Shopping reúne artistas, garante que não constrangeu drags, mas é contestado

Drags no shopping (Foto extraída de vídeo divulgado por A Liga Gay)

Representante d’A Liga Gay diz que esperava pedido de desculpa

O Mangabeira Shopping informou hoje (19) que em reunião na noite de ontem (18) com membros d’A Liga Gay ficou demonstrado que drag queens não foram constrangidas na última sexta-feira (15) quando tentaram gravar vídeo no interior daquele complexo.

Segundo nota que a administração do shopping divulgou nesta terça, imagens do circuito interno das câmeras de segurança comprovariam que “em nenhum momento houve desrespeito com os artistas, que gravaram um filme dentro do estabelecimento”.

No encontro, ainda de acordo com a nota, o Mangabeira reafirmou que “o contato prévio com o setor de marketing é um procedimento padrão de segurança que deve ser seguido para toda e qualquer manifestação artística ou cultural que não seja promovida pelo próprio Shopping bem como em caso de uso de adereços, máscaras e fantasias”.

As imagens do circuito interno estão à disposição de qualquer interessado, garante o shopping, acrescentando que o grupo com o qual a administração se reuniu nessa segunda à noite também foi informado de que procedimento semelhante foi adotado quando um coral de crianças tentou fazer uma apresentação natalina no Mangabeira.

Outra versão

Procurada para se manifestar sobre a nota do Mangabeira Shopping, o grupo A Liga Gay indicou Mike Fonseca para se pronunciar. No começo da tarde de hoje, ele enviou ao blog o seguinte esclarecimento:

Boa tarde, Rubens. Então, na noite da última segunda (18), tivemos sim uma reunião com a equipe de marketing e o gerente comercial do shopping, porém a todo momento eles apenas justificaram o ocorrido, sempre com base na regra que não pode entrar caracterizado no shopping sem contato prévio.

Isso não seria um problema se o shopping tivesse em algum momento exposto essa regra para clientes, consumidores e usuários, porém ninguém tem conhecimento dessa norma, além do fato de que em outros shoppings da capital não tem essa exigência.

Não havia, portanto, como elas saberem dessa necessidade de contato prévio. O objetivo delas era apenas de tirar umas fotos caracterizadas de Mamãe Noel, outro ponto que abordamos na reunião foi o comportamento da equipe de segurança. Vou esclarecer algumas coisas que ainda não foram expostas.

1º. Foi solicitado a elas que falassem com o MKT, para isso elas tiveram que ir até a parte de trás e pegar o elevador que dá acesso ao setor administrativo. Chegando lá não havia ninguém para atendê-las; então, elas tiveram que descer novamente. Ao chegar no térreo, elas tentaram sair do shopping pela porta da frente, já que foi por onde entraram e é na frente que tem o ponto de ônibus e táxi, porém foram impedidas de passar por dentro do shopping para ter acesso a outra saída, dessa forma ficaram do lado de fora e teriam de fazer o contorno no shopping pelo estacionamento para poder ir para a parte da frente.

2º. Após isso, um representante do MKT chegou e liberou o acesso; porém, a todo momento os seguranças ficaram ao redor delas, inclusive falando coisas como “vocês estão atrapalhando nosso trabalho” ou cerceando-as, impedindo elas de acessarem outros pontos do shopping; ao fim, quando terminaram as fotos, foi solicitado que elas saíssem e que essa saída fosse pelo acesso de trás.

Durante a reunião eles apenas reforçaram o que já haviam exposto na nota de esclarecimento que publicaram nas redes sociais do Shopping, mas em momento algum mostram que estavam arrependidos da forma como procederam ou de como a situação foi levada.

O mínimo que esperávamos era um pedido de desculpas pelo ocorrido e até isso eles esperaram que elas pedissem para eles fazerem esse pedido de desculpas, não foi algo feito de forma natural. Hoje, na nota que eles publicaram, o intuito foi tentar mostrar que o shopping tentou algum diálogo, porém o que houve na reunião foram apenas justificativas e não uma tentativa de reparo do erro cometido.

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