A cada seis dias, um paraibano é resgatado da escravidão

No País, mais de 43 mil trabalhadores foram resgatados em 14 anos (Foto: MPT)

Procurador do Trabalho afirma que a Paraíba tem a infeliz ‘vocação’ de exportar mão de obra escrava

A cada seis dias, um paraibano (de nascimento ou residência) é resgatado do trabalho escravo em algum lugar do País. A média foi feita com base nos dados do Observatório Digital do Trabalho Escravo no Brasil, lançado no último mês de maio, pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A plataforma integra o conteúdo de diversos bancos de dados e relatórios governamentais, produzidos entre 2003 e 2017. Nesses 14 anos, dos mais de 43 mil trabalhadores resgatados no País, 478 eram nascidos no Estado e outros 362 egressos residiam aqui.

O município que mais exportou trabalhadores para a escravidão foi Patos, no Sertão paraibano, com 64 egressos naturais e 67 residentes. Também aparecem nas primeiras posições as cidades de Pombal, Araruna, Picuí, Manaíra, Juripiranga e Cuité.

Ações repressivas e preventivas
O procurador Raulino Maracajá afirmou que o Ministério Público do Trabalho na Paraíba atua em “ações repressivas e preventivas para de alguma forma diminuir e erradicar essa chapa, que infelizmente também existe no Estado”. Na Paraíba, aconteceram três operações, com 52 resgatados, sendo 31 na cidade de Boa Vista e 21 em Serra Branca.

“A Paraíba se encaixa nessa problemática e é conhecida como exportadora de mão de obra. Realmente, os trabalhadores saem daqui para serem explorados em outros Estados da Federação. Digamos que é a nossa principal ‘vocação’, infelizmente”, afirmou Maracajá.

Mas, ele disse que há casos de exploração no Estado e, quando o MPT recebe denúncias, diligencia para que um dos grupos móveis de fiscalização que percorrem todo o Brasil verifique a situação denunciada. Ele garante que o órgão atua no recebimento de denúncias com os procedimentos específicos para cada caso: inquéritos, celebração de TACs (ajuste conduta), ações civis públicas

“Mas também atuamos de forma preventiva, através de campanhas publicitárias para que os trabalhadores para que não caiam nessa armadilha. Tentamos mostrar o que é o trabalho escravo, que para muitos não existe. Foi feito um convênio com a Fetag (Federação dos Trabalhadores em Agricultura) para que, saindo um ônibus, um caminhão com trabalhadores para outros Estados, os sindicatos nos avisem para que tentemos impedir. Vem dando certo e até serviu de modelo a outros Estados”, disse.

  • Andréa Batista, jornalista freelancer

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