Agressões a árvores são frequentes em JP

Árvore sofre agressão e vira cabide em canteiro de JP (Foto: Andréa Batista)

É um organismo vivo, mas parece um cabide para pendurar objetos. Em um dos canteiros mais tradicionais de João Pessoa, uma árvore exibe vários adereços, que foram afixados com pregos. Cada furada é uma porta de entrada para fungos, bactérias e parasitas, que podem causar doenças e levar à morte. Isso acontece frequentemente numa cidade que já foi chamada, mesmo sem respaldo científico, de a mais verde do Brasil.

A árvore das fotos está plantada no canteiro central da Avenida Tabajaras, no Centro da Capital. O chefe da Divisão de Arborização e Reflorestamento (Divar), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Seman), disse que o órgão tomaria uma providência em relação a essa agressão.

“Isso é muito prejudicial para a árvore. Vamos ver se identificamos quem colocou. Vamos ao local para fazer a retirada dos objetos e acompanhar a árvore. Se a pessoa responsável por essa agressão fosse pega em flagrante, poderia ser até presa. Caso consigamos identificá-la será notificada para nunca mais fazer isso”, disse Anderson Fontes.

Agressões como essa são frequentes em João Pessoa, segundo Anderson Fontes. Ele alerta que, além de ser uma crueldade, é crime ambiental e, dependendo da importância da árvore, o agressor pode ser autuado e até preso.

As punições estão previstas na Lei 9.605/98. A multa pode ser de R$ 500 a R$ 50 mil, caso se trate de um indivíduo histórico, que seja símbolo de um lugar. O problema é que é muito difícil fazer o flagrante da maioria das agressões, a não ser no caso de uma poda, que, se não autorizada, pode render punição ao cidadão mesmo que a árvore esteja na calçada dele.

Segundo Anderson, entre as agressões verificadas estão descascar o tronco para desenhar corações e iniciais de namorados, colocar tampinhas de garrafas nos troncos e colocar pregos para pendurar coisas. Anderson Fontes diz que a Prefeitura gasta R$ 500 mil, por ano, com tratamentos para as árvores, muitos deles feridas causadas pela ação humana.

O engenheiro agrônomo alerta para o sofrimento das plantas e avisa que a Semam faz poda de árvores que estejam oferecendo algum perigo, de graça. Caso a árvore não apresente risco iminente, o serviço pode demorar. A Semam também não faz poda de embelezamento. O telefone para pedir a poda é 3264-1680.

Andréa Batista, jornalista

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