RONALDO MONTE

Ronaldo autografando ‘Manual Prático do Desaparecimento’, seu último livro. Lançado no dia 10 de julho último n’A Budega Arte e Café, em João Pessoa.

Ronaldo Monte é dessas pessoas que vêm ao mundo pra fazer bem aos outros. Sabe como é… Gente que faz a gente se sentir bem quando está com a gente. Ou, mesmo sem estar presente, é muito bom saber que ele está perto. Para chegar ou ao alcance de um chamado por qualquer meio ou motivo.

Podia ser pra nada ou tudo. Ter Ronaldo disponível para uma conversa à toa já era uma delícia. Imagine, então, papear sobre pessoas, coisas e feitos. Nossos, dos nossos mais chegados, dos amigos. E receber dele um sorriso de aprovação, uma careta engraçada de reprovação ou uma gargalhada de gozação?

Nada chega perto. E o que ficar mais próximo dá nem pra comparar. Um comentário, uma orientação, uma avaliação, e ainda mais com aquele jeitão Zé Wilker de falar, o que viesse dele era uma riqueza. Bem valiosíssimo imediatamente incorporado ao patrimônio afetivo que começamos a construir em 1993, quando o conheci chefiando o Gabinete do magnífico Neroaldo Pontes, na UFPB.

Desde então, amizades comuns, preferências e incontáveis eventos de toda sorte nos aproximaram cada vez mais. Geralmente em torno da palavra. A escrita, de preferência. Em verso ou prosa, que sendo dele coloco tranquilo entre as melhores que já li, leio e releio. E quando me refiro às melhores, tenham a certeza: o campo é largo, o céu é alto e o mar, profundo.

Espaços assim são dignos de Ronaldo. Que desde ontem foi “para uma outra dimensão”, como bem diz o clichê do clichê. Foi e deixou por aqui uma tristeza imensa e em mim uma dúvida eterna: se caí mesmo nas suas graças ou nas suas condescendências.

Condescendências de quem alivia nos julgamentos e sutilmente – sem bancar o Professor Doutor que era – repassa ensinamentos que mantêm a proximidade, reforçam as afinidades e agora me largam nessa vida com uma saudade que não cabe no mundo.

Um pouco mais

Ronaldo Monte de Almeida coordenava o Laboratório de Psicopatologia Fundamental do EPSI-PB (Espaço Psicanalítico da Paraíba).

Graduado em Psicologia pela Universidade Católica de Pernambuco (1975), era ainda Mestre em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba (1987) e Doutor em Teoria Psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1998).

Professor aposentado pelo Departamento de Psicologia da UFPB, além de psicanalista, poeta, cronista,contista e romancista.

Deixa viúva a sua Glória, Glorinha, e os filhos Raija, Aninha e Iandê que lhes deram quatro netos.

O velório foi aberto às 8h de hoje (16) na Morada da Paz, em João Pessoa. O sepultamento está marcado para 16h no Cemitério de Cabedelo.

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  1. Neroaldo Pontes Disse:

    Em estilo impecável, como sempre, Rubens deixa os corações falarem, o dele e os nossos. Para registrar a despedida, fora do combinado, de um amigo de tantos amigos, Ronaldo Monte, que nos deixou para sempre. O registro, de modo honesto, nos deixa Ronaldo presente nesta vida que ele tanto amou.

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