Salário baixo ameaça fazer da Polícia Civil da Paraíba uma força de expressão, apenas

Governantes ignoram apelos e protestos dos policiais civis (Foto: Jornal da Paraíba)|

A soma de salário baixo (o pior do país) e idade elevada dos membros da Polícia Civil da Paraíba ameaça transformar a instituição em mera força de expressão, literalmente. Quando muito figurativa, incapaz de investigar e desvendar até mesmo casos de flagrante delito.

É o que pode acontecer em pouco tempo se o Governo do Estado não cuidar ligeiro de repor o efetivo ativo da Polícia Civil, que há dez anos gira em torno de 1.800 policiais (delegados, agentes de investigação, peritos, motoristas e escrivães, principalmente).

Detalhe: para prover minimamente “segurança pública e defesa social” digna desse nome para estimados 4 milhões de habitantes, a Polícia da Paraíba deveria ter pelo menos 8 mil homens e mulheres atuando apenas no contingente civil da velha Força Pública de guerra.

Nesse cálculo não entra a PM, que deveria ter mais de 17 mil humanos fardados e na rua, em sua grande maioria, e dispõe de pouco mais de 9 mil policiais, sendo que somente um terço do total faz o chamado policiamento ostensivo.

Mas, evidentemente, não basta ter gente trabalhando. É preciso valorizar de verdade esses trabalhadores. E valorização de verdade significa, em primeiríssimo lugar, pagar bem, decentemente. À altura do papel e da importância social dos nossos policiais civis e militares.

Valorizar pra valer é algo que o governo estadual não vem fazendo há três gestões distintas, pelo menos, do Maranhão I ao Ricardo II, passando por Cássio I e quase II. Ainda assim, pagar direitinho ou mais ou menos não resolve, ainda. Tem que treinar, qualificar a Polícia. De forma permanente e progressiva.

Eis uma política pública de governo que vai muito além de conceder penduricalhos em forma de “bolsa-desempenho”. É muito mais do que equipar, providência comezinha que na Paraíba serve à propaganda do gestor da vez e, vez por outra, às burras de quem fornece armas, munição, viaturas e tecnologias de comunicação atualizadas. A depender dos acertos, lógico.

Por essas e tantas outras, a Associação dos Policiais Civis da Paraíba (Aspol-PB) divulgou ontem (8) informações e dados (veja nas tabelas abaixo) que comprovam a penúria da remuneração dos seus filiados e representados. Comprovam e alimentam a expectativa de que os números sensibilizem o governador João Azevedo.

É pra sensibilizar mesmo. Porque Sua Excelência deve saber que há três anos ou mais os policiais civis paraibanos amargam constrangedora lanterna no ranking salarial brasileiro da categoria, conforme levantamento nacional. Pior: se o governo não agir, mais um pouco e a Polícia Civil da Paraíba será conhecida como “a menor força policial do mundo”.

Afinal, segundo previsão feita ainda em 2017 pela Associação de Defesa das Prerrogativas dos Delegados de Polícia Civil da Paraíba (Adepedel), ano passado estavam na agulha para se aposentar cerca de 90 delegados e 500 agentes.

Confirmadas tais aposentadorias, sem reposição no médio prazo a debandada reduzirá o quadro da Polícia Civil paraibana para menos de 40 por cento dos que ainda não se aposentaram porque sabem de uma coisa: pendurar o coldre significa perder cerca de 40% da merreca que recebem todo mês (R$ 1,6 mil no começo 4 mil e pouco em fim de carreira).

CONFIRA E CONFIRME NAS TABELAS ABAIXO A PENÚRIA SALARIAL DA POLÍCIA CIVIL DA PARAÍBA

Fonte: Cobrapol (Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis)

Fonte: Aspol (Associação dos Policiais Civis de Carreira da Paraíba)

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