ANTES QUE O BREJO VÁ PRO BREJO DE VEZ

Esta foto da Barragem de Canafístula, copiada do site Focando a Notícia, é de fevereiro de 2015. Ou seja, desde então medidas preventivas de colapso deveriam ter sido adotadas

Ao receber a cidadania honorária de Bananeiras na noite do 21 de abril de 2017, exortei autoridades locais presentes à solenidade na Câmara de Vereadores a formarem um consórcio intermunicipal pelo reflorestamento do Brejo.

Aproveitei a honrosa homenagem que me fizeram o então vereador Ramom Moreira e seus pares para relançar apelo por reposição vegetal da região, algo que defendo há mais de 20 anos nos espaços que me cabem ou me dão cabimento.

Na ocasião, acrescentei um alerta: sem replantar árvore nem reabrir olho d’água, o Brejo deixa de ser brejo para sempre. Porque logo mais a capoeira que resta vira deserto e até o friozinho que afortuna o turismo local vai embora, para nunca mais voltar.

Proponho o consórcio reflorestador desde quando opinava em colunas de jornal nos dois primeiros decênios deste século. Hoje, lamento a pouca receptividade àqueles escritos. Pouparia, pelo menos, a publicação desta crônica da tragédia anunciada.

Escrevo agora inspirado no lamentável e absolutamente previsível anúncio do fim da água tratada para Bananeiras e Solânea. Ainda este mês. Doravante, o povo vai ter que se virar com carro-pipa e outros arranjos de governos municipais e estadual.

O suprimento improvisado deve se estender por dois anos ou mais. Se, nesse tempo, for concluída adutora prometida pelo governador para puxar água de Campina Grande até a Grande Bananeiras, passando por Esperança e Remígio.

A catástrofe é resultado do esvaziamento de Canafístula, barragem construída em terras de Borborema. Dela as duas cidades bebiam a água que em boa parte se perdeu na evaporação, desperdício e assoreamento do rio homônimo que alimentava o manancial.

Canafístula comporta 4 milhões de metros cúbicos. No começo de maio deste ano, restavam apenas 244 m3 (6% do total). De lá pra cá, sem chuva abundante ou medidas preventivas de colapso, o volume baixou para 80 mil m3 (2 %).

Torço fervorosamente para que as excelências estaduais e locais, políticas e técnicas, compreendam que a solução para o Brejo e outras área secas do Estado vai muito além da construção de adutoras e açudes.

Um bom projeto de regeneração dos ecossistemas brejeiros, envolvendo e articulando todos os seus municípios, é capaz de atrair financiamentos de porte considerável até do exterior. Inclusive a fundo perdido, aposto.

A pauta ambiental domina o mundo rico e inteligente que sonha com um Brasil menos burro e menos destruidor do nosso patrimônio natural. Governos de nacionalidades várias abrem ligeiro o cofre para ajudar quem pode e quer salvar o planeta.

Aproveitem, senhoras e senhores do poder na Paraíba. E, se me permitem, batizem a proposta aqui proposta de Projeto Canafístula. Em homenagem póstuma à finada barragem e também como boas-vindas à árvore que leva esse nome.

Afinal, especialistas no assunto recomendam com muita ciência e convicção o plantio de canafístula para reflorestamento de áreas degradas como o nosso ameaçado Brejo.