PROFESSOR DE MATEMÁTICA, por Aderson Machado

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Quando estudante universitário, fui professor. Comecei a ensinar no Colégio Regina Coeli, pertencente à rede particular de ensino. Esse educandário era situado na Rua General Osório, em João Pessoa, e pertencia ao sr. Odésio Medeiros. Fazia o 2º ano do curso de Engenharia Civil quando comecei a ensinar pela primeira vez.

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DIA DOS PROFESSORES, por Ana Lia Almeida

Matemática em Casa - M.M.C. Mínimo Múltiplo Comum. Aula #001 - YouTube

(Imagem: YouTube)

Se pelo menos hoje fosse feriado de verdade, eu poderia ficar 24 horas menos exausta. Ou teria mais tempo de preparar esse plano de aula de MMC e MDC, acho que as crianças não estão entendendo nada. 

Como é que se explica matemática a distância, me diga? Sem pegar na mão dos meninos e mostrar onde é que vai um e depois corta? Já tô vendo os números todos voando pelas linhas do caderno, eu tendo que baixar foto por foto e circular de vermelho, pra depois tudinho vir dizer que a mãe não lembrava do assunto. 

Só faltava mandarem fazer reforço com as mães desses meninos. Valei-me, Nossa Senhora! Livrai-me desse mal que sem isso eu já não durmo direito. Esse povo querendo que a gente faça milagre, dando pitaco em tudo, entrando na minha aula pra perguntar porque menino saiu chorando. 

Ai meu coração a ponto de infartar… Por que hoje não é feriado como antigamente? A gente ganhando maçã na véspera, a turma recitando poeminha de homenagem? Até o meu computador tá sem querer ligar, o microfone dando defeito, a conta da internet vencida há 5 dias e eu sem tempo de parar pra pagar, sem tempo de fazer xixi, uma aula atrás da outra, reuniões sem fim com a equipe pedagógica, treinamento disso e daquilo… Inferno de vida!

E ainda tem esse mínimo múltiplo comum que não entra na cabeça desses meninos de jeito nenhum! Já fiz esquema, já inventei música, já postei vídeo, e eles nessa de dizer que a mãe não se lembra. Por que não perguntaram aos pais, meu Deus? Cadê esses pais que não servem de nada na hora de ensinar os meninos?

Engraçado que Dia dos Pais e Dia das Mães, assim maiúsculo, todo mundo acha sagrado, tudo que é propaganda garantindo a comemoração. Já Dia dos Professores, nem os parabéns a gente recebe mais.

Os daqui de casa também sem entender nada dessas aulas online, mas pelo menos eu obriguei a dar os parabéns para as professoras deles, fizeram cartinha com adesivo e tudo. Tem de ensinar a ter educação, antes de aprender o MMC e o MDC. 

Deixa eu passar esse café aqui pra ver se pego no tranco. Qual a mínima quantidade de pó de café que pode ser utilizada no total de 500g do pacote para que renda o máximo de dias durante a semana? Essa vai para a mãe da Ritinha, da próxima vez que ela entrar na minha aula perguntando porque a menina saiu chorando.

  • Ana Lia é Cronista

JACA DURA, por José Mário Espínola

Pesquisador de realidade virtual cria simulador para exame de próstata -  Mega Curioso

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Início dos anos 1980, desembarquei em João Pessoa vindo de São Paulo, após fazer pós-graduação em Cardiologia com o Professor Euríclides de Jesus Zerbini, no Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

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A LIVE DAS CRIANÇAS, por Ana Lia Almeida

Na Educartte, a proposta máxima do recurso live de professores, pais e alunos é manter o vínculo afetivo com as crianças

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Eu não vou ir não, mamãe, detesto essas lives. É tudo fingimento, eles não falam com a gente de verdade. Pode falar de volta, pra ver se eles respondem.

Não, não estou com saudade da professora. Eu sei que tá chegando o dia das professoras, mas agora é o dia das crianças e isso daí não tem jeito de festa.

