Sandália para despistar polícia

Coluna Prestes (Ilustração do livro “Uma Epopeia Brasileira: a Coluna Prestes”, de Anita L. Prestes, Ed. Expressão Popular)

Como diria Helder Moura, essa me foi contada pelo ativista cultural Salviano Leite, que a ouviu do ex-deputado Chico Lopes durante sessão especial sobre a passagem da Coluna Prestes pelo Vale do Piancó, evento que a Câmara Municipal de Santana dos Garrotes realizou no dia 2 deste mês.

Aconteceu o seguinte…

Após a batalha de 9 de fevereiro de 1926 na cidade de Piancó, onde mataram o Padre Aristides, pároco local, os homens da Coluna Prestes fugiram no rumo de Santana dos Garrotes.

Lá, antigo distrito de Piancó, onde 30 anos depois nasceria o jornalista e filósofo José Euflávio Horácio, o pelotão da coluna famosa parou para se alimentar e tomar uma providência inadiável: consertar as botinas rotas de seus homens.

Para tanto, o tenente Miguel Costa, comandante da tropa, procurou e encontrou um sapateiro no povoado. Mas o homem não gostava de fazer remendos. Era, na verdade, um artesão que se especializara em fabricar alpercatas de couro.

Diante de tal informação e considerando a situação, Costa teve uma ideia luminosa para despistar a Polícia que vinha no encalço. Aproveitou a arte do sapateiro local e ordenou-lhe que fizesse pelo menos uma centena de pares.

Mas com um detalhe: todas as sandálias teriam que ter solados retangulares ou, como dizem lá no Piancó, quadrados. “Com isso, os meganhas e seus rastreadores não vão saber se a gente tá indo pra frente ou pra trás”, justificou o tenente.

Salviano Leite, à esquerda, coordena projeto para divulgar turística e historicamente a passagem da Coluna Prestes na Paraíba (Foto: Diário do Sertão)

Expulso no zap-zap

Assumidamente conservador e espalhador nas redes sociais de notícias, boatos, memes e tudo o mais que possa desqualificar a esquerda, o também assessor parlamentar Salviano Leite foi recente e compulsoriamente incluído em grupo de zap-zap por admiradores de Jair Bolsonaro, o ultra-direitista pré-candidato a Presidente da República.

A presença de Salviano no grupo não durou um dia, contudo. Foi sumariamente expulso. Soube depois a razão. Um dos bolsominions descobriu e comunicou ao administrador da turma: “Ah, tira esse cara daqui. Ele tem ligações com uma tal Coluna Prestes, que é coisa de comunista”.

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