Médico denuncia atraso no pagamento do Mais Médicos

E faz abaixo-assinado com apelo ao Ministério da Saúde

Depois de causar o fim do Mais Médicos para 8 mil médicos cubanos, antes mesmo de tomar posse, ao colocar sob suspeita a integridade pessoal e a competência profissional daqueles profissionais, o governo Bolsonaro vem atrasando o pagamento de quem ainda trabalha no programa.

Atrasos que motivaram protestos, denúncias e até mesmo um abaixo-assinado concluído ontem (1º) pela Change.org, uma das mais importantes plataformas do mundo dedicadas à mobilização online. Dirigido ao Ministério da Saúde, o apelo contido na petição foi lançado por um médico que se identificou como Abel e recebeu quase 7 mil apoiadores em menos de dois dias.

É o Doutor Abel quem conta, a seguir, a aflição e as incertezas com as quais passou a conviver após abandonar projetos e empregos anteriores para servir à população pobre e desassistida do interior de Santa Catarina. Ele e tantos outros que mudaram de vida e de cidade para trabalhar no programa criado em 2013 pelo governo Dilma e desde então demonizado pelo homem que hoje ocupa a Presidência da República.

Diga aí, Doutor

Em dezembro de 2018 eu, minha esposa e meus filhos viajamos 448 km até um pequeno município no interior de Santa Catarina. Estávamos de mudança, feita às pressas, pois tinha aderido ao programa Mais Médicos e já no dia seguinte iniciaria o atendimento numa UBS, que estava sem médico há algum tempo.

Estávamos bastante ansiosos. Um tanto preocupado. Será que daria certo? Não conhecíamos o lugar. Todos seriam estranhos. E nossos filhos? Se acostumariam com a nova vida? Minha esposa, se adaptaria? Contudo, logo nossas preocupações dissiparam-se. Fui muito bem recebido pela equipe de saúde do município e ainda mais pelos pacientes. Isso me fez sentir em casa. Também, matriculamos nossos filhos na escola local. Fizemos novas amizades. E tudo parecia bem.

Mas aos poucos surgia outra preocupação, e essa era financeira, pois tinha gasto com a multa rescisória do aluguel anterior, mudança, aluguel adiantado da casa nova, comprado parte da mobília (no aluguel anterior a casa era mobiliada) e muitas outras coisas. Havia feito empréstimo e precisava receber enquanto antes.

Bom, pra encurtar, a bolsa de dezembro atrasou. No entanto, pagaram na segunda quinzena de janeiro. A de janeiro também atrasou. Contudo, pagaram também na segunda quinzena de fevereiro. Alguns médicos, que como eu, entramos no programa no inicio de dezembro, receberam o primeiro pagamento somente em fevereiro. E há quem ainda não recebeu.

Alguns desistiram e outros estão desistindo por conta disso. E isso não é bom para a população nem para os profissionais!

Assim como eu, outros médicos também atenderam ao chamado do Ministério da Saúde, que consistia em iniciarmos o nosso trabalho o mais breve possível. E, de fato, a maioria quer permanecer no programa e continuar contribuindo de alguma maneira. Por isso peço, por favor, Ministério da Saúde: pague as nossas bolsas em dia!

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