‘CHEGA DE BAGRINHOS! TUBARÕES JÁ’

“Calma, Gosto Ruim”. Com esse apelo reagi à açodada cobrança do meu amigo, feita do jeito que está no título acima. Mas ele, sem baixar a irritação, exalta-se. “Calma o quê, Rubão! Tá vendo não?… Nessa tarrafa só cai peixe miúdo”, gritou do outro lado da linha, referindo-se à ‘pescaria’ de hoje (9) da Operação Calvário.

Lembrei ao apressado confrade: “Até onde sei, Gosto, na grande maioria dos casos, Ministério Público ou Polícia Federal só pede prisão de gente graúda (ou nem tanto) quando tem tudo bem amarradinho”. E confessei que eu mesmo já cobrei “dos zomi” no mesmo tom: “Chega de bagrinhos! Tubarões já”.

Disse-lhe ainda que, diante da minha impaciência, um qualificado interlocutor deu-me um argumento que acatei no ato, tamanha a ponderação e a extrema necessidade de não botar caça no mato nessas paradas. “Você quer construir casa sem sapata, Amigo Velho?”, questionou-me a sensata e moderada fonte.

Realmente, sem alicerçar bem a investigação, a casa cai – não para o investigado, mas para os investigadores. Sem as indispensáveis amarrações – delações corroboradas por checagens e documentos comprobatórios, por exemplo – é enorme a chance de incidir no processo um mais do que produtivo acionamento de algum soltador-geral.

Faz todo o sentido do mundo. Com prova provada, e não apenas deltânicas convicções, é quase impossível desmanchar o trabalho de uma equipe como a do nosso Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado, o aclamado Gaeco. Do qual todos esperam avanço e aprofundamento em todas as suas operações contra todos os corruptores e corrompidos ainda soltos e impunes. “Duela a quién duela!”.

É só esperar e não perder as cenas dos próximos capítulos.

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