VIDAL DE NEGREIROS, por Aderson Machado

André Vidal de Negreiros (retrato no Museu do Estado de Pernambuco)

O fato que relato adiante acredito que não tenha acontecido apenas comigo. Quer dizer, fatos semelhantes, decerto, podem ter acontecido com um sem-número de pessoas.

Pois bem, estudei, no período de 1966 a 1970, no Colégio Agrícola Vidal de Negreiros, em Bananeiras (PB). Porém, se o amigo leitor me perguntasse se, ao sair do Colégio supracitado, eu sabia quem era esse tão importante personagem histórico – Vidal de Negreiros -, a resposta seria NÃO! É engraçado, de certa forma, esse fato. Mas, infelizmente, foi uma realidade.

Pelo exposto, fica claro que caberia ao professor de História do Brasil uma explanação a respeito desse personagem. Por uma questão de ética e, sobretudo, em respeito à sua memória, não citarei o nome desse professor.

Por outro lado, poder-se-ia fazer um pequeno questionamento: Por que algum aluno não tomou a iniciativa de perguntar ao nosso professor de História quem foi Vidal de Negreiros? Eis a questão. Se ninguém o fez, talvez fosse por acanhamento mesmo.

Naquela época – anos 60 -, os alunos eram meio tímidos, portanto tinham medo de questionar certos e determinados professores. Assim, ficávamos calados durante toda a aula; somente o professor falava. Era um tempo em que os mestres mais impunham do que expunham os seus conhecimentos.

Confesso, todavia, que nunca morri de amores pela disciplina História, quer do Brasil ou Geral. Principalmente esta última. Em assim sendo, eu era o menos indicado para “desafiar” o nosso professor de História. Os outros que o fizessem…

Passados muitos anos, já depois de ter concluído o meu curso superior, parei para refletir sobre esse estado de coisas.

Destarte, procurei saber quem foi o personagem que deu nome ao Colégio Agrícola no qual terminei o meu curso ginasial bem como o primeiro ano do curso Técnico Agrícola.

Para começar, o seu nome completo era André Vidal de Negreiros, que foi um verdadeiro herói brasileiro das lutas contra os holandeses, nascido na Paraíba do Norte, em princípios do século XVII, e morou em Goiana (PE), em 1680.

Destinado à carreira das armas, teve pouca instrução, apesar de sua linhagem nobre. Em 1636, bateu-se nas guerrilhas contra os holandeses e, depois da primeira vitória das Tabocas, desembarcou em Pernambuco e assumiu a direção militar da insurreição pernambucana, vencendo os invasores em Casa Forte.

Sob o comando do D. Francisco Barreto de Menezes, destacou-se nas duas batalhas dos Guararapes. Em 1654, ataca e toma as primeiras defesas de Recife e, mesmo ferido, dirige o assalto à fortaleza das Cinco Pontas.

Incumbido de negociar a capitulação dos holandeses, foi também o encarregado de levar ao rei D. João IV de Portugal a nova da expulsão dos invasores.

Daquele soberano, recebeu Vidal de Negreiros o cargo de alcaide-mor de Marialva e de Morim, a comenda da Ordem Militar de Cristo e posteriormente as funções de governador e capitão-general do Maranhão, depois de Pernambuco e mais tarde (1661) de Angola.

Naquela possessão portuguesa, fortificou Luanda e venceu em Ambuila o rei do Congo, que lhe invadira as terras. Voltou ao Brasil para morrer junto aos seus, em Pernambuco.

Está aí, em resumo, a bonita história desse grande herói paraibano. História essa que não me foi contada no lugar mais apropriado para tal: o Colégio Agrícola Vidal de Negreiros, de Bananeiras.

Por fim, se me perguntarem quem teve a ideia de ‘batizar’ o egrégio Colégio Agrícola de Bananeiras de Vidal de Negreiros, também não sei responder! Quem o souber, faça-me um favor…

  • • Aderson Machado é Engenheiro Civil e Bacharel em Letras