Maranhão vai pro Guinness

José Maranhão (Foto: Agência Senado)

Dentre os muitos erros cometidos em quase 45 anos neste ofício, um dos maiores foi ser duro e por vezes hostil com entrevistados eventualmente poderosos ou com chances de assumir o poder na Paraíba.

Sabe aquela coisa de mostrar que você é foda, “não abre nem prum trem” e bota pra quebrar em qualquer um, não importando se governo ou oposição? Já fui muito assim. Era um tempo em que inteligência e coração juvenis não se davam conta do quanto era infantil aquela atitude, na maioria das ocasiões.

Pois bem, reprisei na memória alguns momentos da minha pior boçalidade quando reencontrei ontem (5) o senador José Maranhão. No Restaurante Cannelle, minutos antes do lançamento da nova cara do ParlamentoPB, portal da jornalista Cláudia Carvalho.

Voltei a fita até 2006, ano em que Maranhão disputou pela segunda vez o Governo do Estado. Lembrei particularmente de ter entrevistado o cacique peemedebista em programa da TV Correio no qual perguntei porque ele não passava o bastão para algum expoente mais jovem do seu grupo político.

Visivelmente contrafeito, Maranhão respondeu algo como não ser candidato de si mesmo, mas dos apelos e expectativas de milhares de eleitores que o tinham na conta de grande administrador, além da pessoa mais certa para tirar a Paraíba do – à época, no dizer da oposição – ‘marasmo cassista’.

Evidente que naquele momento, talvez inconscientemente, embarquei no antagonismo entre “o velho” (Maranhão) e “o novo” (Cássio) açulado pela propaganda da campanha governista. Não enxergava talvez a única diferença significativa entre os dois: o tempo de vida de cada um sobre a terra e debaixo do céu.

Não atinava com o que hoje me parece muito claro: enquanto se mantiver lúcido e orientado, Maranhão jamais “vai passar o bastão”. Pelo simples fato de que vive de política, para a política ou, como escreveriam os cronistas de antigamente, “o homem respira política”.

É o que mais gosta e mais sabe fazer. É a sua cachaça; ao mesmo tempo, lenitivo e elixir. Há 63 anos. Feito que o torna digno de figurar como verbete do Guinness Book, o Livro dos Recordes. Deve ser o dono da mais longeva carreira política da história republicana deste país.

“Por que tirar isso dele?”, questiono agora, recordando que um dia antes, no mesmo restaurante onde o ParlamentoPB mostrou visual novo, o Professor Vicente, meu pai, contara-me mais uma boa história sobre Mãe Damiana, minha avó paterna.

Foi assim…

Meados dos setenta, vindo certa vez de Bananeiras para João Pessoa na companhia do saudoso Doutor Antônio Fialho Moreira, de quem era compadre, Professor Vicente resolveu passar na casa de sua mãe, que morava em Santa Rita.

Passar para rever, pedir a bênção e, se possível, fazer o compadre médico convencer Mãe Damiana, já viúva e beirando os oitenta, de largar aquele cachimbo tosco e fedorento que ela fumava duas ou três vezes por dia, após as refeições.

Doutor Fialho conversou meia hora com a minha avó, sob olhos e ouvidos atentos de meu pai, Que não viu nem ouviu uma palavra sequer de recomendação médica para a veneranda matrona abandonar o vício.

Encerrada a visita e de novo embarcados no Aero Willys que os levaria à Capital do Estado, meu pai mal esperou Fialho bater a porta:

– Mas compadre, tanto que lhe pedi… E você nem tocou no assunto!

Fialho, com aquela calma e sabedoria que Deus lhe deu, indagou:

– Vicente, quantos anos tem Dona Damiana?

– Uns 79. Por que?

– Ela passeia, viaja, sai de casa, vai às compras, visita parentes e amigos?

– Claro que não. Por que?

– Vicente, você acha mesmo que eu iria aconselhar uma pessoa como ela, com a idade que ela tem, a abrir mão do que ela mais gosta de fazer na vida que é fumar seu cachimbinho em paz?

Coincidência

Doutor Fialho deve ter sido amigo dos Targino Maranhão de Araruna, onde clinicou por muitos anos antes de migrar para Bananeiras, onde chegou a se candidatar a prefeito pelo velho MDB de guerra. Perdeu, lógico. Para Zé Rocha e Ramalho Leite, que somaram votos concorrendo por sublegendas da Arena, o partido da ditadura militar.

2 Comente Maranhão vai pro Guinness

  1. João Batista Dionisio. Disse:

    Oi Rubão tive o prazer de conhecer o Dr. Fialho, gente finissima, bem com o Vicentão. Frequentavamos o hotel de dona Alice único na cidade de Bananeiras, onde almoçavamos, la pelos anos 1970

    Dionisio.

  2. RADAR Disse:

    Rubão, o que quer um homem abastado, milionário, um dos maiores criadores de gado do Brasil, senador da república, com 85 anos de idade (!?) senão uma baita de uma pensão do Estado pobretão – Paraíba para família dele !!! já que está no lucro da idade.
    O que tem de positivo e o que ganhará o Estado pobretão com a candidatura e possível eleição desse Senhor !? verdadeiramente dono de um partido político !?
    Idoso milionário, que fazendo da Paraíba pobretona seu curral eleitoral, não mantém neste estado um só empreendimento gerando emprego !!!

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