OBRA DEVE SE IMPOR AO NOME NA ACADEMIA DE LETRAS

A imagem pode conter: 7 pessoas, incluindo Ramalho Leite, pessoas em pé e área interna, texto que diz "©Antonio David Diniz"

Ângela Bezerra de Castro e os novos dirigentes da APL (Foto: Antônio David Diniz/Facebook)

Vai muito além do clichê do clichê marcar o início de um novo tempo na Academia Paraibana de Letras (APL) sob Ângela Bezerra de Castro, empossada na presidência da entidade na noite de ontem (15), em João Pessoa.

O grupo de acadêmicos que articulou e lançou a candidatura da aclamada escritora e crítica literária o fez mirando uma requalificação da própria Academia como locus referencial de uma produção literária movida a ativismo cultural da melhor qualidade.

Não significa desmerecer a era Damião Ramos. Nem pensar, aqueles que ingressaram na APL nos últimos oito anos! A gestão finda cumpriu papel fundamental na reestruturação e benfeitorias nas instalações e funcionalidades da veneranda instituição.

Ressalte-se ainda que todos os ingressantes foram eleitos segundo a regra do jogo regimentalmente definida. É possível questionar, contudo, a afinidade de alguns com a razão de ser de uma academia de letras? É, mas questionamento desse jaez não serve ao futuro.

De casa arrumada, agradecida ao antecessor pelos haveres e deveres em dia, Ângela deve exercitar toda a sua habilidade em favor da harmonia de pares e ímpares, engajando-os nas intenções e princípios do decálogo de objetivos anunciado em campanha.

Previsível e desejável, todavia, que a incorporação de novos membros junte aos bons quem possa elevar a média. Como se dá agora com Marcus Alves, Gilvan de Brito, Eithel Santiago e Francelino Soares concorrendo à vaga do imortal Willis Leal.

Com o sucessório dos imortalizados sob nova direção, aumentam as chances de ninguém mais reclamar ou estranhar, por exemplo, a Academia não ter em seus quadros uma Maria Valéria Rezende, uma Simone Carneiro ou uma Ana Adelaide Peixoto.

Não dá mais pra entender, também, porque Neroaldo Pontes, Chico Viana e João Batista de Brito não têm assento ao lado de Elizabeth Marinheiro, Maria das Graças Santiago, Eilzo Matos, Gonzaga Rodrigues, Sitônio Pinto e Ramalho Leite, entre outros.

Como não almejar numa academia de letras a presença e a força da boa literatura de Waldemar Solha, Frutuoso Chaves, Fernando Moura, Evandro e Everaldo Nóbrega, Hélder Moura, Martinho Moreira Franco, Sílvio Osias, José Mário Espínola, William Costa ou Linaldo Guedes? 

Muito provavelmente deixo de fora outras autorias dignas de citação. Perdoem e me queiram bem. A torcida desinteressada aqui exposta pode vir a beneficiar também alguns deslembrados que igualmente se impõem pela obra, jamais exclusivamente pelo nome.