A GUERRA RELÂMPAGO, por José Mário Espínola

Foto meramente ilustrativa. Crédito: Delirou Júnior/O Dia

Até a Primeira Grande Guerra, de 1914 a 1918, as batalhas eram mais estáticas. As tropas permaneciam a maior parte do tempo imobilizadas dentro de trincheiras cavadas no solo.

Apenas de tempos em tempos, as tropas arriscavam sair para o corpo-a-corpo. Nada disso, contudo, foi suficiente para evitar uma carnificina.

Na Segunda Guerra Mundial, de 1939 a 1945, a Alemanha trouxe novidades que mudaram totalmente a até então forma de se guerrear. A grande novidade foi, realmente, a que eles chamaram de blitz krieg ou guerra relâmpago.

Essa forma de combate se caracterizava pelo dinamismo, pela velocidade com que a Wermacht, exército alemão, atacava as tropas inimigas.

Ao mesmo tempo, simultaneamente, as tropas disparavam em carros de combate e tanques de guerra apoiados por aviões.

Usando a velocidade, a estratégia era ocupar posições cada vez mais profundas em território inimigo. As tropas se deslocavam por onde encontrassem mais facilidade, menos resistência. Igual ao deslocamento de um raio na atmosfera, quando a eletricidade se espalha pelas zonas menos resistentes da atmosfera. Daí a denominação blitz krieg, guerra relâmpago.

Em pouco tempo, os alemães tomavam amplas áreas de território inimigo. E, para alcançar sucesso, modernizaram a logística. Munição, combustível e alimentos seguiam logo atrás dos veículos de combate.

Depois disso as guerras nunca mais seriam as mesmas.

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Os responsáveis por nossa forma particular de “guerrear” contra a covid-19, aqui na Paraíba, bem  poderiam aprender com a história como vacinar mais rápido a nossa população.

Atualmente, age como se estivesse na Primeira Guerra Mundial. Limitando a vacinação da população a “trincheiras” isoladas, três em João Pessoa, com filas quilométricas em locais inaccessíveis à maioria da população carente. Desta forma, conseguiu elitizar a vacinação, pois dificulta o acesso a quem more longe desses três locais, seja pela distância ou pela exiguidade de opções de postos.

Por outro lado, a nossa “guerra relâmpago” seria vacinar onde fosse mais fácil, e ao mesmo tempo.

Enxergo que essa facilidade é possível com a criação e multiplicação de postos de vacinação, ampliando o potencial de vacinar simultaneamente um número bem maior de pessoas, num período bem menor do que as atuais três ridículas filas permitem.

Se cada uma dessas 3 filas vacina 3 pessoas a cada 10 minutos, serão vacinadas 54 pacientes por hora. Já 20 filas vacinando simultaneamente 20 pessoas nos mesmos 10 minutos, em uma hora terão sido vacinadas 120 pessoas! Dá para imaginar quantos estariam vacinados, ao final de uma jornada de trabalho…

A sociedade organizada poderá contribuir muito para facilitar a vacinação. Conselhos de medicina, farmácia, enfermagem, fisioterapia, odontologia, psicologia, veterinária, corretores, engenheiros, arquitetos, corretores de imóveis, contadores. associações de professores, Ministério Público, juízes, Amatra, Polícia Federal, Correios e Telégrafo, Academia Paraibana de Letras, Instituto Histórico e Geográfico, igrejas de todos os credos…

Puxa vida! Em muito pouco tempo vacinaríamos todos os nossos idosos, profissionais de saúde, índios, maqueiros, massagistas, motoristas de ambulância, magistrados, promotores… Tudo isso conseguido simplesmente com a identificação das formas mais fáceis de atingir o público-alvo.

Para tanto, teremos de deixar de lado os nossos preconceitos. E todas as entidades civis reivindicarem as suas respectivas vacinações e assim poderem dar as respectivas contribuições para o sucesso de todos.

Muitas outras unidades do país já estão fazendo isso. E alcançando cobertura de vacinação bem mais eficiente do que a Paraíba.

Se, além de toda essa mobilização, o Ministério da Saúde conseguir melhorar a sua logística, tão deficiente até agora, o Brasil poderá alcançar ainda este ano o grau de imunização tão desejado para permitir diminuir o isolamento social e obtermos o retorno ao crescimento econômico já no próximo ano.

2 Respostas para A GUERRA RELÂMPAGO, por José Mário Espínola

  1. PAULO montenegro escreveu:

    A palavra de toda essa guerra é planejamento. Mas, a saúde do Brasil está acéfala. Há um desmonte no Ministério da Saúde. Isso quem diz são colegas de outrora que ainda hoje estão por lá. Apesar do nosso tamanho continental, temos uma capilaridade da rede de saúde e experiência em campanhas de vacinação que nenhuma outra nação do planeta tem. O problema da pandemia no Brasil é justamente a falta de diretrizes que uniformizem a atuação dos entes federativos que compõem o SUS – federal, estadual e municipal. Vidas muitas foram e serão ainda perdidas por essa patologia administrativa que advém desse governo insensível e incompetente. E só há um remedio: a sociedade organizada pressionar os seus representantes a chamarem o feito a ordem.

  2. [11:42, 13/02/2021] Angela Bezerra De Castro: Muito bem , amigo .Procuraram os locais mais distantes e inacessíveis a grande parte da população . Por que não utilizam os Ginásios de Esportes das Escolas , como fazem na vacina para a gripe ?Essa seria a lógica , repetir a experiência positiva .
    [11:44, 13/02/2021] Angela Bezerra De Castro: Ainda é tempo de melhorar a organização . Parabéns !!!