Pernambuco dá exemplo de produção cultural sem bajulação

Capa do último número da revista Continente, de Pernambuco

Sobre o artigo ‘Massagear ego do governador custa caro ao erário‘, publicado no sábado (24), vai reproduzido adiante pertinente comentário do Professor Menezes. Em carta enviada ontem (27) ao blogueiro, o Mestre lamenta que o Governo da Paraíba não se espelhe no exemplo de Pernambuco, onde o poder público promove a cultura sem praticar qualquer ato de bajulação ou endeusamento do poderoso da vez.

A carta do Professor

Bom dia, caro amigo.

Sic transit gloria mundi.

Estava mentalizando algo relativo à presença do mencionado brocardo latino neste império girassoláico há já alguns dias, quando seu registro sobre os custos dos “rapapés” mais recentes me trouxe de volta à triste realidade em que vivemos.

Essa constatação me veio à mente ao receber o número mais recente da revista (excelente, por sinal) ‘Continente’, publicada pela Companhia Editora do Estado de Pernambuco (CEPE), que trouxe matéria sobre o nosso Wills Leal (cópia anexa), publicação que há tempos vem divulgando e valorizando aspectos, fatos e figuras da cultura, sem traços ou valorações políticas ou midiáticas.

Lá não é como cá…

Como você pode depreender pelo fac-símile da capa (também anexo) essa revista é parte de um projeto cultural que se desenvolveu em consonância com o pensamento governamental pernambucano de apoio e difusão cultural que busca não apenas a manutenção dos traços e manifestações as mais legítimas da cultura do Estado e sua gente, provendo, também, contatos com o que ocorre de marcante nesse campo, no Brasil e no Mundo.

Assinante antigo dessa revista, posso dar o meu testemunho de que nunca a vi distribuindo louvaminhas a políticos e seus áulicos.

Embora editada por um órgão da administração pública estadual, a revista Continente não é um oásis em um deserto de ideias, nem parte de um processo de “oba-oba” pois, como podemos verificar ao folhear suas páginas, ela é um dos frutos de um projeto editorial difuso e eficiente que há muito vem rendendo frutos de boa qualidade, como bem se vê da extensa lista das publicações que integram a longa lista de obras editadas pela CEPE.

Triste constatação que fazemos ao comparar a pujança desse projeto, com a nossa realidade editorial, que deu seus primeiros passos em um processo de degradação iniciado com a extinção do Jornal A União, um dos mais antigos do País, e hoje está imersa em um pântano do qual dificilmente poderá ser resgatada.

Infelizmente esta é uma triste constatação de que só nos resta a lamentação por esse panorama sombrio.

Estamos vivendo tempos de “administração da glória”, como dizia um filósofo político paraibano, traduzindo o brocardo latino para a nossa realidade.

Professor Menezes

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