MADRINHA QUERU, por Aderson Machado

Querubina Amélia de Mendonça (Foto: Álbum de Família)

Madrinha Queru – como a chamávamos carinhosamente – era a minha avó materna. Por sinal, foi a única avó que conheci e convivi com ela até meus doze anos. Quanto a meus avôs, não os conheci.

Quando me entendi de gente, e passei a conviver com madrinha Queru, ela já morava em casa de minha tia Severina, a qual era conhecida, na nossa intimidade, por tia Ina.

Devo dizer que, na verdade, Madrinha Queru era madrinha apenas de meu irmão mais velho, Tozinho, e por isso todos passamos a tratá-la da mesma forma.

O nome de batismo de madrinha Queru era Querubina Amélia de Mendonça. Daí a explicação para a alcunha Queru.

Madrinha Queru nasceu no município de Areia, Paraíba, no ano de 1882. Casou-se por volta de 1900 com Antônio Raimundo de Oliveira, com quem teve uma prole de oito filhos.

Os primeiros seis filhos nasceram no Engenho Timbó, enquanto que os dois últimos – Tio Beija e Tia Nenzinha – nasceram no Engenho Fechado, onde ela passou a morar a partir do ano de 1915.

Em 1922, madrinha Queru ficou viúva. Dez anos depois, casou-se com o Sr. Antônio Pereira Barbosa de Lucena. Quer dizer, ela teve dois Antônios como maridos.

É bom frisar que o seu segundo marido era conhecido pela apelido Taunay. Era um homem de tez clara, e gostava muito de ler, mormente jornais e revistas, vindos de João Pessoa.

Seu Taunay faleceu no ano de 1944. Um ano depois, Madrinha Queru vendeu o Engenho Fechado e comprou uma propriedade no município de Solânea, também na Paraíba, onde passou a morar com alguns de seus filhos.

Com o passar dos anos, Madrinha Queru voltou ao Fechado, onde passou a se revezar em casa dos filhos que lá moravam. Inclusive na casa de minha mãe. Porém eu não tive consciência desse fato, ou por não ter ainda nascido, ou, por outra, por ser muito pequeno.

Como já frisei, tomei conhecimento de Madrinha Queru quando ela morava, em definitivo, em casa de Tia Ina. Isso depois da metade da década de 1950 até a primeira metade da década de 1960.

Pois bem, ainda tenho uma nítida lembrança de Madrinha Queru – e que lembrança!, posto que ela era muito carinhosa comigo bem como os demais netos.

Dado esse tratamento cordial e carinhoso a nós dispensado, por via de consequência todos nós procurávamos a sua companhia – um verdadeiro Céu de Brigadeiro!

Madrinha Queru era uma pessoa desprovida de vaidades e complicações. Era uma pessoa fidalga, acima de qualquer suspeita. Assim como esposa, mãe, sogra… Era uma mulher genial, sob todos os aspectos.

Dona do próprio nariz, morando em sua propriedade, Madrinha Queru gostava muito de receber visitas. Tanto assim que em sua casa não faltava gente. E todas as pessoas eram bem-tratadas, diga-se de passagem.

Madrinha Queru, como falei, era polida, não se metia na vida de ninguém, por isso era uma pessoa muito querida por todos. Além do mais, apesar de não ter tido estudo, era por demais inteligente, e até gostava de filosofar. A propósito, ainda lembro de uma de suas famosas frases: “Pelo santo se beija o altar”.

Madrinha Queru tinha a pele clara, cabelos lisos e era firme e forte. Forte em todos os sentidos. Assim, como dona de casa, por exemplo, fazia questão de cozinhar, passar, e outras coisas mais. Era muito ativa; não gostava de estar parada. Por sinal, quando a conheci, já nos últimos anos de sua existência terrena, ela vivia a fazer crochê o dia inteiro e todos os dias.

Quanto à sua religiosidade, era católica por tradição. Como morava na zona rural, dificilmente ia à missa, porém dispunha de um santuário em seu quarto, onde fazia as suas orações diárias. Dessa forma, ela sempre estava em sintonia com o Todo-poderoso.

Já idosa, Madrinha Queru tinha um problema num pé, o que a fazia se locomover com certa dificuldade. Andava se escorando pelas paredes, a bem da verdade. Mesmo assim, não reclamava da vida. Era sempre alegre e receptiva.

A sua empatia e o seu carisma faziam com que todos a admirassem e respeitassem. Por isso, ao falecer, em 1964, deixou-nos uma lacuna impreenchível. Todos choramos a sua morte. A morte física, é bom que se diga. Porque, espiritualmente, ela continua mais viva do que nunca.

  • Aderson Machado é Engenheiro Civil e Bacharel em Letras

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  1. Adele Disse:

    Excelente!!! Muito bom conhecer a história da minha família !

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