O PAÍS NA ENCRUZILHADA, por Flávio Lúcio Vieira

(Foto: Evaristo Sá/AFP – El País)

Vamos raciocinar: os militares assumiriam o poder para quê? Para alterar a atual política que está jogando a economia do país no abismo? Para interromper as reformas, desfazer as que já foram feitas?

Só o discurso da ordem não é suficiente – aliás, a “desordem” atual é da iniciativa de grupos de ultra-direita que dominam o movimento dos caminhoneiros, associados ao reacionarismo das empresas que monopolizam o setor.

Nos subterrâneos desses movimentos, talvez encontremos interesses antinacionais que pretendem destruir por dentro (nos dividindo, estimulando o ódio) o Brasil e seu ESTADO-NAÇÃO.

Diferente de 1964, quando os militares deram continuidade ao intervencionismo estatal e havia ali um projeto de nação, hoje parte expressiva dos militares se converteu apenas numa correia de transmissão do neoliberalismo, vide Bolsonaro, que representa, se não o pensamento das Forças Armadas, mas de parte expressiva da oficialidade de baixa e alta patente.

O que há mesmo por parte da mídia – o Sistema Correio até faz campanha de doação para sustentar o movimento que hoje quase paralisa o país, vejam só! – é um inescrupuloso diversionismo, um esforço desesperado que tenta evitar que a esquerda capitalize politicamente com a crise, cujo face mais expressiva do modelo econômico atual é o descalabro da política de preços dos combustíveis.

Ao invés da crítica à politica de preços dolarizada dos combustíveis adotada pela Petrobras sob administração tucana, que impõe imensos sacrifícios à economia do país, tentam desviar o foco para o problema dos impostos, o que não apenas não resolveria o problema, como agravaria a crise social.

A DIREITA NÃO TEM O QUE OFERECER ATUALMENTE AO PAÍS, ESSE É E SEMPRE FOI O VERDADEIRO IMPASSE!

Suspender eleições? É claro que essa gente pensa nessa possibilidade, mas ela é cada vez mais improvável porque não apenas o debate eleitoral começa a ganhar corpo, como o povo espera pela eleição para dar o seu recado.

E não falo aqui de caminhoneiros, de servidor público, de bravateiros de esquerda e direita, da classe média. Falo das amplas maiorias silenciosas que ninguém quer escutar, mas que se movem invisíveis tentando sobreviver à crise. E elas sabem exatamente quem são os responsáveis.

A crise atual inflada pela mídia pode ser a última cartada daqueles que resistem em assumir o fracasso político e econômico do GOLPE.

Depois dela, talvez o óbvio se imponha e se estabeleça o entendimento (com ou sem a Globo, provavelmente sem) que tenha como primeiro pressuposto um governo legítimo, o que tem como condição a realização de eleições.

O segundo passo será consequência do primeiro: a eleição de um candidato com um programa desenvolvimentista. E de esquerda.

6 Comente O PAÍS NA ENCRUZILHADA, por Flávio Lúcio Vieira

  1. RADAR Disse:

    Induvidosamente esse articulista é um esquerdopata petista de um cinismo assustador e pensa que o Povo é besta. É repetitivo e busca empurrar na goela abaixo dos incautos e dos desinformados, uma plantação de engôdos e de inverdades. Um discurso fascista. Um cubano articulista.
    Quebraram a Petrobrás e nos submeteram a tudo isso, e agora aparecem, como sempre fizeram, travestidos de paladinos da verdade, querendo construir um discurso fantasioso, prá enganar besta.
    Acham pouco e ainda vêm num artigo abjeto como esse vomitar cinismo e apostar na não realização das eleições, simples assim, o ladravaz está preso e não têm candidato, não têm quadros, aliás nunca tiveram.
    Tentam esconder que o que nos ofereceram e nos legaram são os 13 milhões de desempregados, uma Petroleira quebrada, um Brasil inteiro quebrado. Petralhas !!!

  2. Severino Alexandrino Santos de Lima Disse:

    Meu caro Rubens Nóbrega, penso que a raiz de toda e qualquer crise no Brasil, advém, precisamente, dos “privilégios”, tanto na iniciativa privada quanto no poder público. Além de injustos, os “privilégios” de alguns ferem a dignidade do cidadão e afrontam princípios constitucionais indeléveis, como a isonomia, isso porque o objetivo constitucional de se construir uma sociedade livre, justa e solidária jamais poderá ser atingido, se alguns “privilegiados” ficam sempre ao largo e a salvo de todas as crises pelas quais o país passou, passa e passará. O caso do diesel é sintomático, não que os caminhoneiros sejam “privilegiados”, mas é inconteste que serão atendidos com o sacrifício de “quase” toda a sociedade; digo quase porque, certamente, os “privilegiados” legais não serão atingidos. Por isso, sugiro a promulgação de uma EMENDA CONSTITUCIONAL com vistas a alteração dos arts 1º, 3º , 37 e 39 para incluir no texto da nossa Carta Política a vedação de privilégios e a expressa obrigação (art. 1º , III) da construção de uma sociedade igualitária em direitos e obrigações e que a administração pública obedeça, como cláusula pétrea, ao lado dos demais princípios, ao princípio da isonomia, a ser expressa e claramente inscrito no texto da Carta Magna. Um forte abraço.

    • RADAR Disse:

      Discordo plenamente Severino. A Sociedade não tem o direito de escravizar ninguém, e muito menos aqueles que transportam o alimento de nossas famílias. Severino, o amigo olvidou que o caminhoneiro tem família, tem barriga como você, tem contas a pagar, tem escolas a pagar, etc. Então, não é privilégio. Eles estão defendendo a qualidade de vida, eles estão defendendo a extinção dos rebites e da cocaína nas boléias, eles querem e merecem salários dignos, e principalmente respeito.
      Note, nós outros vamos ter que ir a luta prá baixar o preço da gasolina e do GLP. E Você, vai a luta ?
      Nós queremos uma Petrobrás para o Brasil e não para os acionistas estrangeiros. Se uma empresa pública não serve a Nação, por que haverá de continuar existindo ?

  3. Marcos Tadeu Disse:

    As riquesas do país devem ser utilizadas para promover o bem estar dos brasileiros, mas sem previlégios, caso contrário qual o objetivo dessas empresas, beneficiar as elites e sufocando toda uma classe trabalhadora?

  4. Marcos Tadeu Disse:

    Porque um cidadão comum ganha um salário mínimo de fome desse e algumas categoria do serviço público como o judiciário e outras ganham tanto numa proporção de desigualdade absurda?

    • RADAR Disse:

      Marcos Tadeu,
      um deputado federal, apenas um, custa aos cofres públicos, mensalmente, R$ 350.000,00( salário fixo + verbas indenizatórias+verbas de gabinete) fora carro com motorista e tanque cheio + cabeleireiro + verba palitó + cafezinho + verba de passagem aérea + verba de postagens de carta + auxílio moradia, etc. ), além do almoço, jantar e lanche, realizados seja a onde for. Além do balcão de negócios e da roubalheira.
      Temos o congresso, o parlamento mais caro do Mundo e uma democracia somente deles e para eles. O que for combatido aí, é anti-democrático, é golpe, é ditadura.

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