Batinga: não existe indústria da multa no trânsito de JP, mas uma ‘indústria de infratores’

(Foto: Ilustração/Paraíba.com)

Em resposta ao promotor de Justiça aposentado Valério Bronzeado, o superintendente de Mobilidade Urbana da Capital, Carlos Batinga, declarou hoje (22) que não existe “indústria da multa” no trânsito de João Pessoa, mas uma verdadeira “indústria de infratores”.

Respondendo a questionamentos encaminhados pelo blog a partir de denúncia de Bronzeado aqui publicada, Batinga também negou que o fornecedor de lombadas eletrônicas da Prefeitura de João Pessoa receba percentual sobre multas lavradas com base nas infrações flagradas por aqueles equipamentos.

O superintendente defendeu o emprego da tecnologia de pardais, bandeirões e assemelhados. Segundo ele, trata-se de uma realidade mundial que veio “para coibir e punir os que não respeitam as leis de trânsito e os limites de velocidade, bem como a segurança viária e a vida dos que circulam pelas vias da cidade”.

Com mais ênfase ainda, Batinga defendeu o trabalho da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob-JP), que na palavra do superintendente “é pautada pela legalidade e pelo interesse público, buscando a fluidez do tráfego de veículos e, principalmente, a segurança dos pedestres e ciclistas, parte mais vulnerável no trânsito das grandes cidades”.

“Para isso, buscamos o aprimoramento da mobilidade urbana com investimentos em engenharia de tráfego, ações permanentes de educação em escolas e nas ruas e fiscalização, conforme determina o Código de Trânsito Brasileiro (CTB)”, acrescenta.

Veja a resposta de Batinga

Sobre as considerações e acusações de Valério Bronzeado, o superintendente da Semob enviou as informações e esclarecimentos que vão reproduzidos na íntegra, a partir deste ponto.

1) Não existe “indústria da multa”, o que existe é uma verdadeira indústria de infratores, que pode ser observado num simples olhar crítico pela cidade, são carros em calçadas, avanço de sinal vermelho, estacionamento irregular em ciclovias e vagas de idosos e deficientes, uso indevido de celular pelos motoristas e tantos outros comportamentos que expõem pessoas a risco de morte. É nosso dever orientar, educar, fiscalizar e punir os que desrespeitam a lei e o direito dos outros à segurança no trânsito;

2) Em 2016. foram aplicadas 180.579 multas, onde arrecadamos R$ 13.590.497,06 (treze milhões quinhentos e noventa mil quatrocentos e noventa e sete reais e seis centavos). Em 2017 (até setembro), foram aplicadas 116.780 multas, com uma receita de R$ 12.645.449,55 (doze milhões seiscentos e quarenta e cinco mil quatrocentos e quarenta e nove reais e cinquenta e cinco centavos).

É possível perceber que está havendo uma redução no número de multas aplicadas, mesmo com a ampliação das lombadas e câmaras de monitoramento, quando fazemos o comparativo dos dois anos, sinal de maior respeito ao limite máximo de velocidade, que tiveram uma redução em 20% no número de autuações. Deve haver um acréscimo no valor arrecadado, em função do aumento no valor das multas, ocorrido no final de 2016 por determinação do Conselho Nacional de Trânsito;

3) A receita proveniente das multas efetivamente é aplicada em fiscalização, educação para o trânsito, sinalização, engenharia de tráfego, estudos, projetos e infraestrutura viária, conforme determina o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e devidamente fiscalizada pelos órgãos de controle. Em nenhuma hipótese é dado outro destino aos valores arrecadados com as multas que aplicamos por infrações cometidas pelos condutores imprudentes;

4) Os critérios para a instalação dos equipamentos são eminentemente técnicos, baseados em estatísticas de locais onde há maior incidência de desrespeito à sinalização e risco de acidentes com ameaça à vida das pessoas, além de análise de demanda da população através de suas associações e da câmara de vereadores (atualmente temos mais de 120 pedidos para implantação de lombadas). Nas vias onde a fiscalização eletrônica foi instalada, os números de ocorrências fatais caíram praticamente a zero, o que demonstra a importância desses equipamentos para preservar vidas;

5) O consórcio da fiscalização eletrônica é formado pelas empresas SERTTEL LTDA / PERKONS S.A. / FOTOSENSORES TECNOLOGIA ELETRÔNICA LTDA, que ganhou licitação através de pregão eletrônico. Nenhuma delas recebe qualquer percentual das infrações flagradas pelos equipamentos, até porque há vedação legal para essa vinculação.

Estamos trabalhando para construir uma mobilidade mais humana, fundamental para termos uma melhor qualidade de vida nas cidades.

2 Comente Batinga: não existe indústria da multa no trânsito de JP, mas uma ‘indústria de infratores’

  1. Robson Disse:

    É simplesmente ridícula a faixa exclusiva para ônibus, principalmente na D Pedro II. Um ônibus de meia em meia hora e uma faixa interditada para os carros de passeio. João Pessoa não comporta isso. Tudo para diminuir dez minutos numa viagem? Talvez para donos de ônibus lucrarem mais! Igual às ciclofaixas da Beira Rio. Quem usa? Uns gatos pingados. Uma cidade quente como a nossa. É para inglês ver!

  2. robson de Paula Maia Disse:

    tal resposta será posteriormente usada, e quero saber antecipadamente qual vai ser a resposta, para isto vou pedir informações,pro escrito,do próprio orgão. A mascara vai cair logo mais….
    Robson de Paula Maia

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