ENTREVISTA COM A MONGA, por José Mário Espínola

(Foto: imagem copiada do Blog do Arthur Veríssimo)

No auge do isolamento causado pela pandemia da Covid 19, a tradicional Festa das Neves de João Pessoa foi cancelada, sendo mantida apenas a comemoração religiosa, mesmo assim com restrições. Mas a imprensa não se conformou com uma das ausências mais sentidas e tanto furou que conseguiu entrevistar a principal personagem da festa: a Monga! A entrevista, na íntegra, vai reproduzida a seguir. 

P: Nome?
– Monga da Silva.

P: Idade?
– Nem me perguntes!

P: Onde nasceu?
– Pelo Brasil.

P: Cor preferida?
– Marrom. E verde, claro!

P: Prato predileto?
– Cartola.

P: Signo?
– Monkey! Tou brincando. Gêmeos. Eu e eu!

P: Melhor estação de inverno?
– Bananeiras – PB

P: Monga hoje é uma artista nacional. Qual a cidade preferida?
– Festa das Neves, em João Pessoa. Lá eu sou muito mais querida…

P: Como entrou nessa vida?
– É uma looonga história. Mas eu vou procurar resumir. Muitos anos atrás – conheci o homem da minha vida! Alto, forte, bonito e encantador. Um monumento. Foi amor à primeira vista, pros dois. No começo tivemos um romance tórrido. Muitas farras, sexo & roquenrrol. Porém sem drogas, que eu sou cristã e não me envolvo com essas coisas. Mas ele não valia nada, era um belo safado. Descobri que era ladrão. No início eu era bonitinha, bem-feita de corpo, elegante e charmosa. E chamava muito a atenção, muita gente dando em cima de mim, mas eu só via ele. Porém ele era casado e não queria saber de estabilizar a nossa união.

P: Como terminou o romance?
– Com o tempo passou a me maltratar, a me explorar. Até que ele passou a bater em mim. Aí, meu filho, não deu outra: empurrei-lhe uma Maria da Penha nas costas. Deu azar que a plantonista era uma delegada, que chamou a promotora, que logo, logo, levou o caso para a juíza: cana! 4 anos. Para meu azar ele era um cigano. Moderno, porém cigano (chamava-se Granjão). Tinha videocassete e havia assistido ao filme “O Feitiço de Áquila”. Antes de ir para a cadeia ele levantou o punho e me amaldiçoou: “Vais virar um macaco para o resto da tua vida!”. Praga de cigano pega, veja o exemplo de Cabedelo. E aqui estou.

P: Monga sempre teve o sucesso que desfruta hoje?
– No começo tudo foi difícil. Ainda não sabia o que significava, quando conheci o meu segundo pretendente a marido. Estava com ele certa noite, aquele clima, quando no melhor da festa comecei a ficar cabeluda, a mudar de voz. Ele arrepiou-se todo, e fugiu. Acho que ainda deve estar a correr por aí… Depois eu fui aprendendo a lidar com as transformações. O problema é que sai muito caro: eu gasto uma nota com barbeadores e cremes de barbear. No começo eu ainda tentei fazer depilação, mas cera sai muito caro. E não resolve tudo. Já a depilação a laser só serve para buço e cantinho, além de ser mais cara ainda.

P: Não tentou outro emprego?
– Tentei trabalhar como modelo, secretária, telefonista, balconista. Mas as transformações espantavam os fregueses. Aí entrei para o circo, onde trabalhei por uns 5 anos. Mas ganhava muito mal. Foi quando um homem caridoso me convidou para participar de um espetáculo onde eu seria a única atração. Foi a melhor coisa que me aconteceu. Passei a ser mais procurada e a ganhar mais.

P: Qual é a sua sensação durante os espetáculos?
– Para mim é motivo de orgulho saber que tanta gente vem à festa só para me ver. O que mais me impressiona é reencontrar entre os espectadores rostos de 40, 50 anos atrás. Dizem que tem gente que vem de longe para me rever: Roma, Brasília, Foz de Iguaçu… Por aí.

P: Monga tem um sonho?
– Sim, fazer família. Encontrar o príncipe encantado que me dê um beijo tipo “bala de prata” e acabe com o meu encanto. E case comigo.

P: Qual a sua maior preocupação?
– Que os filhos nasçam um bocado de saguis!

  • José Mário Espínola
  • Aprendiz de entrevistador

3 Respostas para ENTREVISTA COM A MONGA, por José Mário Espínola

  1. Maria das Graças Santiago escreveu:

    Beleza de entrevista, Zé Mário. A monga sempre representou o mistério proibido da festa das Neves. Bem que eu desconfiava de alguma maldição de cigano. Elas são terríveis porque infalíveis. Felizmente intransferíveis, senão teríamos uma porção de mongas e o sucesso da nossa amiga da Festa das Neves estaria comprometido. Obrigada pelo envio desta delícia de entrevista e parabéns pela descoberta deste novo talento. Um forte abraço extensivo a Ilma, Maria das Graças Santiago

    • Marcos Antônio Patrício Leite escreveu:

      Excelente entrevista trata de uma realidade da figura Monga o maior sucesso da festa das Neves, foi o primeiro ano que não teve devido a Pandemia,apesar da festa ter perdido seu seentido já que é uma tradição, Parabéns amigo

  2. Romildo Pires Mendes escreveu:

    Gostei da entrevista.Kkkkk.