Após alertas de Sarmento, começam as providências para corrigir a Transposição

Governo prometeu aumentar vazão de menos de 2 m³/s para 4,5 m³/s a partir de sexta-feira (24)

Graças ao relato e alertas do Professor Francisco Sarmento sobre problemas nos canais, barragens e estações de bombeamento do Eixo Leste da Transposição, autoridades estaduais e federais agora correm para providenciar consertos e aumento da vazão da água do Rio São Francisco que chega à Paraíba.

Avaliações e informações nesse sentido fazem parte das dezenas de comentários às matérias do blog sobre precariedades da Transposição e a ameaça de água sanfranciscana não chegar ao açude de Boqueirão, que abastece Campina Grande e região, por bombeamento e vazão insuficientes, conforme constatou e advertiu Francisco Sarmento, um dos maiores especialistas do país em recursos hídricos.

Alguns desses comentários vão resumidos a seguir também para confirmar o apreço e o respeito de cidadãos de variadas idades e tendências para com o trabalho, o profissionalismo e a contribuição de Sarmento à efetividade da Transposição e dos benefícios que a população paraibana e de estados vizinhos espera. Acompanhem.

Comentários e depoimentos

Everton Meireles: “Como campinense com família aqui residindo quero exaltar a valorosa contribuição desse professor quando fez seu relato. Olhando a Internet depois daquela publicação e a divulgação que alcançou depois de publicado no Blog do Rubão vejo que tanto o Ministério da Integração quanto a AESA daqui da Paraíba se mexeram: consertaram bombas, estão enchendo mais rápido as barragens (pelo menos é o que dizem), a AESA finalmente declarou que mandou técnicos medirem a vazão que tá chegando a Paraíba (vejam o absurdo, nem isso tinham feito) e reafirmam a chegada da água para 15 de abril em Campina Grande. (…) Se o professor não tivesse dado o alerta no último dia 20, estariam todos parados, aliás, como sempre.

Amanda Lira: “Bom, é só olhar a Internet para vermos que não se fala em outra coisa! Agora está todo mundo tomando providencias!!!!! Mas me respondam uma coisa, por que não tomaram antes????? Que país triste!!! Precisa haver uma denúncia para começarem a trabalhar direito???? Obrigada, professor Sarmento”.

Cássio Vasconcelos: “Gente, é só pensar com calma, que encontraremos uma situação lógica: seria politicamente interessante se esse racionamento de água fosse finalizado; portanto, se ainda no foi, é porque o professor Sarmento está correto, existem sim sérios problemas. Mas como ele mesmo disse, são problemas solucionáveis. A grande questão de tudo é que, ao invés de criticá-lo, os responsáveis por resolver a situação deveriam reconhecer os problemas e resolvê-los. Mas são tão incompetentes que preferem atacar a pessoa do professor Sarmento, que, pelo que percebi, está tentando ajudar e abriu os nossos olhos para a realidade que estava escondida aos leigos. Mas é assim mesmo, é comum vermos que, quando falta competência para argumentar, parte-se para atacar o lado pessoal. Que coisa feia! O que eu acho mesmo é que o Brasil precisa de mais professores Sarmento”.

Ana Marques: “Quando as dificuldades e carências da população não são sentidas na sua plenitude por todos e quando falta a compreensão cientifica, estudada e aprimorada com dedicação, profissionalismo e conhecimento ímpar, restam críticas desabonadoras com o objectivo de pôr em causa o conhecimento e a preparação de um profissional qualificado, com mérito reconhecido e dedicação inquestionável à melhoria da qualidade de vida das populações”.

Newton Mota: “Só se atira pedra em árvore que dá bons frutos. Está aí um belíssimo exemplo. A desqualificação do trabalho técnico de altíssima relevância para o Nordeste e o Brasil; e de tudo que o Eminente Professor vem externando é de uma monstruosidade cavalar. Um profissional competente, requisitadíssimo, altamente qualificado; um profissional que sabe o que diz e do que está falando, com fundamento científico, inclusive.
É uma pena o que estamos a presenciar. Não podemos admitir que a mediocridade a serviço de facínoras, adeptos da politicagem miúda e despropositada, venha atacar descabidamente um profissional que só tem somado aos interesses maiores dos paraibanos e dos nordestinos. Professor, aquele que caminha na direção da luz não pode enxergar o que acontece nas trevas. Siga em frente, o Nordeste e o Brasil precisam muito do seu conhecimento e da sua experiência!”.

