STF ‘DE BOAS’ COM A BOZOLÂNDIA

Quem deu a nota para o novo tom foi ninguém menos que o inexcedível Gilmar Mendes. Conhecido em algumas rodas como Soltador-Geral da República, ontem (30.9) o mais polêmico dos ministros do STF mandou prender. Prender geral as investigações sobre o Caso Queiroz.

O ministro atendeu a um pedido do senador Flávio Bolsonaro, investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por suspeitas de comandar um esquema de rachadinhas na Assembleia Legislativa fluminense nos tempos em que o 01 era deputado estadual.

Tal esquema, revelaram apurações, seria comandado pelo não menos famoso Fabrício Queiroz, assessor de Flávio, que atuaria como operador do recolhimento – em favor dos seus patrões – de todo ou quase todo salário que a Assembleia pagasse a quem o agora senador botava na folha do Legislativo estadual.

Antes da decisão dessa segunda-feira, prolatada (desculpem) por Mendes, em julho passado o indescritível Dias Tóffoli, no papel de presidente do Supremo e plantonista de recesso da Corte, já determinara a suspensão das investigações.

Argumento toffoliano: dados do finado Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre inexplicada dinheirama de Flávio e Queiroz teriam sido utilizados pelo MP do Rio sem autorização judicial.

Problema, segundo a defesa do senador do PSL: no Rio, ninguém deu a menor para o que Tóffoli ordenou e as investigações prosseguiram. Aí, o senador Flávio entrou com uma ação de cumprimento (ou algo do gênero) e o processo, que tem como relator Gilmar Mendes, encontrou nesse ministro o desfecho ideal.

Como diriam lá na Itália, pátria da Mani Pulite, não tem como dar em outra coisa. Afinal, ainda recorrendo aos italianos, quem está na planície não tem o que fazer. A não ser constatar e confirmar que lá, no Planalto Central, como dizem na Sicília, é tutti buona gente.

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