Aberta a temporada de pesquisas picaretas

(Charge: Nova Notícia)

É tradição da política paraibana. A cada eleição que se aproxima, a população é assaltada por dezenas pesquisas sobre intenções de voto, algumas claramente feitas sob encomenda para levantar a bola desse ou daquele postulante ao cargo mais alto em disputa na temporada.

Nos estertores de 2017, por exemplo, a inteligência coletiva foi bombardeada (em alguns casos, insultada) por uma série de patranhas do gênero que não resistiriam nem mesmo a uma checagem superficial. Porque seus mentores e operadores não passam de bilontras que armam resultados ao gosto do freguês, não de acordo com o que possam ter apurado na rua.

Isso, quando apura de fato. Quando pelo menos contrata e coloca pesquisadores para entrevistar cidadãos sobre suas preferências ou expectativas eleitorais. Tem gente do ramo que sequer se dá ao trabalho. Ou ao gasto. Faz assim: reúne seu bando em uma sala refrigerada e distribui formulários da pesquisa para preenchê-los naquele momento. Nos termos do acerto com o contratante ou patrocinador.

Ainda bem – ou menos mal – que desde o dia 1º as chamadas pesquisas de opinião pública envolvendo a peleja de 2018 têm que ser obrigatoriamente registradas na Justiça Eleitoral, com no mínimo cinco dias antes de ser divulgada pela mídia. É pra dar tempo de o Ministério Público Eleitoral, candidatos e partidos consultarem os dados entregues pelo fazedor da pesquisa e, sendo o caso, impugnar registro ou divulgação.

Mas registro algum ou ausência de impugnação garante a integridade e a lisura dessas pesquisas, com as honrosas exceções de sempre. Especialmente por aqui, na região e no Estado. No Nordeste em geral e na Paraíba em particular, não tenham dúvida, é uma grandeza o que tem de instituto picareta.

E o pior, a julgar pelo que informa o próprio TSE. “Divulgação de pesquisa fraudulenta constitui crime, punível com detenção de seis meses a um ano e multa no valor de R$ 53.205,00 a R$ 106.410,00”, diz a lei. É muito pouco. “Isso lá é dinheiro!”, dizem lá em Bananeiras.

Especialmente quando a gente sabe – ou pelo menos desconfia – que esses custos são um nada para quem banca tamanha safadeza com dinheiro público.

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