MEDICINA TOP NA PARAÍBA

Botaram na conta do saudoso Nilo Siqueira, pai, um conselho que teria alguma razão de ser em algumas áreas da Medicina que então se praticava em nosso Estado.

– Se você tiver uma dor de cabeça na Paraíba, amigo velho, tome um Melhoral. Se a dor de cabeça não passar, tome um avião e vá pra São Paulo – recomendaria o pai do jovem Nilo, que foi meu contemporâneo de bancos e balaustradas  no venerando Lyceu Paraibano e hoje é mui digno Doutor Promotor de Justiça em João Pessoa.

Mas a blague que trazia embutida certa descrença nos médicos paraibanos é coisa de meados do século passado, creio. Tiro pela lembrança de quando me reproduziram a suposta tirada do velho Nilo, à época já bastante conhecida e difundida. Foi no começo dos 70.

Não era assim ou nem tanto assim, dou meu testemunho. Porque agora e desde sempre a Paraíba vem acumulando ciência médica e assistência médico-hospitalar de qualidade. Evolução que tive oportunidades de constatar desde o tempo em que me entendo por gente e vim morar na Capital no final de 1971.

Ao longo dessa peleja, fundado na observação de leigo, óbvio, trago comigo a sensação de melhora substancial na Medicina da Pequenina. Com ou sem Melhoral. Digo assim baseado na minha experiência em internamentos de parentes em situação de risco. Tivemos aperreios que naquele tempo faziam muita família abastada da província seguir, sem hesitar um segundo, a ponderação meio envenenada do velho Nilo.

O Professor

Roberto Nóbrega, cardiologista

No caso dos Barbosa da Nóbrega, o clã a que pertenço, nunca foi fácil arranjar dinheiro para pegar avião e viajar pro Sul. Por lazer ou necessidade, não importa, demandava no mínimo uma vaquinha, empréstimo ou venda de bens. Como ocorreu, por exemplo, para bancar despesas de acompanhantes – eu e minha mãe, Dona Aparecida – na primeira revascularização do Professor Vicente, meu pai, em 1990.

Conseguimos operá-lo na Beneficência Portuguesa paulista. Melhor ainda: quem lhe botou mamárias, safenas e assemelhadas foi ninguém menos que o Doutor Euryclides de Jesus Zerbini. Pra se ter uma ideia, enfermeira de lá que me viu aflito por notícias imediatas após a cirurgia tranquilizou-me no ato. Desse jeitinho: “Não se preocupe, não, rapaz. Foi o Professor quem operou seu pai”.

Até então não tinha me dado conta por inteiro do tamanho do Doutor Zerbini. A forma como a moça referiu-se a ele, pronunciado cada sílaba da palavra ‘professor’, teve em mim efeito realmente tranquilizante. E mais tranquilo ainda fiquei quando soube depois, pelo próprio Vicente, quão importante e decisivo foi ter ido pra São Paulo sob encaminhamentos, exames, diagnósticos e laudos da cardiologia paraibana.

Cardiologia mui bem representada por Doutor Roberto Nóbrega (foto acima, à esquerda), que cuidou de Vicente desde quando o levaram da calçadinha de Tambaú, onde infartou, direto para a urgência do velho Prontocor de guerra do Tambiá.

Dá gosto contar

Passados sustos e perigos, doravante meu inesquecido pai não deixava passar oportunidade de ressaltar elogios que ouvira da equipe de Zerbini aos apontamentos, prescrições e recomendações de Roberto Nóbrega. Que daquela Copa do Mundo em diante transformar-se-ia também em anjo da guarda e zelador maior da saúde de quem tratava como paciente, lógico, mas, muito mais, como primo e amigo.

Graças a Roberto Nóbrega e colegas seus que elevam a cardiologia paraibana aos patamares mais altos de qualificação e conceito em todo o país, dá vontade até de pedir autógrafo, em vez de receita, quando tenho oportunidade de contato ou atendimento dos igualmente cardiologistas José Mário Espínola e Mário Toscano ou do nefrologista Sérgio Barbosa (foto à esquerda, abaixo) e outros que já me socorreram em precisões das grandes.

Da mesma forma, vibrando feito tiete, esta semana assisti Gerardo Rabello entrevistar em seu programa na Band local o Doutor Marcelo Queiroga. O cara foi eleito ano passado presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Ou seja, temos aqui na terrinha referência e líder de profissionais que há muito o mundo acadêmico e científico classifica entre os melhores do mundo.

Transplantes

Cássio Virgílio, cirurgião

Ainda esta semana, tive a chance de conversar com outra fera da Medicina. Refiro-me, desta vez, ao cirurgião Cássio Virgílio (foto ao lado), pioneiro do transplante de fígado, pâncreas e baço na Paraíba. Parece um menino, mas já atua nesse campo desde 2004, pelo que entendi, fazendo com refinadas competência e agilidade cirurgias do aparelho digestivo em geral ou de qualquer outro pedaço do corpo humano. De caroço na cabeça a hérnia, tá valendo.

Habilidades e expertises de gente desse tope certamente não vêm apenas do aprendizado nos cursos, da graduação à residência. Além da lida em consultórios e hospitais, cumulada com cátedras na Universidade, incrível como esses doutores não param nem cansam de aprender, de estudar e compartilhar o que sabem quando é preciso.

Cássio Virgílio, por exemplo, atendeu-me entre uma viagem e outra que faz na ponte aérea Jampa-Sampa. Está concluindo doutorado na USP e já projeta um pós-doc em Canadá ou Estados Unidos.

Quer ver outra?

– E transplante de coração, Doutor, já fazem na Paraíba? – quis saber outro dia, ao final de uma consulta.

– Maurílio (o cirurgião cardiovascular Maurílio Onofre Deininger) já fez uns dez, com sucesso. E deve voltar a fazer em breve, pelo que ouvi dizer – previu o Doutor Cássio Virgílio.

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