Prefiro ficar aqui brincando sozinho, mesmo, em vez de tentar brincar pelo computador.  Você já tentou brincar pelo computador, mamãe?  Não dá certo. Dá certo jogar, postar vídeo no TikTok, assistir no YouTube. Mas brincar, não tem como.

Eu quero ir na Pracinha com meus amigos. Na praia, então. Tá vendo, não pode nada, é uma merda, esse negócio de coroavírus. Falo, sim, merda, merda, merda!

Ah, por favor, por favorzinho…Prometo não falar mais palavrão, prometo tudo que você quiser. A gente vai  de máscara e leva aquele negócio das “medidas necessárias”…

Mas por que? Porque não não é resposta! Eu vi no jornal, tá todo mundo indo na praia e no shopping. É você que não deixa, mamãe. Então fique você assistindo essa live ridícula, eu já disse que não quero.

E no parquinho pode?

APURANDO A ‘PRISÃO’ DO PADRE

Foto publicada no ClickPB. Supostamente, a pessoa pintando o cruzeiro é o padre Luciano Silveira

O Chefe de Reportagem chamou o repórter. “Vá ao Conde apurar essa história da prisão do padre. Tente ouvir a versão de todo mundo. Da prefeita acusada de mandar prender o padre, do padre que acusou a prefeita de mandar prendê-lo…”.

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TRABALHO REMOTO, por Ana Lia Almeida

(imagem copiada de ecycle.com.br)

Bem que eu achei muito chique quando a minha amiga Suzana, há uns três anos atrás, contou que ia entrar no regime de Home Office. Agora assim, dizia ela, tem de tomar cuidado para não misturar demais a casa com o trabalho. Tem de ter um escritório, nada de levar o trabalho para o quarto; tem de tomar banho e se aprontar antes de bater o ponto, nada de trabalhar de pijama; tem de cuidar de encontrar os amigos, também, porque senão a pessoa fica muito isolada.

Na ocasião, invejei demais a vida perfeita da minha amiga. Sem trânsito, sem salto alto, sem encontrar aquele colega de trabalho que fala cuspindo nem outras inúmeras chateações de ter de viver nesse mundo de sair de casa todos os dias úteis com o único e obstinado desejo de voltar umas 10h depois. “Não me inveje, trabalhe”, pode ter pensado a minha amiga com a sabedoria exata das placas dos caminhões.

Eis-me aqui, aos sete meses de uma pandemia. Aborrecida. Exausta. Aplacada pelo mesmo trabalho remoto que um dia invejei como um sonho bom. De nada me valeram os conselhos da minha amiga. Até que eu tenho um escritório, mas permanecer ali concentrada para qualquer coisa são outros quinhentos. Quando não me interrompem o cansaço ou o desânimo, é a minha filha a xingar toda a escola online dela.

Ao contrário do conselho, ele, o trabalho, está sempre comigo por toda a casa: na cozinha, na sala e até no banheiro. Aliás, atire a primeira pedra a cara leitora ou o estimado leitor que não tiver atravessado a rica experiência de satisfazer a necessidade de número dois no meio de uma reunião importante. Câmera e microfone desligados, e esse delicioso alívio vai para o nosso querido chefe!

Além do mais, só o que fiz nesses meses foi trabalhar de camisola e passar o dia inteirinho com ela. Não falem da minha camisola, ela é ótima! Macia, arejada, e ainda esconde de mim os quilos sobressalentes da pandemia. Muito prático: a gente acorda, pula da cama, prende os cabelos e vai trabalhar. Quando tem mais coragem, lava o rosto. Lá pra depois do almoço, após vencer o combate contra a pia lotada, a gente toma um banho e troca de camisola.

Por último, a parte de encontrar os amigos depois do trabalho. Aquilo de estar passando bem pertinho da sua casa, então venha tomar um café; essa coisa de brindar a pouca alegria da vida numa mesa de bar qualquer. É quando tenho mais vontade de ser normal e esquecer o compromisso de preservar a espécie em extinção das pessoas isoladas.

Deixemos mais uma aos caminhões: “Jamais inveje o que não conhece muito de perto”.