AS CANDIDATURAS DE LUCÉLIO, por Flávio Lúcio Vieira

Lucélio e Luciano Cartaxo: apesar de gêmeos, são muito diferentes, eleitoralmente falando (Foto: Jornal da Paraíba)

Vamos juntando as peças.

Primeira peça: o anúncio da desistência do prefeito Luciano Cartaxo de concorrer ao Governo do Estado, feito através de uma carta intitulada “Mensagem ao povo paraibano”. Nessa carta, além das críticas sobre as quais não restou nenhuma dúvida a respeito de para quem foram dirigidas, ficou estabelecida a primeira ponte para o início de um diálogo com o candidato do PSB, João Azevedo.

Segunda peça: a entrevista, concedida no dia seguinte ao anúncio da desistência de Cartaxo, em que o secretário Zennedy Bezerra declarou que não havia mais alinhamento automático com os partidos de oposição e que o grupo liderado pelo prefeito pessoense iria decidir, agora sem muita pressa, com quem iria se coligar, não afastando, muito pelo contrário, deixando aberta como uma forte possibilidade a aliança com o PSB do governador Ricardo Coutinho.

Terceira peça: o anúncio da saída de Luciano Cartaxo do PSD para o PV. Além de evidenciar o desconforto com a permanência em um partido conservador, comandado aqui na Paraíba por um histórico cassista, o deputado Rômulo Gouveia, deu continuidade à passagem, iniciada no plano discursivo no dia do anúncio da desistência de Cartaxo − vamos reler a famosa carta? − com uma crítica severa à “velha política”. Para bom entendedor (acho que Cássio e Maranhão o são), duas palavras bastam, não é mesmo?

Com as três peças acima alinhadas, podemos tirar agora algumas conclusões a partir de um movimento recente que pode indicar um erro tático, talvez motivado pela pressa e pela raiva, no processo de afastamento de Luciano Cartaxo das “oposições” e no aceno para RC, feito, como escrevemos acima, imediatamente após o anúncio da desistência.

Mas fez isso, ao que parece, sem antes abrir um diálogo e negociar as bases de uma reaproximação.

Quando o erro foi percebido, seguiu-se o movimento do lançamento de Lucélio Cartaxo para o governo, o que, se exprime um certo improviso, parece ter dois objetivos entrelaçados: projeta o nome de Lucélio ao debate público ao mesmo tempo em que é colocada uma carta na mesa para futura negociação.

Como eu não acho que Luciano Cartaxo seja um político disposto a movimentos de risco, não considero que a candidatura de Lucélio seja mesmo para ser levada a sério.

Apesar de muito parecidos, em termos eleitorais, Lucélio, claro, não é Luciano, o que torna sua candidatura de difícil viabilidade e, portanto, de difícil aceitação para a oposição.

E por dois motivos óbvios:

1) a candidatura de Lucélio ao governo prolonga ainda mais a agonia da oposição, que continua na indefinição e chega a abril ainda sem candidato, enquanto João Azevedo corre solto toda a Paraíba.

2) considerando as circunstâncias, em que sentido a candidatura de Lucélio Cartaxo poderia ser melhor para a oposição do que, por exemplo, a de Pedro Cunha Lima?

Nós não sabemos qual o nível de desorientação política da oposição na Paraíba, por isso não dá para saber se essa cunha inserida por Zennedy Bezerra pode mesmo ser levada a sério.

Se for, é porque a oposição jogou a toalha, o que obrigará Lucélio a embarcar numa aventura e a sacrificar uma candidatura ao Senado com grandes chances de vitória, sobretudo se ele for capaz de agregar ao seu recall a estrutura de uma poderosa coligação − tem muita gente de olho nas vagas ao Senado na chapa de João Azevedo.

Cabe perguntar: se não foi para estabelecer o início de um diálogo com o PSB, por que o grupo do prefeito pessoense fez os movimentos mencionados no início desse texto, movimentos que só serviram para desgastar a oposição, ampliar as desconfianças e ajudar a ampliar o vácuo político, imobilizando-a ainda por mais tempo?

Enfim, falta ao que parece ao grupo de Luciano Cartaxo clareza na estratégia política, o que já se revelava na dubiedade no discurso do prefeito pessoense quanto ele próprio era o candidato a governador, candidatura que ele nunca assumiu de verdade.

Agora, depois de anunciar o fim da peça, Cartaxo volta ao palco para lançar a candidatura do irmão ao governo. Isso sem que ninguém saiba se ele abandonou o projeto original de se candidatar a deputado estadual − o possível substituto deve estar ansioso por essa decisão, pois herdará uma vaga na Assembleia praticamente certa. Ou se Lucélio pretende disputar uma das vagas ao Senado.

Recomenda-se que o grupo de Luciano Cartaxo abandone o blefe e a firula. Porque para enfrentar uma candidatura como a de João Azevedo, apoiada pelo prestígio político de Ricardo Coutinho e pela força da máquina política-administrativa, o improviso jamais será suficiente.

3 Comente AS CANDIDATURAS DE LUCÉLIO, por Flávio Lúcio Vieira

  1. Robson Disse:

    RC é quem mais tem blefado neste jogo. E seu prestígio político pode não ser tão grande quanto ele e o “analista” pensam. Agora numa coisa o “analista” tem razão: “pela força da máquina política-administrativa”. Realmente Ricardo tem feito uso dessa máquina muito bem, principalmente em proveito próprio. Que o digam as diversas AIJEs que tramitam (ou não! Parafraseando Caetano) contra ele. Resta saber se a nova comandante desta máquina vai usá-la em benefício de João.

    • Aluilson Bezerra Disse:

      É só andar pelo estado que se percebe que a Paraíba é outra é todos sabem a origem dessa mudança, mesmo assim vou colocar em palavras fáceis de entender, a mudança decorre da excelente administração do governador Ricardo Coutinho. Acho que o tempo das oligarquias acabou e o povo já percebeu, não adianta chorar.

  2. Maurilio Disse:

    olha o TSE. Tem que ficar de olho nesta postagem do ventiloco oficial que na maior cara de pau assume que a maquina do estado será usada na campanha do canidato natimorto João Azevedo ,mesmo o TSE.Tendo uma açao semelhante por abuso de poder contra o atual Governante este artigo deve ser juntado as açoes em julgamentos em Brasilia é lembrar que este cidadao e o ventriloco oficial do grupo politico do governador ora atacando adversarios ora bajulando canidatos oficiais uma vergonha

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