Estão desaparecendo vagas para idoso e deficiente nas ruas de JP

Na Visconde de Pelotas, vaga de cadeirante só com sinalização vertical, geralmente ignorada por motoristas comuns

A caminho dos 80, mas em plena forma física e de um vigor intelectual invejável, o Professor Menezes volta hoje (5) ao blog para denunciar o desaparecimento de vagas especiais para idosos e pessoas com deficiência em ruas e avenidas da Capital. Fato deplorável em uma cidade que aos 433 anos de existência parece abandonada pelo poder público quando se trata de fazer mais por quem pode menos.

Vaga de idoso apagada na esquina do Lagoa Shopping

O sumiço das vagas especiais nos estacionamentos públicos está denunciado em carta – reproduzida abaixo, na íntegra – na qual Menezes comenta artigo aqui publicado sobre a proibição de estacionar nos dois lados de ruas de mão única no entorno do Manaíra Shopping. Enquanto centenas de ruas também de sentido único – como Duque de Caxias, Visconde de Pelotas, General Osório e tantas outras do centro da cidade – possuem vagas de estacionamento nos dois lados.

É possível também encontrar mais um tanto de ruas em dezenas de bairros com mão, contramão e lugar para estacionar carro em pelo menos um dos lados. Mas, como bem observa o meu amigo Gosto Ruim, “nesses casos não há nenhum Manaíra Shopping nas redondezas ou quadradezas para merecer tantas distinções e privilégios concedidos pelas autoridades de trânsito do município”.

Na Monsenhor Walfredo Leal sequer placas de vagas especiais existem

Já o Professor Menezes considera que a diferença de tratamento dado a uma mesma configuração de trânsito na Capital é obra da Superintendência de Mobilidade Urbana (Semob), da Prefeitura de João Pessoa, que agiria para atender a interesses específicos que não são, evidentemente, públicos. Muito menos “republicanos”, reforçaria o filósofo Ricardo Coutinho.

O que diz o Professor

Caro Amigo,

Lendo o oportuno registro que você fez no dia 24 de julho passado sobre privilégios de trânsito nos arredores do Manaíra Shopping, lembro que a cessão de direitos públicos em troca de pequenos procedimentos do Excelentíssimo Senhor Grão Mestre daquele empreendimento vem de longo tempo e constitui uma lista até já bem respeitável, dado o seu tamanho e inconveniência.

Esse estado de coisas vem, decerto, da tolerância de alguns órgãos oficiais que permitiram a invasão das margens do rio Jaguaribe, em troca da ampliação do pavimento do Retão do Manaíra ou Avenida Flávio Ribeiro, daí seguindo em frente com a cessão da PMJP de área destinada à construção de uma praça, transformada em estacionamento dos súditos (lojistas) desse Grão Mestre e base do sistema de ar condicionado que atende ao território imperial.

Na Princesa Izabel, asfalto novo apagou – sem reposição – as vagas especiais

Agora, dando continuidade a um processo de ocupação lenta e, ao que parece, inexorável, vêm os condestáveis municipais ceder um pouco mais de espaço público para o desfrute do Grão Senhor, conduzindo-nos a uma situação única de expectativa sobre qual será a próxima concessão. Talvez venha por aí a ressurreição da proibição de instalação nas proximidades desse território de estabelecimentos comerciais capazes de concorrer com o soberano Califado.

Infelizmente, da Semob não temos muito que esperar, pois me parece ser de sua prática modificações de trânsito inconsequentes, talvez por ficarem pela metade ou por atenderem interesses específicos como a que provoca os registros em comentários ou a manifesta tolerância para com o descumprimento de cominações legais.

Dou como exemplo a reserva de vagas de estacionamento para idosos e deficientes que estão desaparecendo das vias públicas, como bem se pode comprovar em uma vista d’olhos – só como exemplo – nas avenidas Monsenhor Walfredo, Visconde de Pelotas, Princesa Izabel e muitas outras onde a sinalização horizontal há muito deixou de fazer essa delimitação.

E mais: onde elas ainda existem, talvez como fruto de demarcações antigas, são flagrantemente desrespeitadas, sem que apareça um só preposto do órgão de trânsito da Prefeitura da Capital para fazer cumprir a lei. Vide orla marítima e muitas avenidas e ruas do centro da cidade, como a Souto Maior.

Talvez o sr. (Augusto) Morozine (diretor de Planejamento da Semob) não se preocupe com situações menores como esta, das vagas especiais de estacionamento, por ter à sua disposição viatura oficial, com motorista próprio.

Todavia, vale lembrar que o cargo que ele ocupa e que lhe dá essa mordomia – e outras – é passageiro. Quando o Doutor Morozine e seus pares da Semob voltarem ao rés do chão já serão ou se tornarão idosos, talvez portadores de uma das muitas síndromes que justificam a concessão do título de deficiente físico.

Com um abraço do Professor Menezes.

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