A PÁTRIA EM CORES, por Babyne Gouvêa

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Há épocas em que a vida flui em sépia. É o caso, atualmente. O colorido se desfaz e tudo em torno ganha tons desbotados. A economia, por exemplo, ponto de partida da sobrevivência nossa de cada dia, finge estar bem e os números constatam escassez nos bolsos, fazendo descorar o ânimo.

O desemprego e a inflação, dando sinais de que estão voltando, deixam a visão turva, opaca. A falta de perspectiva de tempos promissores faz o cotidiano se parecer com uma chapa de raio-x. De tão nebulosa, só se percebe o vulto.

Ao mesmo tempo, a elevação no preço da energia deixa o rosto com a cor da bandeira do reajuste. O valor da carne tem inviabilizado a sua compra, tornando a tez anêmica esverdeada de quem não a consome.

O litro da gasolina, a sete reais, entra literalmente nos sete buracos da cabeça deixando o indivíduo azul – não, não é a gasolina azul – perturbado com as finanças.

E o gás? Imaginem um ser da cor de butano. Simplesmente ele encarna o seu próprio espírito. De tão apavorado com as dúvidas e dívidas com os constantes aumentos de tarifas ele se sente enevoado como um zumbi.

Arroz? Tomate? Ah tá, um é cereal e o outro legume. Lembram que estavam presentes à mesa? Hoje, sumiram do prato dos menos favorecidos.

Feijão? Feijão pra quê? Se há o fuzil para substituí-lo, por que insistir em consumi-lo? O ferro no grão faz bem ao sangue vermelho da vida, mas existe quem sugira a sua troca pelo sangue do projétil, da cor de chumbo.

O povo clama por dias melhores, e ele é merecedor da cor da alegria e da mesa farta. O nosso país voltará a honrar as suas cores, das matas e florestas representadas no retângulo verde de nossa bandeira às riquezas naturais simbolizadas no losango amarelo do nosso lábaro.

A população brasileira haverá de se orgulhar do “ Ordem e Progresso” – atualmente esquecido – cravado em seu pavilhão, no meio da esfera azul. Fará jus ao seu significado positivista que prega o conhecimento científico como forma de conhecimento verdadeiro.

A nação conseguirá, enfim, restabelecer o branco da paz entre raças e gêneros, nas relações socioeconômicas, assegurando definitivamente o Estado Democrático de Direito.

Tudo o que nos atormenta e ameaça, agora, há de passar. Vai passar.

2 Respostas para A PÁTRIA EM CORES, por Babyne Gouvêa

  1. Linda cronica orientada por Cromos, ponteando o momento político com as cores!
    Parabens, Bayne, magistral!

  2. Aldo escreveu:

    Os sete buracos da cabeça do brasileiro, de certa forma protegem o seu cérebro. Se você já leu, releia A ELITE DO ATRASO de Jesssé Souza. Garanto que muita coisa será esclarecida. Viva a nosda Democracia.