Fotos revelam condições degradantes de trabalho dos peritos criminais no Estado

Além da paralisação no próximo dia 27, confirmada ontem (21) por assembleia geral da categoria, os peritos criminais do Estado decidiram também não mais usar os materiais de trabalho comprados do próprio bolso como mais uma forma de protesto contra as precárias condições de trabalho que enfrentam na Paraíba.

“Tudo que usamos hoje no local de crime é adquirido pelo perito. Todo material usado nas cenas de crime somos nós que compramos com nosso salário. Temos uma das melhores pericias do Brasil, mas o pior salário e as piores condições de trabalho”, disse um perito ao blog.

Ele revelou também que as maletas de perito com que fazem seu trabalho na cena do crime custam em média R$ 1.500 com todo o material. Isoladamente, sem insumos e instrumentos, uma maleta custa R$ 400.

Teto minando água

Até aqui, os peritos do Estado tiveram que realizar gastos como esse porque o material que o governo deveria fornecer ou está faltando ou está vencido. Além disso, as maletas que a Secretaria Estadual de Segurança Pública entregou à perícia criminal datam de 2011.

As maletas foram adquiridas pelo Governo Federal e entregues sem material aos peritos. Material até hoje não reposto pela Secretaria, acrescenta o perito, que cedeu as fotografias aqui reproduzidas, reveladoras das condições de trabalho no Instituto de Polícia Criminalística (IPC), em João Pessoa.

Mofo e infiltrações no banheiro

Parede rachada

Fotos que mostram, entre outras coisas, “condições insalubres do alojamento dos peritos criminais com rachaduras e infiltrações nas paredes, armários e baús de madeira comprados por nós onde guardamos nossos pertences e vestígios coletados em locais de crimes como projeteis com sangue etc.”.

Scanner empacotado

Em postagem aberta em redes sociais (reproduzida abaixo, à direita), o perito criminal Flávio Fabres revelou ontem (21) que pediu demissão do cargo no Estado, entre outros motivos, porque até papel ele e seus colegas tinham que comprar do próprio bolso para fazer laudo.

Mas essa, pelo visto, é apenas uma das condições degradantes com que trabalha a perícia criminal na Paraíba sob o atual governo, que segundo profissionais da categoria lhes paga o pior salário de todo o país para um serviço considerado de excelência.

Flávio Fabres conhece bem essa realidade. Antes de pedir exoneração, ele foi gerente-geral do Numol, o Núcleo de Medicina e Odontologia Legal do IPC.

 

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