Greve de peritos retém 10 corpos e adia mais de 700 exames

Em razão da greve de 24 horas de peritos oficiais, técnicos em perícia e necrotomistas, pelo menos 10 corpos de pessoas mortas pela violência na Paraíba ficarão retidos nesta quarta-feira (27) no Instituto de Polícia Científica (IPC), em João Pessoa, e nas demais unidades de perícia criminal no interior do Estado.

A informação foi divulgada por Herbert Bóson, presidente do Sindicato dos Peritos Criminais da Paraíba (SindiperitosPB), acrescentando que 711 exames periciais deixarão de ser feitos durante o período de paralisação que começou às 8h de hoje, em protesto contra baixos salários e condições precárias de trabalho da categoria.

Quase 90% dos policiais civis do Estado também estão parados hoje. Com isso, estão prejudicados os serviços de agentes de investigação, motoristas e escrivães, que deixam de realizar diligências, mandados de busca e apreensão, mandados de prisão, serviços de cartório e operações policiais diversas.

“Estamos mantendo apenas os 30% do efetivo para atendimento de situações emergenciais de flagrante delito”, informou Suana Melo, presidente da Associação dos Policiais Civis de Carreira da Paraíba (AspolPB), em entrevista à CBN João Pessoa, na qual criticou ordem transmitida aos delegados pela cúpula da Secretaria de Segurança Pública para que monitorem a paralisação e anotem os faltosos.

Ela lembrou que os gestores do órgão foram comunicados formal e antecipadamente acerca da paralisação desta quarta. A Aspol, garante, organizou a mobilização de acordo com o que prevê a lei para movimentos paredistas em categorias essenciais do serviço público.

Devolução de coletes vencidos

A Aspol está mobilizando ainda seus filiados para que devolvam coletes balísticos vencidos ou com danos que ponham em risco a integridade física e a vida dos policiais em operação. A devolução segue, inclusive, recomendação feita em junho deste ano pelo Ministério Público do Trabalho na Paraíba (MPT-PB).

À Secretaria de Segurança e Defesa Social (Seds) o MPT recomendou há seis meses que não exija nem permita policiais em operações e ações de combate a criminosos, no campo, portando coletes balísticos com prazo de validade vencido, sob pena de responder a medidas extrajudiciais ou ações judiciais cabíveis.

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  1. Antonio Carlos Ferreira de Mélo Disse:

    Essa situação de precariedade das condições de trabalho dos órgãos públicos na PARAÍBA é cronica. Não é só a Policia Civil não, na mesma situação temos a EMATER, EMEPA, INTERPA, e a própria SEDAP, que foram sucateadas e prejudicaram muito o setor agropecuário, essas três ultimas, não tem custeio e estão na inercia ha muito tempo. Lamentável, porque o setor agropecuário foi o que na campanha política, mais recebeu promessas de melhoria, e no entanto é o mais prejudicado.

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