Aliados de Bolsonaro querem aprovar já reforma da Previdência

Para facilitar a vida e a pauta econômica do próximo governo, caso Jair Bolsonaro (PSL) seja eleito domingo (28), a reforma da Previdência pode ser aprovada ainda este ano. Com isso, os maiores prejudicados serão assalariados de baixa remuneração e pobres em geral, muitos dos quais eleitores declarados do presidenciável do PSL.

A votação da reforma da Previdência em uma versão ainda mais dura que a proposta de Michel Temer seria uma exigência dos bolsonaristas para apoiar a reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) como presidente da Câmara. É o que revela a jornalista Daniela Lima, redatora da coluna Painel do jornal Folha de São Paulo, em sua edição de hoje (22).

Sob o título de ‘Pedágio’, a colunista informa exatamente o seguinte: “Aliados de Bolsonaro que têm conversado com Rodrigo Maia (DEM-RJ) sobre a sucessão na Câmara deram a entender que ele poderia ter o apoio do grupo que apoia o presidenciável para se reeleger comandante da Casa se aprovasse a reforma da Previdência ainda este ano”.

Maia resiste à ideia, porque teria que contar com os atuais deputados federais, muitos dos quais mal sucedidos nas urnas e sem poder de barganha junto ao governo Temer, que aceitaria ficar com o ônus da impopularidade para ajudar um eventual governo Bolsonaro a não praticar o que a oposição logo chamaria de “estelionato eleitoral”.

Estelionato porque seria enganar o eleitorado o fato de Bolsonaro não assumir publicamente uma posição que esclareça sobre reforma da Previdência e outras pretendidas por seu guru econômico, o banqueiro Paulo Guedes.  As informações disponíveis já publicadas e não desmentidas pelo candidato mostram que uma reforma da Previdência, nos termos já propostos por Temer, apontam desde sempre para aniquilação de direitos e benefícios da camada mais vulnerável da população e dos trabalhadores.

Mas a proposta Temer é considerada muito leve por alguns bolsonaristas e “uma porcaria” por Onyx Lorenzoni, provável ministro-chefe da Casa Civil da Presidência se Bolsonaro for eleito. Com isso, se levada adiante um projeto ainda mais radical de reforma da Previdência, certamente o que está no horizonte dos brasileiros não se limitará apenas a medidas como desvincular do salário mínimo dos benefícios previdenciários.

Entidades de trabalhadores preveem, com essa desvinculação, que serão perversamente afetadas as aposentadorias (por idade, por tempo de contribuição e por invalidez) e pensões, a licença maternidade, os auxílios em casos de desemprego, doença, morte e salário-família, por exemplo. Todos esses benefícios deixarão de ser reajustados ao mesmo tempo e nos mesmos índices de reajuste do salário mínimo.

Como se não bastasse, assim como os apoiadores de Temer, Paulo Guedes também defenderia a idade única (elevada) para aposentadoria, sem distinção entre homens e mulheres, sem atentar para as condições de trabalho para quem luta para sobreviver no campo ou na cidade de qualquer região do país.

Enquanto isso…

Assim como seus apoiadores do governo Temer, nem Bolsonaro nem seus orientadores mais próximos, como Guedes e Lorenzoni, falam, admitem, propõem alguma discussão ou sequer insinuam se, em vez de uma reforma ostensivamente prejudicial a quem ganha menos, vão fazer algo para cobrar de quem ganha muito e pode mais.

Todos desse círculo parecem ignorar ou fingem não saber que mais de 90% das empresas do país, começando pelas maiores, devem nada menos que R$ 426 bilhões ao INSS, valor três vezes maior do que o chamado déficit da Previdência. O dado (sem correção nem atualização) foi levantado há dois anos por um órgão do próprio governo federal: a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

Veja quem são os 20 maiores devedores no quadro abaixo, formatado por Eugênia Pessoa, do telejornal Repórter Brasil, da TV Brasil.

 

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