Lustres da Assembleia custaram 50 vezes menos que o denunciado

Na falta de assunto mais relevante para abordar ou discutir, dois lustres que desde o ano passado adornam o teto da reformada Assembleia Legislativa da Paraíba fizeram esta semana a festa de parte da mídia local que se dedica a fomentar polêmicas de baixo nível ou clero com indisfarçado propósito de queimar o filme desse ou daquele agente político.

De carona nessa pauta, o deputado estadual Walber Virgulino chegou a propagar que cada um dos agora famosíssimos pendentes teria custado meio milhão de reais aos cofres públicos. E anunciou intenção de pedir CPI para investigar reforma e compras realizadas pelo deputado federal Gervásio Maia enquanto esse parlamentar foi presidente da Assembleia (2017-2018).

Em resposta, Gervásio disse que renunciaria ao mandato se Virgulino provasse que o Legislativo Estadual desembolsou R$ 1 milhão para pagar os lustres, mas desafiava o seu acusador a fazer o mesmo caso tal despesa, naquele montante, não fosse comprovada. Virgulino não topou o desafio, mas ainda hoje (4) movimentava-se freneticamente nos bastidores em busca de documentos que pudessem respaldar sua denúncia.

Não precisa mais procurar, deputado. Este blog vai poupar o tempo de Vossa Excelência logo mais, abaixo, para dar algum lustre de jornalismo à questão. O documento reproduzido a seguir mostra que cada lustre saiu por menos de R$ 20 mil. Mais: as duas peças não foram encomendadas pela Assembleia, mas pela empresa encarregada das obras da atacada reforma. Fazem parte do conjunto da obra, portanto, e, presume-se, do projeto aprovado pela Mesa Diretora de então, segundo outro documento confiado à editoria deste espaço.

Repare: após desconto, cada lustre ficou por R$ 18.337,27 (confira na linha reservada ao item Pendente Chandelie CH1004)

De qualquer modo…

Os pendentes poderiam ter custado ainda menos. Sairia por R$ 12 mil e pouco, cada, se adquiridos em outra praça. É o que mostra a foto abaixo. Mas aí Gervásio e seus defensores podem contrapor que a compra foi feita pela empresa e, por essa razão, “tem nada a ver”.

Tem a ver, sim. Afinal, no final das contas, quem paga essa conta somos nós, o distinto público, também conhecido como eleitorado, que muitas vezes elege gente que, realmente, “nada tem a ver”.

 

2 Comente Lustres da Assembleia custaram 50 vezes menos que o denunciado

  1. Daniel Disse:

    As compras efetuadas por empresas contratadas para obra de reformas devem seguir a mesma lógica quando contratadas diretamente pelo órgão público: três cotações de preços.
    Assim, previamente à contratação, no momento da estimativa de custos, devem compor a pesquisa de preços os orçamentos dos serviços e bens a serem contratados.
    Com o contrato celebrado, caso seja feito aditivo de valor diante de acréscimos de itens, novamente deve estar lá o orçamento para os novos itens contendo três preços.
    Então, houve com certeza desvios.

  2. Pingback: Blog do Rubão ‘implode’ fake news dos lustres da ALPB: “peças custaram 50 vezes menos do que o denunciado” | ExpressoPB

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