PRODUÇÃO ANIMAL (IV), por Antônio Carlos Ferreira de Melo

Imagem de mera ilustração copiada do Youtube (i.ytimg.com)

Além da produção de aves de corte como prática da disciplina de Avicultura, que ministrei no Colégio Agrícola Vidal de Negreiros (CAVN), na mesma linha de introduzir o aluno no fazer para aprender e aprender fazendo impulsionei e executei mais dois projetos de extensão relevantes quando professor da famosa Escola de Bananeiras (PB).

Tais projetos deram embasamento técnico aos estudantes na criação de bovinos, coelhos (cunicultura) e porcos (suinocultura), este último incrementado com decisiva participação do professor Ozeas Almeida Neto. Afinal, ao assumirmos, o Colégio mantinha um minúsculo plantel composto de um reprodutor e sete porcas já velhas, parindo uma única vez ao ano e apenas dois ou três leitões por parição.

Partimos para aumentar e qualificar o rebanho com a introdução de matrizes e reprodutores de primeira linha adquiridos em Pernambuco, graças aos esforços do professor Alírio Trindade Leite, então diretor do Centro de Formação de Tecnólogos (CFT), ao qual se vinculava o CAVN. Tudo sob a liderança e o dinamismo expansionista do reitorado de Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque na UFPB.

O sucesso produtivo do projeto de suinocultura foi tamanho que passamos a vender leitões aos pequenos criadores do Brejo Paraibano interessados em melhorar seus plantéis. Conseguimos também fornecer carne de porco da melhor qualidade para o Restaurante Universitário do Campus de Bananeiras. Sempre com o envolvimento direto dos alunos, que cuidavam da criação.

Partos complicados

Alunos aprenderam todo o manejo dos porcos e no período de parição revezavam-se em plantões que cobriam noites, madrugadas, feriados e finais de semana. Evidente que este professor e o colega Ozeas conduziam todo o processo. Não conto as vezes em que fomos acordados para intervir em partos mais complicados que plantonistas não se sentiam seguros para realizar.

Digo isso sem queixa alguma. Acredito ainda que nossos alunos também podem testemunhar o quanto aprendiam, especialmente diante das dificuldades que se apresentavam. Digo mais: impressionava e dava orgulho, no melhor dos sentidos, o extremo senso de responsabilidade daqueles estudantes que nos ajudaram a desenvolver e suinocultura no CAVN.

Porquinhos órfãos

Um fato curioso nessa caminhada. Uma matriz pariu 14 porquinhos de uma vez; três dias depois, morreu. Alunas passaram a alimentar os órfãos com leite bovino diluído, dado em mamadeiras. No começo, maravilha! Mas, quando os animais precisaram comer outros alimentos, tivemos que providenciar a transferência para a pocilga, onde poderiam completar o ciclo natural de crescimento.

Deu trabalho. Algumas estudantes queriam continuar a criação no quintal do alojamento estudantil, onde foram acomodados após o nascimento. Não havia como concordar com aquele propósito. Manter porquinhos naquele ‘berçário’ era uma coisa; outra, bem diferente, seria criar os bichos em espaço e condições inadequadas, até que se desenvolvessem e ficassem prontos para o abate.

Produção de leite

Tínhamos um rebanho de vacas com produção mediana de leite, algo que melhorou significativamente em razão de novas aquisições viabilizadas, mais uma vez, pelo diretor Alírio Trindade Leite. Com isso, passamos a tirar o suficiente para consumo dos alunos da Escola e exportar o excedente para a Unidade de Produção lá implantada pelo engenheiro de alimentos e professor Eriberto José Rodrigues. Unidade que produzia queijos, doces e ainda ofertava aulas práticas aos estudantes.

À guisa de epílogo

Toda a minha gratidão àqueles que prestigiaram essas publicações com leitura, comentários e críticas.

Há muito sentia-me impelido a colocar no papel e no virtual o registro da trajetória do meu magistério. Sentia-me também devedor de um testemunho para a história, compartilhando-o especialmente com aqueles que foram meus alunos ou contemporâneos de trabalho no ensino-aprendizagem do curso de Técnico em Agropecuária do CAVN.

Ressalto, contudo, que os quatro capítulos aqui publicados apenas resumem um pouco do que foi uma fase de extraordinário desenvolvimento do ensino, das práticas de ensino e de extensão na minha querida Escola de Bananeiras, onde tive a felicidade de nascer e crescer. Crescer como pessoa, crescer como professor e, adiante, como profissional da Zootecnia.

  • • Antônio Carlos Ferreira de Melo é Zootecnista e Professor aposentado da UFPB

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  1. Gostei deveras do relato do ex-colega de turma Antônio Carlos Ferreira, que não se incomoda de ser chamado de Caranguejo, que era o seu apelido nos tempos de ‘capa-gato’. Eu também tinha o meu, que foi citado nas memórias que escrevi sobre os anos em que estudei no CAVN. Mas essa é uma outra história.
    Voltando aos relatos de Antônio Carlos, eu, independente de ter sido colega de turma dele, fiquei deslumbrado e até emocionado com a sua história, deste os tempos de estudante, até aos tempos de professor da própria escola onde estudara. Foi um relato de superação, diga-se de passagem. Fui testemunha ocular do seu esforço, enquanto aluno sofrido, filho de um humilde, porém honesto, funcionário. Estudou com muitas dificuldades, até mesmo para se deslocar para o Colégio, passando por dentro de lama, se sujando todo, o que ensejou o epíteto de Caranguejo. Ao fim e ao cabo, eu diria que Antônio Carlos deu a volta por cima de forma com muita altivez. Pena é que muitas pessoas não levam a vida muito a sério, sempre procurando os atalhos da vida, para conseguirem seus objetivos com o mínimo de esforço. É por isso que se diz, com muita propriedade, que ninguém é digno do pódio, se o conseguiu sem lutar, ou seja, sem esforço. É por aí…

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