Policiais civis fazem vigília por colegas mortos

(Foto: Aspol-PB)

Primeiro ato seria nesta segunda em João Pessoa, mas foi adiado

Assédio moral, perseguição e o fato de receberem o pior salário do país da categoria a que pertencem teriam influência na morte de pelo menos 10 policiais civis da Paraíba nos últimos quatro anos.

É o que se depreende de notas e manifestações da Associação dos Policiais Civis de Carreira da Paraíba (Aspol-PB), que pretendia iniciar hoje à tarde, a partir das 17h, uma série de vigílias nas centrais de polícia em memória dos colegas mortos.

A primeira vigília seria realizada na Central de João Pessoa, no bairro do Geisel, na frente da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), mas, sob alegação de tempo chuvoso, foi adiada para uma nova data a ser divulgada em breve pela entidade.

Depois de amanhã (20), contudo, será realizada uma primeira vigília na Central de de Polícia Campina Grande, no bairro do Catolé. Na segunda-feira (25), será a vez da Central de Polícia de Patos, no bairro do Belo Horizonte. Nessa cidade, no dia 11 deste mês, faleceu o investigador criminal João Roberto Leandro Moreno. Segundo a Aspol, ele cometeu suicídio, terceiro caso no Sertão paraibano em menos de dois anos.

Ainda de acordo com a entidade, João Roberto estava em tratamento por estresse e a depressão. Sua morte é atribuída pela Aspol “ao trabalho exaustivo, ordinário e extraordinário, ao assédio moral e à perseguição, relatados por ele em vídeo (…), casos cada vez mais comuns entre os trabalhadores da segurança pública da Paraíba”.

Nota da Associação divulgada naquela data menciona ofício enviado um mês antes à chefia do Núcleo de Saúde Ocupacional da Secretaria de Segurança pedindo assistência psicológica para o investigador “e relatando as suspeitas de perseguição na instituição”. O órgão providenciou “acompanhamento” para o policial, informa a Aspol.

“A Associação tem feito várias campanhas de alerta contra o assédio moral, transferências injustificadas, e por condições dignas de trabalho, sobretudo, respeitando os trabalhadores da segurança pública, submetidos a essas situações precárias”, acrescenta, relacionando a seguir casos de suicídio e homicídio que vitimaram policiais civis no Estado desde 2015.

SUICÍDIOS

– Investigador João Roberto Leandro Moreno – Patos – 11/03/2019

– Delegada Tâmara Lenina – Patos – 05/04/2018

– Investigador Luciano Bonaparte – Patos – 24/10/2017

– Arnaldo Alcântara César – João Pessoa – 23/03/2017

HOMICÍDIOS

– Delegado Leonardo Machado – Uiraúna – 11/08/2018

– Investigador Jorge Leonardo de Oliveira – Piancó – 09/04/2018

– Investigador Klaus Cruz Lima – Patos – 29/01/2017

– Investigador Marcos Rosas – Arara – 03/10/2016

– Investigador Waldir Ponce di Leon – João Pessoa – 21/05/2016

– Investigador Marcos Vinicius Paulo – Puxinanã – 06/10/2015

  • Foi solicitado à Secretaria Estadual de Segurança e Defesa Social (Seds) que informe se instaurou algum procedimento para apurar denúncia de assédio moral e perseguição de que teria sido vítima o investigador João Roberto, de Patos. O blog aguarda resposta.
  • Matéria atualizada às 16h40

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  1. João asevedo Disse:

    Dr. se eu não fosse forte teria feito a mesma coisa deste policial.
    O governador colocou uma… pra administrar o porto de cabedelo e este pau mandado do joão azevedo tem conhecimento mas não tem moral pra resolver.
    Espero agora com o gaeco a comunidade portuária consiga resolver este problema.

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