Mais de 16 milhões de mulheres brasileiras agredidas em 2016

Dois terços dos brasileiros (66%), ou seja, duas a cada três pessoas, afirmam ter presenciado uma mulher sendo agredida física ou verbalmente nos últimos 12 meses. O dado inédito integra a nova pesquisa “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil”, realizada pelo Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

A pesquisa, com apoio do Instituto Avon e Governo do Canadá, foi realizada entre os dias 11 e 17 de fevereiro último. Foram entrevistadas 2.073 pessoas, sendo 1.051 mulheres. Destas, 833 aceitaram responder ao módulo de autopreenchimento a respeito de vitimização e assédio. Os resultados completos da pesquisa podem ser consultados no Portal do FBSP.

No seu trabalho, o Datafolha identificou que 28,6% das mulheres entrevistadas, com 16 anos ou mais, disseram ter sofrido algum tipo de violência (verbal, física ou psicológica) nos 12 meses anteriores à entrevista. Por se tratar de uma pesquisa de autopreenchimento, a margem de erro foi de 3 pontos porcentuais para mais ou para menos.

Assim, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública estima que ao menos 16,1 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência no período de um ano, mas o número pode chegar a 19,9 milhões (teto da margem de erro). A maior incidência de agressão foi manifestada pelas mulheres que se identificam como pretas (32%) ou pardas (31%); entre brancas, o índice foi de 25%.

Pelos mesmo critérios, entre 12,2 milhões e 15,8 milhões de brasileiras sofreram ofensa verbal; de 5 milhões a 7,6 milhões foram ameaçadas com violência física. A projeção do FBSP e do Datafolha é a de que ao menos 1,4 milhão de mulheres foram espancadas e/ou estranguladas, mas o número pode chegar a 2,9 milhões. Pelo mesmo levantamento, entre 3,9 milhões e 6,2 milhões de mulheres sofreram ofensas sexuais.

A pesquisa mostra também que ao menos 12 mil mulheres foram vítimas de agressão física por dia no Brasil no período de um ano, totalizando cerca de 4,4 milhões de mulheres em 12 meses. Deste total, 39,2% foram vítimas dos namorados, cônjuges, ou ex-namorados e ex-cônjuges, o que representa 1,7 milhão de agredidas.

Principais resultados

• 66% dos brasileiros adultos já presenciaram em seu bairro algum ato de violência contra alguma mulher no último ano. Das seis situações pesquisadas, a mais comum foi a de homens abordando mulheres na rua de forma desrespeitosa (51%), as conhecidas ‘cantadas’;

• Homens humilhando, xingando ou ameaçando parceiras (namorada, esposa ou companheira) ou ex-parceiras foi presenciado por 46% dos entrevistados, enquanto brigas, agressões ou discussões por ciúmes envolvendo parceiras ou ex-parceiras foi presenciado por 44%. A seguir com índices mais baixos aparecem as situações: mulheres vizinhas sendo ameaçadas por seus respectivos parceiros (companheiro, marido, namorado) ou ex-parceiros (ex-companheiro, ex-marido ou ex-namorado)(37%), mulheres vizinhas sendo agredidas por parceiros ou ex-parceiros (37%) e mulheres vizinhas sendo agredidas por parentes (pai, padastro, tio, irmão, avô ou cunhado) (30%);

• Na análise por sexo, não há diferenças significativas entre homens e mulheres. Porém, na variável faixa etária, observa-se diferenças entre os mais jovens e entre os mais velhos. Entre os mais jovens o índice dos que declararam ter presenciado alguma das situações é mais alto (80%) do que entre os mais velhos (55%);

• Sete em cada dez brasileiros adultos (73%) avaliam que a violência contra a mulher aumentou nos últimos 10 anos. Entre os homens, o índice alcança 70%, enquanto entre as mulheres 76%. Para 18%, a violência contra à mulher ficou igual e para 7% ela diminuiu.

  • (Com Letra Certa Estratégia e Tática em Comunicação)

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