SOBRE A DOR, por Márcia Lucena

Impressiona-me a capacidade de algumas pessoas de se alimentarem da desgraça e da dor do outro!

Penso que esse é o tipo de ser humano que não tem em sua vida outro caminho, outra saída que não seja essa: sugar a energia dos outros e provocar a desgraça alheia – já que precisa esconder a sua própria desgraça. Está perdido!

Resta-lhe a covardia, os golpes baixos para ganhar às vezes um dinheirinho, às vezes uma atençãozinha, às vezes um poderzinho…

Fica ali, nas sobras das fatalidades da vida, juntando os pedaços de dor dos que sofrem de verdade com a sua falta de moral, de ética, de humanidade e assim cria fatos, cria monstros.

São os vampiros. Mortos-vivos. Aqueles que descem o mais fundo possível para tirar vantagem, aparecer de alguma forma, conseguir espaço se refastelando nas limitações e nas dores mais sagradas e profundas das pessoas.

Um exemplo bem recente desse movimento tão baixo é o que algumas pessoas estão tentando fazer, em diferentes espaços, com a família da criança que morreu em um triste acidente do ônibus escolar no Conde.

Essa terrível fatalidade está sendo apurada pela Polícia e o será também na Justiça.

Ninguém deliberadamente desejou ou provocou a morte dessa criança.

Enquanto prefeita e pessoa humana, fui ao local na mesma hora que soube. Acudi o que pude!

Fui eu quem acolhi a irmã em sua dor até entregá-la nos braços da avó, fui eu quem trouxe a mãe em meus braços para o pronto atendimento na policlínica e lá fiquei por horas com ela e a sua irmã.

Fomos nós que acionamos a Polícia e tomamos todas as providências.

O ônibus foi comprado este ano, começou a rodar em fevereiro. O motorista era querido por todos devido o amor que tem pelas crianças.

Prestamos toda assistência à família, até que algumas pessoas se aproximaram com outros interesses e, se aproveitando da dor, quebraram essa relação tão delicada.

Não temos nenhum interesse de interferir em nada, queremos apenas ajudar nesse momento tão difícil de dor com tudo que dispomos.

Esse tipo de atitude exploratória, doentia, submete essa família a uma dor ainda maior, interfere no luto, alimenta o ódio, põe em risco outras pessoas.

Além de irresponsável, é cruel a exploração que fazem da tragédia.

Algumas perguntas…

Onde estavam essas pessoas alguns anos atrás quando o teto de uma escola afundou o crânio de uma criança aqui no Conde ou, um pouco mais recente, quando outra criança foi gravemente ferida com um choque por fios de energia soltos na sala de aula, também aqui no Conde?

Onde estavam essas pessoas, ainda em 2016, quando um carro da Prefeitura do Conde carregava uma escada na na PB-018 que se soltou e matou um motoqueiro que vinha atrás?

Onde estavam que não foram ajudar as vítimas com seus advogados, seus vídeos alarmistas, sua prontidão?!

Se não agiram com a mesma atenção, com a mesma intensidade junto dessas famílias e estão agindo assim agora, só tem um motivo: ou estavam protegendo os responsáveis ou querem criar um fato político.

Por favor, até os brandidos mais perigosos têm sua ética, seus limites!

Só os vermes comem o que têm em sua frente sem pensar no que estão destruindo. Neste caso, não estão destruindo a mim. De maneira nenhuma! Estão, por ganância e falta total de escrúpulos, destruindo essa família ainda mais! Destruindo seu cristal interior, a única coisa capaz de fazê-los seguir a vida, apesar da dor.

Pessoas que agem assim, algumas delas, vêm de um núcleo acostumado a ferir, a violentar, a matar – mesmo que seja de fome, de medo, de ignorância ou de dor.

Apesar de tudo, estamos firmes, construindo a verdade e contribuindo com o amor e a luz!

Vamos em frente, desejando que o pequeno Kelvin descanse em paz…

  • Márcia Lucena é Educadora e Prefeita do Conde
  • • Texto publicado originalmente no Facebook da autora
  • • O acidente que resultou na morte de Kelvin, 10 anos, ocorreu em 6 de setembro último
  • • O garoto foi atropelado por um ônibus escolar, do qual supostamente caiu no sítio Pituaçu-Prazeres, município do Conde, Litoral Sul da Paraíba  
  • • Crédito da fotomontagem que ilustra matéria, acima: Valf/EM/DAPress

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