Joaquim Lemos: “Faz sentido. Se a água começa a chegar no mês que vem, por que deixar Campina nesse racionamento? Fui visitar minha irmã que mora lá numa casa e quase saio de lá sem tomar nem banho. Quando deu certo era uma água que você sente na pele que num presta mesmo. Minha mãe, que mora com ela, tá cozinhando feijão com água mineral. Bora, gente, acaba logo esse racionamento!”.

Robério Cardoso: “Pessoal, o negócio é ainda pior. Olhei no site a AESA do governo do Estado o volume de água no açude Camalaú nos últimos dias. No dia que a água do São Francisco começou a chegar, no dia 22, era de pouco mais que 3,05 milhões. Hoje, dia 25, tem 3,29 milhões de m3, que ganhou então pela transposição e pela chuva, em dois dias 240 mil m3. É só dividir isso pelos dois dias e dá uma vazão de 1,3 m3/s. Como o rasgo que vai inutilizar temporariamente a barragem ainda não foi terminado, essa água que aumentou só pode ter vindo de alguma chuva e da transposição. Uma água dessa num chega em Campina nem a pau. Tem mais 100 km de leito seco até Boqueirão e muito vai se perder. Que São Pedro mande mais chuva!”.

Antonio Carlos Ferreira de Melo: “O relatório do Professor Sarmento é incontestável, rico em detalhes técnicos que nos mostram a realidade da situação do ambicioso projeto da transposição. Como técnico do setor agropecuário, rogo a Deus que apareça o quanto antes um técnico do gabarito do Dr. Sarmento para defender ações, e evitar que essas águas que estão sendo prometidas aos produtores do entorno do canal Acauã-Araçagi cheguem para irrigação de pelo menos 16.000 ha, tendo em vista que até hoje ninguém sabe o vai produzir e muito menos recebeu capacitação técnica para o uso racional da água (se ela chegar)”.

Juliana: “É perceptível​ que um desafio dessa natureza só pode ser feito por alguém que tem coragem de argumentar com a ciência ao seu lado. Todos nós gostaríamos que o senhor estivesse errado para que de fato a água pudessem matar a sede de quem tanto precisa, entretanto, basta ler com atenção esta e outras matérias para perceber que não se trata de críticas ou ataques pessoais, mas sim críticas a um projeto que difere quando analisado do ponto de vista teórico/prático e que possui uma imensurável contribuição na vida de quem realmente lida com a escassez dos recursos hídricos. É uma pena que essa obra seja tratada com tanta irresponsabilidade depois de tantas pessoas terem dedicado tempo e confiança para sua execução, é repudiante a crise política que prejudica a coletividade ao invés de lutar para e pelo melhor, principalmente para os beneficiários que tanto sonham em ter seus problemas com a falta d’água amenizados”.

Gabriel: “É incrível a clareza e a coerência da carta enviada pelo Professor Francisco Sarmento. Quanto as críticas à sua pessoa, isso já é bem comum: quando falta conhecimento técnico no crítico, este passa ao ad hominem. Só que, nesse caso, escolheram uma pessoa idônea e o tiro saiu pela culatra.
Já passamos do tempo dos coronéis na política, agora é hora de ouvir e servir o povo. Meus parabéns, Professor Francisco! Conquistou ainda mais admiração entre aqueles que lhe conhecem”.

Irlanda Wanderley: “Gostaria de esclarecer que conheci o prof. Francisco Sarmento em 2001, quando o município de Campina Grande e adjacências enfrentava uma grave crise hídrica. Na época então aluna de um mestrado em que escolhi um tema referente à referida crise hídrica, entrevistei o Dr. Sarmento sobre aquela situação, e podem acreditar, felizmente, ou infelizmente, o homem sabe o que diz , mesmo porque, não sei se as pessoas que leram essa entrevista têm conhecimento que ele fez parte da equipe técnica que finalizou o projeto projeto de Transposição do São Francisco. Portanto, se tem alguém que pode falar com propriedade sobre essa obra, é o referido professor”.

