RECEITAS DE LIVRO, por Babyne Gouvêa

Dona Flor e seus bem-casados (Foto: Divulgação)

Muitos leitores escolhem um livro pela apresentação. Mas isso não é suficiente para senti-lo delicioso. É preciso folhear bastante a essência escrita, principalmente na hora de bater os olhos no conteúdo da guloseima.

O ideal é, além de peneirar a imaginação incorporar o ingrediente da concentração marinada, refletindo em um ambiente untado de sossego. No bolo de narrativas literárias não bata a massa escrita sem o fermento da disposição.

Como escolher uma receita para alimentar a alma de sabedoria? Alçar voo, e não assar, e imaginar o resultado do sabor. As sugestões a seguir terão ingredientes como a composição intelectual de Machado de Assis, a narrativa polvilhada com questões sociais, de Graciliano Ramos, e o coquetel de regionalidade populismo e graciosidade de Jorge Amado.

Preparar boas doses de estudos dos romances e contos com pitadas românticas na caracterização dos personagens, poderá resultar em obra como ‘Helena’, livro indicado para uma boa noite de sono.

Despertar com energia, nada mais indicado do que ler ‘Vidas Secas’, com uma narrativa besuntada por Graciliano na problemática do homem. O ingrediente principal está revestido de denúncia sobre a miséria do sertão nordestino.

Indica-se para uma relaxante sesta a leitura do também machadiano ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’. Nesse livro recheado de realismo, o leitor irá saborear a habilidade do escritor na análise do comportamento humano. Porções de hipocrisia estão adicionadas às boas atitudes dos personagens, cabendo a quem lê detectar os temperos da vaidade e egoísmo misturados na narrativa.

Um final de semana de lazer merece um relax lendo um estilo sem floreios, direto e simples, a exemplo de ‘São Bernardo’, do velho e bom Major Graça. A cobertura de situações e personagens mistura a interioridade humana com as reações psicológicas e as relações humanas. O resultado é uma fórmula pronta de crítica e denúncia de questões sociais.

Para umas férias divertidas, nada melhor do que ler ‘Gabriela Cravo e Canela’ e ‘Dona Flor e seus Dois Maridos’, de Jorge Amado. A mistura dos ingredientes duais compromisso e prazer, alegria e seriedade, trabalho e malandragem, resultarão numa saborosa definição do nosso povo.

Depois de degustar o legado do romantismo, realismo e regionalismo dos mencionados escritores, o leitor sentirá motivos para divulgar as deliciosas receitas literárias, sem jamais deixá-las em banho-maria