PARAFRASEANDO BRECHT, por Rubens Pinto Lyra

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Primeiro, levaram os “comunistas” e os petistas, mas, como não sou nem petista nem comunista, fiquei na minha, apenas torcendo para que os libertem.

Depois, prenderam manifestantes, considerados “terroristas”. Achei excessivo, mas preferi silenciar.

Em seguida, perseguiram os homossexuais e outros adeptos da “ideologia de gênero”. Discordei, mas, como não compartilho dessa ideologia, nada fiz.

Voltam-se agora contra a liberdade de expressão intelectual e artística, censurando espetáculos, vigiando professores nas salas de aula e extinguindo órgãos de Estado promotores da arte e da cultura. Achei lamentável, mas não tive coragem de protestar.

Por último: hoje fui preso por participar, para garantia do meu emprego e do meu salário, de greve considerada ilegal.

Mas o pior está para acontecer: a TV Globo acaba de anunciar a decretação de Ato Institucional parecido com o AI-6.

Deveria ter reagido, mas agora é tarde. Não há mais leis nem ninguém para me defender.

  • Rubens Pinto Lyra é Doutor em Direito Público e Ciência Política. Professor Emérito da UFPB
  • Imagem ilustrativa copiada de historiadocumentada.files.wordpress

 

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