Greve geral de um século atrás tinha pauta semelhante à de sexta

Professor José Neto (Foto: CBN João Pessoa)

A greve geral contra as reforma trabalhista e previdenciária e Lei da Terceirização, marcada para sexta-feira (28), acontece exatamente 100 anos após a primeira tentativa de paralisação nacional, que se concentrou nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. Apesar do tempo que separa uma greve da outra, o Professor de Direito José Batista Neto vê semelhanças nas reivindicações dos dois movimentos.

Titular da coluna ‘Direitos Humanos’, da rádio CBN João Pessoa, Zé Neto – como é mais conhecido o docente da UFPB e da UEPB – lembrou que a greve de 1917, a exemplo da anunciada para sexta, teve forte liderança e participação de operários das indústrias, camponeses e trabalhadores rurais que exigiam direitos trabalhistas, o fim da exploração de menores e jornadas de trabalho diferenciadas.

“Não havia regulamentação da jornada de trabalho; hoje, a Constituição determina que essa jornada não pode extrapolar 44 horas semanais; se passar, tem que pagar hora-extra”, explicou. Outro ponto destacado: o trabalho de crianças e adolescentes, vedado pela Constituição. “Salvo a partir dos 14 anos, na condição de aprendiz”, frisou. “É mais ou menos o que se exige hoje. Cem anos depois, voltamos a reclamar, em proporções diferentes, pelas mesmas coisas”, disse, referindo-se à greve de 1917 como aquela em que pela primeira vez várias categorias profissionais de vários estados se uniram para reivindicar direitos.

Zé Neto estranha, contudo, que não ocorra uma mobilização maior diante de acontecimentos e propostas que têm consequências diretas na vida da população. “O que me espanta é ver que a TV Globo, por exemplo, consegue mais de 2 milhões de ligações em alguns programas como o Big Brother Brasil e a gente não consegue reunir 2 milhões de assinaturas para contestar uma Proposta de Emenda à Constituição como essa”, pontuou, referindo-se à PEC 287/2016, que pretende aumentar tempo de serviço e de contribuição para o trabalhador se aposentar, ao mesmo tempo que ameaça extinguir ou reduzir direitos e benefícios previdenciários de quem mais precisa.

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