UM APELO AO GOVERNADOR

Lá pelo começo dos setenta do século passado, ele mesmo se convenceu ou alguém convenceu o governador Ernani Sátiro que seria uma boa transferir a veneranda A União do centro da cidade para o Distrito Industrial de João Pessoa. Boa, talvez, para o soluço de industrialização subsidiada que então acometia o Nordeste

Razoável aceitar que na época a instalação de um parque gráfico no Distrito Industrial faria algum sentido, considerando até que não haveria espaço na sede antiga do jornal oficial para abrigar, por exemplo, as portentosas rotativas de impressão offset que vieram matar por suposta obsolescência as centenárias linotipos, máquinas bem menos espaçosas.

Razoável não seria, contudo, já naquele tempo (1973), transferir também para o Distrito Industrial, junto com maquinário velho ou novo, a redação de A União, onde trabalhei entre 1975 e 1977 sob a editoria de Agnaldo Almeida e a presidência de José Moraes de Souto. Por que tirar o jornalismo do ‘centro dos acontecimentos’, papel do nosso centro de antigamente?

Até hoje não entendi. Se a medida já era um atentado ao bom senso jornalístico, jornalisticamente falando, porque distanciava o processo de edição do jornal inclusive de sua maior fonte de conteúdo – atos e ações do próprio governo -, a transferência era uma ofensa ao princípio da economicidade que deveria ser aplicado à administração a qualquer hora, em qualquer momento.

Bem, se desde então não entendia o funcionamento da redação de A União no Distrito, mais incompreensível ainda que tal situação se mantenha ainda agora, quando mil e uma novas tecnologias de comunicação e informação permitem, por exemplo, que se edite um jornal até por celular. Não, não faz sentido, o menor sentido. Daí esta crônica em feitio de apelo ao governo.

Apelo porque sei que não precisa mais – como se fazia  – queimar combustível num carro rodando por BR, Cruz das Armas, Vasco da Gama, João Machado e Rodrigues de Aquino para pegar a produção da reportagem na 1817 e levar para a redação no Distrito. Hoje, um clique no computador e a edição do dia, prontinha da Silva, chega em segundos ao ambiente virtual e físico de impressão.

Não precisa mais – aí é que não precisa mesmo, hoje – manter redatores e editores isolados da proximidade de quem mais faz e acontece na Paraíba, seja o protagonista do fato o governador do Estado ou o promotor de Justiça com poder para transformar a vida de muito bacana num calvário.

Se puderem ler e refletir sobre o exposto, que o governador João e a jornalista Naná Garcez, presidente da Empresa Paraibana de Comunicação (EPC), à qual A União está vinculada, façam o que deve ser feito. Já pensou se dessa reflexão sai uma nova sede para redação e reportagem de A União no Centro da Capital? Com espaço também para exposição, venda e lançamento de livros publicados pela editora que leva o selo do nosso quase sesquicentenário matutino?

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