A LIVE DAS CRIANÇAS, por Ana Lia Almeida

Na Educartte, a proposta máxima do recurso live de professores, pais e alunos é manter o vínculo afetivo com as crianças

Imagem meramente ilustrativa copiada de jornalminuano.com.br

Eu não vou ir não, mamãe, detesto essas lives. É tudo fingimento, eles não falam com a gente de verdade. Pode falar de volta, pra ver se eles respondem.

Não, não estou com saudade da professora. Eu sei que tá chegando o dia das professoras, mas agora é o dia das crianças e isso daí não tem jeito de festa.

Prefiro ficar aqui brincando sozinho, mesmo, em vez de tentar brincar pelo computador.  Você já tentou brincar pelo computador, mamãe?  Não dá certo. Dá certo jogar, postar vídeo no TikTok, assistir no YouTube. Mas brincar, não tem como.

Eu quero ir na Pracinha com meus amigos. Na praia, então. Tá vendo, não pode nada, é uma merda, esse negócio de coroavírus. Falo, sim, merda, merda, merda!

Ah, por favor, por favorzinho…Prometo não falar mais palavrão, prometo tudo que você quiser. A gente vai  de máscara e leva aquele negócio das “medidas necessárias”…

Mas por que? Porque não não é resposta! Eu vi no jornal, tá todo mundo indo na praia e no shopping. É você que não deixa, mamãe. Então fique você assistindo essa live ridícula, eu já disse que não quero.

E no parquinho pode?

Uma resposta para A LIVE DAS CRIANÇAS, por Ana Lia Almeida

  1. Excelente texto, relata uma situação que está se tornando muito comum.
    E traduz o pensamento de muitas das crianças.
    Muuuuito bem escrito!
    Parabens, Ana Lia!

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