A ESCOLHA DE SOFIA

Ainda menina, Sofia escolheu ganhar o mundo. E ganhou. Lá fora, aprendeu mais das pessoas e circunstâncias. A partir daí, formou e melhorou a sua visão sobre os contemporâneos com os quais divide a mesma ‘aventura humana na Terra’.

Amadurecida, Sofia colocou o bem e o mal na balança. Pesou, depois peneirou e separou. Descartou o mal, escolheu o bem. Bem que atende também pelo nome de amor, fraternidade, solidariedade, tolerância ou respeito ao diferente, ao divergente.

Ao deixar o seu país de berço e ir muito além da cidade onde nasceu, Sofia acreditava que a grande maioria dos viventes dos lugares de seus afetos mais caros acompanharia, no passo certo, sem recuos, a marcha civilizatória que alvoreceu no Brasil do novo milênio.

Não aconteceu o esperado, o desejado. Sofia percebeu e muito lhe entristeceu o que vem acontecendo na sua Paraíba, principalmente na sua Campina Grande. Poderia, contudo, deixar pra lá, ignorar sem remorso algum a escalada de todo o mal em curso.

Não deu. O bem que Sofia escolhera praticar e propagar jamais a deixaria se conter – e não se conteve – diante de tanto ódio, de tanto preconceito, de tanta misoginia, de tanto machismo, de tanto racismo, de tanta homofobia, de tanta humanofobia, enfim. 

Sofia escolheu se contrapor. Virou contraponto, referência. Ao mesmo tempo, alvo da ira de quem enfrenta com posições firmes e argumentos fortes nas redes sociais, arena preferida dos chamados haters e seus replicadores locais, verdadeiros ‘bots de Gabinete’.

Parte considerável dos conterrâneos acompanha e aprova as escolhas e manifestações de Sofia no embate para levar luz aonde alguns só querem treva. Alguns em postos de comando da máquina pública com a qual retroalimentam pragmático obscurantismo.

Um obscurantismo parceiro do atraso, ignorância e alienação política com que poderosos da hora mantêm parcela razoável da população mais pobre dependente de benesses, favores e dinheiros distribuídos a cada campanha eleitoral, em troca do voto.

Sofia não é candidata a nada. Quer tão somente fazer o bem através da legítima, corajosa e necessária expressão do seu pensamento, dos seus sentimentos, de suas reflexões e da sua comovente, contagiante e justa indignação. #SomosTodosSofia

Uma resposta para A ESCOLHA DE SOFIA

  1. A escolha que Sofia fez é o inverso da tendencia atual da sociedade brasileira.
    O pensamento que se revela dominante no Brasil de hoje, é o de que escolhas feitas em favor do amor, da solidariedade, dos menos favorecidos, do meio ambiente, refletem fraqueza.
    O pensamento dominante não aceita manifestações que eles consideram de pessoas fracas.
    São truculentos que só respeitam o que for igual. Exagerando, consideram manifestação de fraqueza “até passagem para pedestres.” Não duvido.
    Excelente texto, Rubens! Fico feliz de saber que ainda tem quem pense assim. E tenha coragem de dizer.