
(Imagem: YouTube)
Nesta quarta-feira (5), a nossa Capital completará 435 anos de fundação. Ao longo de sua existência, passou por muitas épocas que marcaram o seu desenvolvimento, desde a incipiente Aldeia de Nossa Senhora das Neves até chegar à moderna e pujante João Pessoa que é hoje.
Todavia, para a maioria de nós que aqui nasceu ou cresceu, que é o meu caso, o evento mais marcante é mesmo a Festa das Neves, que comemora o Dia de Nossa Senhora das Neves, 5 de agosto. Ela se divide em duas: a religiosa e a profana.
Após séculos de comemoração, pela primeira vez não teremos a festa profana, devido às medidas de isolamento que a grave epidemia impõe.
Desde menino, mais exatamente desde os meus dois anos de idade que o nosso pai, Francisco Espínola, começou a levar para nos divertirmos nos brinquedos da festa.
Ao longo de minha vida, comecei por me deliciar no carrossel de cavalinhos, levado pelos mais velhos. Fui crescendo e passei a me balançar bem alto na canoa. Maiorzinho passei a assustar a minha irmã mais velha, Francisca Luiza, balançando o banco da roda gigante, quando nós estávamos lá no alto.
Menino grande, aprendi a pular do carrossel em movimento, apesar das recomendações do meu pai, e dos puxões de orelha da minha mãe.
Rapazinho, conheci o quem-me-quer do passeio, depois da missa: o flerte, os namoricos com bilhetes trocados. Ahhh!
E já estudando no Científico do Liceu descobri com meus grandes amigos Nilvando e Arari o mundo mágico da bagaceira, onde uma garrafa de rum Montilla era dividida por oito marmanjos lisos.
À tarde, saíamos mais cedo da aula para percorrer as barracas, um tiro aqui, uma roleta ali, um mágico adiante, empunhando cartas de baralho no lugar de cartolas. E tinha o bingo, também, onde às vezes ganhávamos uma caixa de sabonetes para mamãe.
Mas só adulto é que tomei conhecimento da maior atração do parque da Festa das Neves, aquela que é o símbolo maior, mais emblemático: Monga, a Mulher Que Vira Macaco!
Quando morávamos em São Paulo, nos aperfeiçoando na Medicina, esta época sempre me dava saudades da Festa das Neves. E a primeira lembrança não era outra, senão Monga!
Nos últimos anos temos aproveitado a vinda de Salomé, nossa filha-sobrinha que mora em Roma, para rever aquela figura ao mesmo tempo grotesca e fascinante, que não envelhece nunca, sempre conquistando mais e mais admiradores dentre as novas gerações.
É divertidíssimo observar os espectadores durante a metamorfose de Monga, as suas reações, o susto, e a correria final. É impagável!
Depois, um passeio pela festa, um cachorro-quente (o do Mundial ainda é o melhor), a tradicional castanha confeitada, e o tiro-ao-alvo, quando sempre conquisto alguns prêmios (sem modéstia alguma).
A festa já não é mais atraente para a minha geração, resumindo-se a uma única visita. Mas me orgulho de ter repassado essa tradição para os meus filhos e para os meus netos, quando atingem idade suficiente para ter os sustos com Monga.
- José Mário Espínola
- Assistente de tiro ao alvo
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3 Respostas para MONGA, A RAINHA DA FESTA, por José Mário Espínola
Não conheci a Monga,mas gostei muito da sua narrativa.
” Velhos tempos, belos dias”……., quanta saudade. Parabéns e obrigada…Como sempre você nos leva ao um passado belo e inesquecível……



Dr José Mário, você consegue levar seus fieis leitores a passeio e retornos maravilhosos. Obrigado!