Discurso de Ricardo sobre crise não bate com números do próprio governo

Ricardo Coutinho em entrevista na Granja Santana (Foto: G1PB)

Se os números da crise financeira alardeada pelo governador não batem com o crescimento das receitas próprias e transferências da União para o Estado, que ficaram na casa dos R$ 500 milhões nos últimos onze meses, da mesma forma há uma evidente contradição entre a realidade e o discurso de austeridade nos gastos com pessoal que Ricardo Coutinho reverberou hoje (20) em entrevista coletiva à imprensa.

De acordo com dados disponíveis para quem quiser conferir no Sagres do Tribunal de Contas da Paraíba (TCE-PB), quando assumiu o Governo do Estado em 2011, Ricardo Coutinho encontrou 97.571 servidores na folha do Estado. Ao final de 2015, a mesma folha continha nada menos que 112.284 matrículas. Uma diferença de 14.715 pessoas recebendo salário apenas no Poder Executivo.

Folha 2011 do Poder Executivo Estadual

Fonte: Sagres/TCE-PB

Folha 2015 do Poder Executivo Estadual

Fonte: Sagres/TCE-PB

Um recorde em ano eleitoral

O número total de contracheques na folha do Estado foi maior, como se pode ver na tabela reproduzida abaixo, no ano da graça de 2014 e da (re)eleição para governador, quando a folha do Estado chegou perto dos 116 mil recebedores. Em julho daquele ano, antes de a lei mandar o governo dar um tempo nas nomeações e contratações, o número de nomeados ou contratados pela gestão estadual atingiu um recorde: 115.867.

Fonte: Sagres/TCE-PB

De R$ 2,4 para 3,6 bilhões

Já na real, quer dizer, em reais, houve um crescimento de mais de 31% no volume de recursos alocados para a folha. De 2,4 bilhões em 2011, pulou para R$ 3,6 bi ao final de 2015. Nessa conta não entram, evidentemente, os chamados ‘Codificados’, um quadro de cerca de 8 mil pessoas contratadas por critérios e para tarefas que somente devem saber os contratantes. Estima-se que essa folha extra custe aos cofres públicos cerca de R$ 12 milhões mensais.

Por fim, outra informação do governador desmentida pela própria informação prestada pelo próprio governo ao TCE. Diz respeito ao tanto de comissionados pendurados na folha do Estado, que Ricardo garantiu na entrevista desta terça-feira ter reduzido em 20 por cento. Quem acessar o Sagres vai encontrar o seguinte: entre comissionados não efetivos e efetivos, em dezembro do ano passado somavam 5.720 contracheques. Em junho deste ano, o governo pagava 5.751 comissionados.

Pode ser que o corte de bem gratificados pelo Estado tenha sido feito. Só não foi entre 2015 e o primeiro semestre de 2016, período em que supostamente o governo estadual enfrentou uma crise financeira de forma mais aguda. Pelo contrário, nos primeiros seis meses do ano o número de comissionados só fez aumentar. Pouco, mas aumentou, segundo dados da administração estadual.

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