PEDRO CORREDOR E OUTROS TARADOS

(Imagem por mera ilustração: Pauta Extra)

Se existe ou existiu uma “crônica policial” na imprensa paraibana, o seu cronista maior foi sem dúvida Juarez Félix, com quem trabalhei em meados dos anos 70 no saudoso jornal O Norte.

Redator e editor da ‘página policial’ do então carro-chefe dos Diários Associados na Paraíba, suspeito até hoje que foram obras da criatividade de Juarez alguns dos bandidos mais misteriosos ou mais perigosos da João Pessoa que passei a conhecer quando aqui cheguei em dezembro de 1971.

Três anos depois, convivendo com ele na redação de O Norte, impressionava-me como Juarez conseguia encher uma página de jornal inteirinha de notícias mesmo quando bastante reduzida a produção de José de Souza e Marcone Edson, o Chapéu de Coro, repórteres da ‘Editoria de Polícia’.

Quando iniciei no jornalismo, em abril de 74, Juarez já dominava o ofício há pelo menos um decênio. Tinha, portanto, manhas e artimanhas para transformar em manchete qualquer fato violento – mesmo o mais comum – ocorrido na região metropolitana da Capital ou no interior do Estado.

Não é difícil, portanto, desconfiar que tenham saído da cabeça de Juarez e de sua capacidade de impactar leitores muitos dos estupros creditados, por exemplo, ao lendário Pedro Corredor, de quem desde sempre ponho em dúvida a existência material em razão mesmo de tantos crimes a ele atribuídos.

Além do mais, para completar a pior bizarria agregada à lenda urbana protagonizada por Pedro Corredor, em privado Juarez e outros colegas gostavam de destacar a “folha corrida” do tarado real ou imaginário. “A ficha do homem é enorme, do tamanho de sua tira de bolo”, diziam veteranos do meio que adoravam impressionar ou zoar o foca aqui.

A coisa seria de tal proporção que Pedro gerou histórias inverossímeis até mesmo após sua duvidosa morte. Uma delas é particularmente impressionante.

Contam que o corpo do “maior tarado de todos os tempos”, jamais reclamado por qualquer parente, foi cedido pelo antigo IML (Instituto Médico-Legal) a pesquisadores pretensamente interessados em descobrir se Pedro Corredor era mesmo capaz de cometer as barbaridades em série que lhe eram creditadas.

Propagadores da possível lorota argumentavam que a doação do cadáver possibilitaria à ciência esclarecer como o ‘monstro’ conseguia fazer funcionar a monstruosidade que tinha entre as pernas. Afinal, seria necessário concentrar quantidade de sangue tão incrível na genitália que todo o resto do corpo – coração, principalmente – ficaria desguarnecido. Daí…

Não sei em que deu a pesquisa, mas se foi real é bem capaz de ter mostrado que Pedro Corredor muito provavelmente foi protagonista de crimes impossíveis. Tanto por impossibilidade fisiológica quanto autoral.

E tudo graças à inventiva de um Juarez Félix ou de um Enoque Pelágio, criador do imbatível ‘Dramas e Comédias da Cidade’, programa líder absoluto de audiência da radiofonia paraibana nos sessenta e setenta do século passado, levado ao ar de segunda a sexta-feira, ao meio dia, pela velha Rádio Arapuan de guerra.

Alguns outros ‘tarados’ de menor fama podem ser debitados na conta de Enoque, mas deles cuido em próximo capítulo do que vai se apresentando como uma série.

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