Calçada da Beira-Rio muda de padrão em área mais pobre

Calçada muda de intertravado para piso comum quando chega na Comunidade Padre Hildon

Chama a atenção de quem anda ou passa pela Avenida Beira-Rio, em João Pessoa, a mudança do piso da calçada – em construção pela Prefeitura da Capital – imediatamente após o estacionamento do Hospital Unimed.

Do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), ainda na Avenida Duarte da Silveira, no Centro da cidade, até aquela altura da Beira-Rio, toda a calçada foi refeita e padronizada com pré-moldados de concreto conhecidos como intertravados.

Dali em diante, até próximo da Escola Municipal Leonel Brizola, a calçada nova segue em piso de cimento, de um lado e de outro da avenida. Nesse trecho, intertravado só existe na faixa estreita de orientação para deficientes visuais que fica no meio da calçada.

A mudança de um material para o outro coincide com a chegada da obra à calçada da Comunidade Padre Hildon Bandeira, onde residem pessoas de baixa renda, em sua maioria.

Queiram ou não, algo assim desperta em qualquer cidadão, começando pelo morador da Padre Hildon e vizinhos, a desconfiança de que o piso mais bonito e mais caro ficou reservado a quem mora ou tem comércio na ‘Beira-Rio nobre’.

Ou será que o piso mais feio e mais barato também vai passar pela Granja Santana e prédios próximos, onde residem aqueles que podem mais e choram menos?

O que diz a Prefeitura

Questionei o governo municipal. Em mensagem ao secretário Josival Pereira (Comunicação), perguntei qual a razão para aquela despadronização da padronização. Ele entrou em contato com quem de direito e retornou-me com a seguinte resposta:

Prezado Rubens, o projeto de padronização das Calçadas da Beira-Rio na área em que margeia o Rio, segundo Adalberto Araujo, da Semob, foi concebido da forma de concreto devido ao padrão do solo, mais suscetível a erosão. O intertravado permite infiltração e estaria mais sujeito a soltar e abrir pequenas aberturas no piso, exigindo mais serviços de manutenção.

Com todo respeito ao representante da Semob (Superintendência de Mobilidade Urbana), a informação não me convenceu. Difícil acreditar que um rio assoreado como o Jaguaribe atinja aquele piso com erosão ou infiltração. Ainda mais com margem distante 300 a 400 metros da calçada em obras, no mínimo.

Ainda mais com tantas casas e ruas construídas naquela comunidade – entre calçada e rio – há mais de 50 anos.

Diante do exposto, vou torcer para algum dia alguém me provar que a tal diferença dos materiais não reflete uma distinção de classes sociais feita por quem projetou e ordenou a obra.

2 Comente Calçada da Beira-Rio muda de padrão em área mais pobre

  1. Wilson Terroso Disse:

    Entendi que a infiltração se dá verticalmente pelas águas das chuvas e lateralmente pela velocidade delas, devido a curva em declive na localidade.

  2. prof Gogol Disse:

    Olá ,preciso do contato de Marcus Villar, o cineasta, do doc de Jackson, vc poderia me encaminhar um e-mail dele ? obrigado

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