Prefeitura sempre explica e justifica Trauminha, mas nunca resolve

Superlotação e macas nos corredores: rotina no Trauminha (Foto: ParlamentoPB)

Nos últimos dois anos, o Trauminha de Mangabeira, hospital mantido pela Prefeitura de João Pessoa, foi vistoriado pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) pelo menos três vezes, a última das quais na segunda-feira (7), quando encontrou praticamente os mesmos problemas de maio de 2015, marco inicial de período pesquisado pelo blog.

Falta de equipamentos e de medicamentos, manutenção do prédio em situação precária, superlotação e até banheiro sem portas foram alguns dos problemas constatados há dois dias pelo CRM no Trauminha. Em 12 de maio de 2015, dirigentes do Conselho foram lá para ver – e viram – falta de equipamento e de medicamentos, manutenção do prédio em situação precária, superlotação e idosos em macas próximas de banheiro ou nos corredores.

Pouco menos de um ano após aquela data, o CRM voltou ao Trauminha para verificar se a Prefeitura tomara as providências recomendadas para sanar as irregularidades e insuficiências apontadas em relatório encaminhado pelo órgão fiscalizador. Na época, médico João Alberto Pessoa Morais, diretor de Fiscalização do Conselho, verificou que a lentidão na realização de cirurgias de maior complexidade e a falta de medicamentos persistiam.

Nos cálculos de então do CRM, “cerca de 50 a 60%” de reparos e melhorias haviam sido feitos pela Prefeitura, mas o hospital continuava trabalhando fora do padrão de atendimento. Mesmo assim, naquela oportunidade, em entrevista à imprensa local, o diretor de Fiscalização descartou a interdição do Trauminha, sob o argumento de que era possível amenizar os problemas e com isso evitar uma interrupção de serviços.

Pelo visto, é com isso que contam a Prefeitura da Capital e sua Secretaria de Saúde. A exemplo das vezes anteriores, anteontem, logo após a visita do CRM e a divulgação do que foi visto no Trauminha, o governo municipal, por seus porta-vozes oficiais e oficiosos, veio a público dizer que somente se pronuncia sobre a questão após receber um relatório formal do Conselho. Enquanto isso, ganha tempo explicar, justificar… Mas resolver, que é bom, nada!

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