PRODUÇÃO ANIMAL (III), por Antônio Carlos Ferreira de Melo

(imagem copiada de pmaisc.com.br)

Ao me aposentar em 1994 como Professor do Colégio Agrícola Vidal de Negreiros (CAVN), a tradicional Escola de Bananeiras que integra a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), encerrei o meu magistério com a certeza do dever cumprido.

Dever cumprido tanto no ensino como na extensão, que juntos com a pesquisa formam o trinômio identificador de uma universidade digna do nome, ou seja, não se confunde com um mero colégio de terceiro grau, desses que existem aos montes por aí, de sofrível qualidade.

Conforme expus nos dois primeiros artigos desta série (leia aqui e aqui), o CAVN não se limitava à transmissão de conhecimentos dentro de uma sala de aula. Lá fora, através da extensão, impulsionava projetos individuais ou coletivos, específicos ou mais abrangentes.

Professores, alunos e funcionários do Colégio compartilhavam o que sabiam com a comunidade externa ao campus, prestando assistência técnica, assessoramento ou simples orientações a quem mais precisava saber como empreender e produzir no meio rural.

Quem acompanha os relatos aqui publicados sabe: no meu caso, a extensão foi um ponte muito forte, verdadeiro carro-chefe da prática de minhas turmas da disciplina de Avicultura de Corte, na qual me inaugurei na docência em 1973.

Graças a um esforço que tive a felicidade de coordenar, com inestimável apoio de dirigentes do CAVN e participação decisiva dos estudantes, Bananeiras transformou-se no centro irradiador de uma produção avícola que se estendeu a todo o Brejo Paraibano.

Ainda hoje, inúmeras famílias vivem ou sobrevivem dessa atividade, em escalas diversas. Lamentável e contraditoriamente, o CAVN deixou de produzir aves de corte. O ‘desmonte’ do parque produtivo ocorreu, coincidentemente ou não, após a minha aposentadoria.

Como se fosse pouco, cometeram também o grave erro de transformar dois galpões dos já existentes para criação de aves em criatórios de rã, sem oferecer aos alunos alternativa de aulas práticas em avicultura. A essa ‘orfandade’ dirijo minha crítica mais sincera e o meu lamento mais profundo.

Temo que estejam formando técnicos sem prática de campo, sem condições de assumir um projeto de qualquer envergadura, mínima que seja, porque lhes falta a tão cobiçada competência adquirida pela experiência, pelo fazer para aprender ou aprender fazendo.

Adoraria saber, por outro lado, que a ranicultura estaria abrindo o mercado de trabalho para os técnicos nessa área. Até onde sei, não está, infelizmente. Tudo em prejuízo dos próprios técnicos em agropecuária formados no Colégio.

Não tenho conhecimento de qualquer empresa do Nordeste que ofereça um único emprego para esses formandos. Fico me perguntando, então, o que irão fazer esses técnicos.

Os recentes ou novos egressos do CAVN têm perspectiva bem diferente daqueles formados em minha época de professor. Um tempo em que concluintes saiam com um diploma na mão e a confiança de muito em breve conseguir trabalho bem remunerado.

Muitos saíram direto dos bancos escolares para a gerência ou funções igualmente relevantes em grandes empresas de avicultura em nosso Estado, no Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará.

  • Antônio Carlos Ferreira de Melo é Zootecnista e Professor Aposentado da UFPB