha de homenagem? Até o meu computador tá sem querer ligar, o microfone dando defeito, a conta da internet vencida há 5 dias e eu sem tempo de parar pra pagar, sem tempo de fazer xixi, uma aula atrás da outra, reuniões sem fim com a equipe pedagógica, treinamento disso e daquilo… Inferno de vida!

E ainda tem esse mínimo múltiplo comum que não entra na cabeça desses meninos de jeito nenhum! Já fiz esquema, já inventei música, já postei vídeo, e eles nessa de dizer que a mãe não se lembra. Por que não perguntaram aos pais, meu Deus? Cadê esses pais que não servem de nada na hora de ensinar os meninos?

Engraçado que Dia dos Pais e Dia das Mães, assim maiúsculo, todo mundo acha sagrado, tudo que é propaganda garantindo a comemoração. Já Dia dos Professores, nem os parabéns a gente recebe mais.

Os daqui de casa também sem entender nada dessas aulas online, mas pelo menos eu obriguei a dar os parabéns para as professoras deles, fizeram cartinha com adesivo e tudo. Tem de ensinar a ter educação, antes de aprender o MMC e o MDC. 

Deixa eu passar esse café aqui pra ver se pego no tranco. Qual a mínima quantidade de pó de café que pode ser utilizada no total de 500g do pacote para que renda o máximo de dias durante a semana? Essa vai para a mãe da Ritinha, da próxima vez que ela entrar na minha aula perguntando porque a menina saiu chorando.

  • Ana Lia é Cronista

JACA DURA, por José Mário Espínola

Pesquisador de realidade virtual cria simulador para exame de próstata -  Mega Curioso

Imagem meramente ilustrativa copiada de megacurioso.com.br

Início dos anos 1980, desembarquei em João Pessoa vindo de São Paulo, após fazer pós-graduação em Cardiologia com o Professor Euríclides de Jesus Zerbini, no Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

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A LIVE DAS CRIANÇAS, por Ana Lia Almeida

Na Educartte, a proposta máxima do recurso live de professores, pais e alunos é manter o vínculo afetivo com as crianças

Imagem meramente ilustrativa copiada de jornalminuano.com.br

Eu não vou ir não, mamãe, detesto essas lives. É tudo fingimento, eles não falam com a gente de verdade. Pode falar de volta, pra ver se eles respondem.

Não, não estou com saudade da professora. Eu sei que tá chegando o dia das professoras, mas agora é o dia das crianças e isso daí não tem jeito de festa.

Prefiro ficar aqui brincando sozinho, mesmo, em vez de tentar brincar pelo computador.  Você já tentou brincar pelo computador, mamãe?  Não dá certo. Dá certo jogar, postar vídeo no TikTok, assistir no YouTube. Mas brincar, não tem como.

Eu quero ir na Pracinha com meus amigos. Na praia, então. Tá vendo, não pode nada, é uma merda, esse negócio de coroavírus. Falo, sim, merda, merda, merda!

Ah, por favor, por favorzinho…Prometo não falar mais palavrão, prometo tudo que você quiser. A gente vai  de máscara e leva aquele negócio das “medidas necessárias”…

Mas por que? Porque não não é resposta! Eu vi no jornal, tá todo mundo indo na praia e no shopping. É você que não deixa, mamãe. Então fique você assistindo essa live ridícula, eu já disse que não quero.

E no parquinho pode?

APURANDO A ‘PRISÃO’ DO PADRE

Foto publicada no ClickPB. Supostamente, a pessoa pintando o cruzeiro é o padre Luciano Silveira

O Chefe de Reportagem chamou o repórter. “Vá ao Conde apurar essa história da prisão do padre. Tente ouvir a versão de todo mundo. Da prefeita acusada de mandar prender o padre, do padre que acusou a prefeita de mandar prendê-lo…”.

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TRABALHO REMOTO, por Ana Lia Almeida

(imagem copiada de ecycle.com.br)

Bem que eu achei muito chique quando a minha amiga Suzana, há uns três anos atrás, contou que ia entrar no regime de Home Office. Agora assim, dizia ela, tem de tomar cuidado para não misturar demais a casa com o trabalho. Tem de ter um escritório, nada de levar o trabalho para o quarto; tem de tomar banho e se aprontar antes de bater o ponto, nada de trabalhar de pijama; tem de cuidar de encontrar os amigos, também, porque senão a pessoa fica muito isolada.

Na ocasião, invejei demais a vida perfeita da minha amiga. Sem trânsito, sem salto alto, sem encontrar aquele colega de trabalho que fala cuspindo nem outras inúmeras chateações de ter de viver nesse mundo de sair de casa todos os dias úteis com o único e obstinado desejo de voltar umas 10h depois. “Não me inveje, trabalhe”, pode ter pensado a minha amiga com a sabedoria exata das placas dos caminhões.

Eis-me aqui, aos sete meses de uma pandemia. Aborrecida. Exausta. Aplacada pelo mesmo trabalho remoto que um dia invejei como um sonho bom. De nada me valeram os conselhos da minha amiga. Até que eu tenho um escritório, mas permanecer ali concentrada para qualquer coisa são outros quinhentos. Quando não me interrompem o cansaço ou o desânimo, é a minha filha a xingar toda a escola online dela.

Ao contrário do conselho, ele, o trabalho, está sempre comigo por toda a casa: na cozinha, na sala e até no banheiro. Aliás, atire a primeira pedra a cara leitora ou o estimado leitor que não tiver atravessado a rica experiência de satisfazer a necessidade de número dois no meio de uma reunião importante. Câmera e microfone desligados, e esse delicioso alívio vai para o nosso querido chefe!

Além do mais, só o que fiz nesses meses foi trabalhar de camisola e passar o dia inteirinho com ela. Não falem da minha camisola, ela é ótima! Macia, arejada, e ainda esconde de mim os quilos sobressalentes da pandemia. Muito prático: a gente acorda, pula da cama, prende os cabelos e vai trabalhar. Quando tem mais coragem, lava o rosto. Lá pra depois do almoço, após vencer o combate contra a pia lotada, a gente toma um banho e troca de camisola.

Por último, a parte de encontrar os amigos depois do trabalho. Aquilo de estar passando bem pertinho da sua casa, então venha tomar um café; essa coisa de brindar a pouca alegria da vida numa mesa de bar qualquer. É quando tenho mais vontade de ser normal e esquecer o compromisso de preservar a espécie em extinção das pessoas isoladas.

Deixemos mais uma aos caminhões: “Jamais inveje o que não conhece muito de perto”.