Paulo Sérgio Gayoso Meira: “Ele não está criticando o projeto ou ignorando a necessidade hídrica de Campina, mas alertando para que este benefício de tantos pais não seja destruído no primeiro sereno que ocorrer. Sabemos como é o Brasil quando obras são entregues antes de sua total conclusão. O alerta está dado”.

José Antunes de Oliveira: “Realmente, é uma preocupação de todos nós a execução dessa grande obra para atender à condução de águas de Transposição do Rio São Francisco, principalmente pela urgência do seu uso para consumo humano, dando prioridade à cidade de Campina Grande, no momento atual. O comentário do Professor Francisco Sarmento já demonstra a sua preocupação na qualidade da obra executada nos trechos do canal de interligação e no sistema de bombeamento, até onde sua visita permitiu. Na verdade, estamos na fase de construção. Entretanto, o nosso maior desafio é a operação com total monitoramento e manutenção dessa grande obra do Nordeste Brasileiro, resultando assim na gestão das águas da Transposição do Rio São Francisco. Engenheiro Agrônomo José Antunes de Oliveira”.

3 Comente Após alertas de Sarmento, começam as providências para corrigir a Transposição

  1. Djair Disse:

    Parabéns ao Dr.Francisco Sarmento, pelo profissionalismo e competência se não fosse o Dr. abrir o verbo (tecnicamente falando) mais uma vez nada seria feito e amanhã viria as desculpas esfarrapada do governa tanto na esfera Federal quanto na estadual. E uma pena que tantos políticos poderosos são nordestino e nada fazem por nós.

    • Newton Mota Disse:

      Mas, não nos enganemos. Não ! Me chamou muito a atenção uma entrevista concedida a um veículo de comunicação, pelo Superintendente da AESA, ex-deputado, caririzeiro, o qual verbalizou que estudos(!?) estão sendo feitos, no sentido de se cobrar do contribuinte, seja ele caririzeiro ou sertanejo, uma taxa pelo uso das águas(bruta !) da transposição, inclusive da energia gasta com funcionamento das bombas. Ora, como cobrar se não existe uma estação de tratamento sequer(!?). Não existe uma estação de tratamento do esgotamento sanitário(!?).

  2. Akira Duarte Kobayashi Disse:

    Que bom que pelo menos os gestores DIZEM que vão tomar providências. Para melhorar ainda mais, poderiam esclarecer como irão contornar os problemas já comentados pelo Doutor Sarmento.

    O que vão fazer para contornar os problemas estruturais das barragens que não suportam serem enchidas? Já se sabe que são várias com o mesmo problema que gerou o rompimento da barragem Barreiro.

    O que vão fazer com os trechos do canal que estão com as placas de concreto danificadas (laterais e de fundo)? O aumento da vazão (coluna d’água/pressão) somado a esse contratempo, tem potencial para provocar novos problemas, sem falar nos problemas que já provoca (infiltração, aumento na perda de carga …).

    O que vão fazer quanto ao inexistente sistema de drenagem em alguns trechos no canal? Rezar para que não chova???

    Quanto aos canais (rasgos) abertos nas barragens (Poções/ Camalaú), seria essa a melhor alternativa? Algum tipo de bypass, mesmo tendo um custo maior, no final das contas não seria melhor?? As barragens foram inutilizadas, reparar isso terá um custo. Onde, como e quando explicaram essas escolhas? Será que o povo dos municípios lindeiros, que tem esses reservatórios como bens valiosos, não merecem tais esclarecimentos??

    No site da AESA não tem absolutamente nada, muito menos no do DNCS.

    Enfim, se tratando de gestão pública, tudo tem que ser muito claro, principalmente quando se trata da gestão de um recurso tão importante para nossa região.

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